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Acabamento, Tingimento, Estamparia e Lavanderias

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Plasma e quitosana: tratamento de PA 6.6

O objetivo principal deste estudo é a aplicação de tratamentos superficiais, físicos e/ou químico, em tecidos de malha de poliamida 6.6, por plasma e/ou quitosana, e avaliar a influência destes nas propriedades químicas e de superfície dos tecidos tratados. Amostras de tecidos de náilon 6.6 foram tratadas com plasma em um reator de corrente contínua, utilizando como gás de plasma O2 e N2. O tratamento com quitosana foi realizado utilizando uma solução 1,0 g/L, numa relação de banho de 1:20, sob agitação constante a 60º C durante 60 minutos. Também foram testadas outras condições de tempo e concentração de quitosana. Os tecidos foram impregnados em um foulard de laboratório e deixados secar ao ar. Algumas amostras do tecido também foram tratadas com quitosana, antes do plasma.

Poliamida
As poliamidas são materiais conhecidos por apresentar como principal característica a alta resistência ao impacto e à abrasão, bem como a solventes orgânicos. Possuem propriedades como a estabilidade térmica e resistência ao fogo, fundindo-se entre as temperaturas de 213 a 225° C (náilon 6), 256 a 265° C (náilon 6.6) e 180 a 190° C (náilon 11), ou acima de 500° C no caso das aramidas. O tecido de malha em náilon 6.6, utilizado neste estudo (figura 1), apresenta melhor resistência ao calor e é obtido a partir de substâncias orgânicas de baixa massa molecular, chamados monômeros. As poliamidas resistem à acetona e a outros solventes orgânicos, aos álcalis e aos ácidos inorgânicos fracos diluídos. Porém, são solúveis a frio em ácido fórmico concentrado, com exceção do náilon 1.1 (BILLMEYER, 1984). O náilon 6.6 é um polímero de condensação obtido a partir da reação entre o ácido hexanodióico (monômero) e 1,6-diaminoexano (monômero) resultando no polímero e, como subproduto, tem-se a formação da água. A figura 2 mostra a representação da reação de obtenção do náilon 6.6.

Figura 1 – Representação da estrutura de um tecido de malha de poliamida 6.6 ampliada 4000x

Figura 2 – Representação da estrutura da poliamida (náilon 6.6)

O que é plasma
O plasma (LTP) é um gás parcialmente ionizado que consiste em íons, elétrons e partículas neutras. A química do plasma acontece sob condições não equilibradas, e as reações podem ocorrer enquanto o gás ou as partes expostas permanecem em temperaturas relativamente baixas. De modo geral, os processos de plasma envolvem reações físicas e químicas que ocorrem entre partículas e superfícies sólidas em contato com o plasma. As técnicas com plasma usam diferentes fontes de íons ou fontes de plasma produzidas por descargas luminescentes ou em arcos contínuos (figura 3), descargas de radiofrequência (RF) capacitivas ou indutivas e descargas de micro-ondas usadas principalmente como fontes de energia térmica (ERRA, 1999; www.las.impe.br). Quando um composto polimérico é inserido num meio como o plasma, um dos principais efeitos é a interação química de espécies ativas com as moléculas da superfície do polímero, podendo gerar novos grupos funcionais ou, ainda, efeitos estruturais que levam à degradação superficial do polímero, causado pela interação rápida com radicais ou íons. Portanto, a intensidade e duração do tratamento a plasma são de grande importância, já que o plasma é constituído por moléculas e átomos excitados de elevada reatividade química, que é responsável por uma grande variedade de reações que se limitam à superfície.

