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Talvez
poucos saibam que o processo de industrialização
no Brasil teve seu início com a indústria têxtil.
Suas raízes precedem a chegada e a ocupação do
País pelos portugueses porquanto os índios que
aqui habitavam já exerciam atividades artesanais,
utilizando-se de técnicas primitivas de entrelaçamento
manual de fibras vegetais e produzindo telas grosseiras
para várias finalidades, inclusive para proteção
corporal.
Todavia, partindo-se do princípio de que tudo
teria começado com a efetiva ocupação do território
brasileiro, ocorrida em 1500, podem ser identificadas
quatro etapas importantes para a definição da
evolução histórica da indústria têxtil no país:
a fase colonial, a fase de implantação, a fase
da consolidação e a fase atual que passaremos
a analisar na seqüência.
Fase Colonial
No período colonial, que se estende de 1500 até
1844, a característica fundamental é a incipiência
da indústria têxtil, além de sua descontinuidade.
As diretrizes da política econômica para as colônias
eram ditadas pela Metrópole. Assim, era comum
a adoção de políticas de estímulo ou restrição,
segundo seus interesses ou necessidade de cumprimento
de acordos comerciais com outros países.
Instrumentos restritivos:
Em 1785, por Alvará de d. Maria I, mandou-se fechar
todas as fábricas de tecidos de algodão, lã e
outras fibras, com exceção daquelas que fabricavam
tecidos grosseiros destinados à vestimenta de
escravos e para enfardamento ou embalagens. A
determinação da extinção das fiações e tecelagens
existentes no Brasil tinha como objetivo evitar
que um número maior de trabalhadores agrícolas
e extrativistas minerais fosse desviado para a
indústria manufatureira.
Essa restrição foi posteriormente reforçada em
instruções de outros membros do governo da Metrópole,
tais como a do ministro dos Negócios Ultramarinos,
que determinava ser absolutamente necessário 'abolir
do Brasil ditas fabricas', advertindo ao vice-rei
Luiz de Vasconcelos e Souza, no sentido de ter
"grande cuidado em que debaixo do pretexto dos
sobreditos panos grosseiros se não manufaturarem
por modo algum os que ficam proibidos".
Em síntese, o famoso Alvará é extremamente representativo
do poder coercitivo que exercia a autoridade central
colonizadora sobre qualquer esforço de desenvolver-se
uma atividade manufatureira, quer por parte dos
nativos, quer pelos próprios colonos portugueses.
Com a chegada de Dom João VI ao Brasil, o Alvará
de d. Maria I foi revogado, mas o surto industrialista
que poderia ter-se verificado não ocorreu. Ao
contrário, foi aniquilado em razão de medidas
econômicas de interesse da Metrópole que assinara
em 1810 um tratado de aliança e comércio com a
Inglaterra, instituindo privilégios para os produtos
ingleses, reduzindo-se os direitos alfandegários
para 15%, taxa essa inferior até mesmo à aplicada
para os produtos portugueses que entrassem no
Brasil. Com isso, nossa incipiente indústria têxtil
não tinha como competir com os tecidos ingleses,
perdurando essa situação até 1844, quando novo
sistema tarifário veio comandar o processo evolutivo
da industrialização brasileira.
Fase de Implantação
Instrumentos de Estímulo:
Em 1844, esboçou-se a primeira política industrial
brasileira, quando foram elevadas as tarifas alfandegárias
para a média de 30%, fato que provocou protestos
de várias nações européias. A medida propiciou
realmente um estímulo à industrialização, especialmente
para o ramo têxtil, que foi o pioneiro desse processo.
Contudo, o processo da industrialização não se
deu de imediato; ele foi lento, podendo ser considerado
o período de 1844 até 1913 como fase de implantação
da indústria no Brasil. Em 1864, o Brasil já tinha
uma razoável cultura algodoeira, matéria-prima
básica da indústria têxtil, mão-de-obra abundante
e um mercado consumidor em crescimento. Outros
fatores não-econômicos também influenciaram a
evolução da indústria têxtil, dentre os quais
citam-se: a guerra civil americana, a guerra do
Paraguai e a abolição do tráfico de escravos,
fato este que resultou na maior disponibilidade
de capitais, antes empregados nessa atividade.
Assim, em 1864 estariam funcionando no Brasil
20 fábricas, com cerca de 15.000 fusos e 385 teares.
Menos de 20 anos depois, ou seja, em 1881, aquele
total cresceria para 44 fábricas e 60.000 fusos,
gerando cerca de 5.000 empregos. Nas décadas seguintes,
houve uma aceleração do processo de industrialização
e, às vésperas da I Guerra Mundial, contávamos
com 200 fábricas, que empregavam 78.000 pessoas.
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