Figura 3 – Ilustração de um feixe de plasma gerado em laboratório

O que é quitosana
A quitosana (Q) é um biopolímero (poli 1,4 – 2 amino – 2 deoxi ß – D – glicose) catiônico, obtida pela desacetilação da quitina (figura 4), e tem como principal fonte natural as carapaças dos crustáceos, caranguejos, camarões e lagostas, sendo também encontrada em insetos, moluscos e na parede celular de fungos. Descoberta em 1859 pelo pesquisador C. Rouget, a quitosana apresenta propriedades de biocompatibilidade e biodegradabilidade de grande interesse para uso em aplicações têxteis. Sua aplicação pode produzir mudanças na absorção e difusão dos corantes, aumentando o rendimento do tingimento e contribuindo para a redução do encolhimento de um tecido de lã (JOCIC, 2004).

Tratamentos superficiais
O tratamento com plasma e/ou biopolímero quitosana afeta unicamente a superfície das fibras. Entretanto, pode melhorar características como hidrofobicidade e formação de eletricidade estática e, consequentemente, melhorar o processamento industrial da fibra (ERRA,1999). Devido a algumas propriedades ainda deficientes ou indesejáveis das fibras sintéticas, encontra-se com frequência estudos sobre tratamentos químicos, físicos, biológicos ou por meio de aditivos no acabamento têxtil, visando melhorar suas propriedades físicas e químicas. Dentre estes podemos citar tratamentos com enzimas, quitosana e plasma. O tratamento com plasma pode mudar as características do tecido, tornando a superfície mais ou menos áspera e com maior resistência à abrasão e calor. A maioria das pesquisas para a indústria têxtil, usando o processo a plasma, tem se concentrado particularmente em filamentos sintéticos e nas fibras de lã. Devido ao aumento das exigências impostas sobre o acabamento de tecidos têxteis, principalmente com as fibras sintéticas, e a preocupação com o meio ambiente, técnicas inovadoras como plasma a baixa pressão e temperatura têm sido estudadas (VOHER, 1998; RICCARDI, 2003). O processo a plasma pode substituir algumas aplicações químicas que envolvem líquidos, tendo como resultado uma técnica ecologicamente mais correta. Não sendo poluentes, os processos a plasma nos permite mudar exclusivamente a superfície das fibras que constituem o tecido sem modificar o seu interior, já que o tratamento com plasma térmico e plasma frio afeta unicamente a superfície das fibras. Portanto, o beneficiamento têxtil e o tingimento podem modificar-se em função do tratamento destas superfícies. Dentre as várias propriedades da superfície que podem ser melhoradas utilizando o plasma, destaca-se o molhamento – devido a sua influência sobre o tingimento e estampagem – bastante utilizado pela indústria têxtil, e também pela melhora da absorção do suor do corpo humano pelo tecido, permitindo a diminuição da sensação de desconforto

Figura 4 – Representação da estrutura molecular da quitosana

Ensaios
Vamos estudar o potencial e a viabilidade da aplicação do tratamento superficial com biopolímero quitosana e/ou plasma O2 (oxigênio) e N2 (nitrogênio) em tecidos de malha náilon 6.6 e avaliar a influência destes pré-tratamentos nas propriedades superficiais (químicas e físicas) dos tecidos tratados. Os tratamentos foram avaliados levando em consideração:  Medidas de umectação por capilaridade.  Grau de intumescimento.  Resistência ao estouro, formação de pilling. Mudanças na superfície por microscopia eletrônica de varredura (MEV). Quanto ao grau de intumescimento verificou-se que todos os tratamentos realizados resultaram no aumento da porcentagem de água absorvida nos tecidos. Entretanto, o teste de umectação por capilaridade demonstrou que só as amostras tratadas com plasma ou plasma/quitosana apresentaram melhoras significativas no tempo de umectação, indicando aumento da afinidade do tecido pela água. Não houve perdas significativas da resistência dos tecidos ou aumento da tendência à formação de pilling após os tratamentos. As análises por microscopia mostram a formação de uma superfície mais rugosa quando comparado as amostras não tratadas.

Figura 4 – Representação da estrutura molecular da quitosana

Materiais e Métodos 
• Tecido de poliamidaDois diferentes tecidos de malha de náilon 6.6 foram tratados e analisados, sendo o primeiro fino e brilhante (tecido 1 - 76/52 dtex = fio 76 dtex com 52 filamentos) e, o segundo, grosso e opaco (tecido 2 - 2x78/24 dtex = fio 78 dtex com dois cabos de 24 filamentos cada). A segunda amostra foi analisada somente após o tratamento, frente às propriedades de umectabilidade e resistência ao estouro, para fins de comparação entre diferentes estruturas de tecido.

• Tratamento com plasmaO tratamento com plasma das amostras de tecido de malha de náilon 6.6 foi realizado em um reator de corrente contínua (figura 5) utilizando como gás oxigênio e nitrogênio.O tratamento por plasma foi feito em cooperação com o Laboratório de Plasma do Departamento de Física da UDESC/Joinvile. Os parâmetros – como intensidade da corrente (20m A), temperatura (25° C) e voltagem (300 v) – foram mantidos constantes durante todo o processo. Foram tratadas amostras em diferentes tempos de: 0,5, 1,0 e 2,0 minutos, conforme dados da literatura (DREUX, 2002). Além desta indicação, estes parâmetros foram fixados em função dos resultados de testes preliminares, que mostraram as melhores condições de tratamento. Os tratamentos foram feitos com plasma de O2 e plasma de N2, mantidos a pressão constante de 0,2 mbar.

• Tratamento com quitosanaAlgumas amostras (duas a quatro amostras para cada ensaio) dos tecidos testados foram tratadas somente com quitosana, ou com quitosana antes do plasma, com o intuito de verificar as influências da presença deste biopolímero no tratamento físico. As amostras foram introduzidas em uma solução de quitosana, variando a concentração de 0,5 à 2 g/L numa relação de banho de 1:20. Foram mantidas em um banho termostatizado sob agitação constante a 60º C durante 60 minutos; 60° C durante 20 minutos; 25° C durante 20 minutos; 90° C durante 20 minutos e 90° C durante 60 minutos, para impregnação. Em seguida, os tecidos foram passados em um foulard de laboratório com uma velocidade de 3m/min a 3 bar de pressão, e deixados secar ao ar. A avaliação das propriedades físicas e tintoriais foi realizada com amostras não tratadas, com amostras tratadas com quitosana e com amostras acabadas antes do tratamento com plasma.

Avaliação da hidrofilidade do tecido
• Determinação do grau de intumescimento Amostras tratadas com plasma, quitosana e plasma + quitosana, bem como as não tratadas, foram submersas em água durante 24 horas em um banho termostatizado a uma temperatura de 35º C em um aparelho Nova Técnica – Banho Sorológico NT 260. O grau de intumescimento foi determinado comparando-se as massas das amostras secas e úmidas, medidas em balança analítica. As amostras também foram impregnadas no foulard, 20 minutos a 25° C e secagem ao ar, durante 20 minutos a 60° C; secagem 10 minutos a 60° C; secagem 60 minutos a 60° C; secagem de 10 minutos a 60° C; de 20 minutos a 60° C; secagem ao ar, 20 minutos a 90° C; secagem de 5 minutos a 90° C; 60 minutos a 90° C e secagem 5 minutos a 90° C.

• Teste da gotaA malha é colocada sobre um béquer médio e presa com elástico, deixando a malha com uma superfície lisa, mas não esticada, pois as fendas de entrelaçamento podem se abrir demais, facilitando muito a absorção da gota. Posteriormente, uma bureta é regulada com água deixando cair uma gota. Ao mesmo tempo em que a gota cai deve ser ligado um cronômetro e, no momento em que a gota é totalmente absorvida, deve ser desligado. Este teste deve ser repetido várias vezes e feito uma média dos resultados para ter uma melhor precisão.

 • Umectação por capilaridadeA amostra é pendurada num varal, localizado a uma distância fixa da cuba (figura 6) com uma quantidade de água fixa, controlada por uma escala localizada no fundo do aparelho. Simultaneamente em que a amostra é colocada em contato com a água, um cronômetro é acionado para verificar a altura que a água umectou o tecido durante os intervalos de 1 minuto e 1,5 minutos. A altura da água é anotada nos devidos intervalos. Para efetuar o cálculo é descontado (da altura da água no tecido) o valor da altura da água na cuba. São realizados no mínimo quatro testes para cada condição, a fim de realizar o cálculo médio e desvio padrão, obtendo, assim, os resultados finais. 

• Determinação da resistência ao estouroOs ensaios de resistência ao estouro das amostras tratadas e não tratadas foram realizados em um equipamento de ensaios Mullen Tester, modelo DL-500 EMIC, com capacidade máxima de 5 kN (quilos/força média de pressão) segundo normas técnicas NBR 13384, 1995.

• Determinação do grau de pillingO grau de pilling (considera a tendência do tecido de formar bolinhas) analisado para todas as amostras tratadas e não tratadas foi determinado em aparelho Pilling Tester da Mathis, segundo normas técnicas NBR 1076, 1978.

• Avaliação da superfície da fibraA análise da superfície das amostras foi realizada através de microscopia eletrônica de varredura (MEV – Zeiss) em trabalho conjunto com o Departamento de Física (UDESC/Joinville), sendo analisado e comparado o efeito dos diferentes tratamentos na superfície das fibras. 

Figura 5 – Desenho esquemático do sistema de plasma usado para tratamento de tecido

Resultados e discussão
A tabela 1 mostra os resultados de umectação por capilaridade, obtidos a partir dos tratamentos químicos (com quitosana) e físicos (plasma).Nos resultados dos testes de umectação por capilaridade, realizados nas amostras, verifica-se que os tecidos tratados com plasma oxigênio, 1 e 2 minutos, pré-tratados com quitosana ou não, apresentaram uma umectação bem mais rápida que os não tratadas ou tratados somente com quitosana 1 g/L. Também observou-se que as amostras do tecido 02, tratadas com quitosana, apresentaram melhor poder de umectação em relação ao tecido 01. Isto pode estar ocorrendo devido a afinidade que o corante tem com a quitosana (MIN, 2002) e em relação ao tratamento por plasma nas mesmas condições. O resultado indica que os tecidos tratados com plasma oxigênio passam, provavelmente, a apresentar uma afinidade maior pela água se comparados com tecidos de náilon 6.6 não tratados, sendo este fato observado tanto no tecido 01 como no tecido 02. Também observamos que, no tecido 01, o tempo de tratamento de 1 minuto apresenta maior umectação que no intervalo de 2 minutos. Isto pode estar ocorrendo em função de uma redução de carga eletrostática como indicado na literatura (KAN, 1998). Na próxima edição, vamos apresentar os demais resultados da análise da superfície dos tecidos a partir dos tratamentos com plasma e quitosana. 

Figura 6 – Aparelho idealizado para a realização do teste de umectação por capilaridade

Tratamentos com plasma (físico) ou com o biopolímero quitosana (químico) podem afetar a superfície das fibras, melhorando características como hidrofobicidade e formação de eletricidade estática, facilitando os processos industriais. O objetivo principal deste estudo é mostrar a aplicação de tratamentos superficiais físicos e/ou químico, em tecidos de malha náilon 6.6, por plasma e/ou quitosana, e avaliar a influência destes pré-tratamentos nas propriedades químicas e de superfície dos tecidos tratados. Na primeira parte do artigo (Textilia nª 74) abordamos a metodologia, agora vamos mostrar os resultados dos testes nas amostras, que foram avaliadas levando em consideração o grau de intumescimento, absorção da gota, umectação por capilaridade, propriedades mecânicas (resistência ao estouro) e propriedades de superfície (formação de pilling). 

• Determinação do grau de intumescimento

As figuras 1 e 2 mostram o comportamento quanto ao grau de intumescimento das amostras do tecido 1, tratada em todos os parâmetros de teste, e das amostras do tecido 2 tratadas com plasma (O2) e/ou quitosana na concentração 1 g/L em diferentes parâmetros, comparado com as amostras não tratadas.É possível verificar que nos tratamentos onde se utilizou somente a quitosana ou somente o plasma por 1 minuto demonstraram melhores resultados de umectação, sendo praticamente iguais 63% para o tecido 01 e 68% para o tecido 02. Os valores diferentes de grau de intumescimento entre as amostras 1 e 2 se devem à variação na estrutura do tecido, sendo um de gramatura leve e outro pesada. Para o de maior gramatura observa-se maior influência do tratamento. Constata-se desta forma que não há um sinergismo entre os dois tratamentos. Na tabela 1 (pág. 29) observa-se uma variação de 57,2 para 58,4 em média, e as amostras tratadas com quitosana de 58,6 para 61,0 em média, com variação máxima de 3%. O melhor resultado ocorreu na temperatura próximo da Tg (transição vítrea) da fibra (entre 55 – 56 °C).

• Absorção da gota

A tabela 2 (pág. 29) mostra a variação do grau de intumescimento dos tecidos tratados com quitosana 20 minutos a 25°C com diferentes concentrações.Considerando os dados, verifica-se que a presença de quitosana melhora a umectabilidade do tecido, medida pelo grau de intumescimento, entretanto a absorção de água se dá mais lentamente. A melhora da umectabilidade cresce de acordo com o aumento da concentração da quitosana empregada no tratamento. As amostras impregnadas no foulard somente após uma semana do tratamento apresentaram um maior tempo para absorver água até 1,5 g/L de quitosana, entretanto o grau de intumescimento permaneceu próximo, comparado às amostras impregnadas no mesmo dia, confirmando ser desnecessários maiores tempos de tratamento, também sendo o melhor resultado observado para 1,5 g/L. As amostras tratadas com 2,0 g/L de quitosana (tabela 2), e impregnadas somente após uma semana, apresentaram comportamento praticamente idêntico às amostras impregnadas no mesmo dia, quanto à propriedade de umectabilidade, entretanto observa-se uma diminuição no tempo de absorção da gota em relação aos tratamentos de concentrações mais baixas, o que acontece porque a absorção da gota ocorre mais na quitosana do que no tecido.Testes mostram que não há variações muito significativas nas porcentagens de grau de intumescimento nos tratamentos a 25ºC, entretanto, no tratamento onde se realizou a impregnação a 60ºC, durante 60 minutos, apresentou maior influencia neste item.Na figura 3 verifica-se um aumento no tempo de absorção da gota, principalmente no tratamento a 60ºC. Próximo ao Tg a fibra fica mais maleável, o que facilita a ação do tratamento químico. Observa-se que a variação no processo de secagem em rama de laboratório ou ao ar livre (temperatura ambiente), não influenciou nos tratamentos das amostras de tecidos. Por sua vez, a tabela 3 mostra que o aumento do tempo de tratamento implicou no aumento do tempo de absorção da gota e, ao mesmo tempo, resultou numa melhora no grau de intumescimento dos tecidos tratados. Sendo desta forma suficiente a impregnação no mesmo dia, porém com um tempo maior de tratamento, em torno de 60 minutos.

Figura 1: Grau de intumescimento das amostras tratadas com plasma O2 e quitosana na concentração 1 g/L em diferentes condições e amostras não tratadas para o tecido 01.

Figura 2: Grau de intumescimento dos tecidos 01 e 02 tratados com plasma O2 e quitosana 1 g/L e amostras não tratados.

Tabela 1: Grau de intumescimento dos tecidos tratados e impregnados no foulard no mesmo dia, fixando-se a concentração de quitosana em 1,0 g/L e variando-se o tempo de tratamento.

Tabela 2: Grau de intumescimento dos tecidos tratados durante 20 minutos a 25ºC, com diferentes tempos de impregnação.

Figura 3: Absorção da gota nas amostras tratadas com 1 g/L de quitosana e não tratadas sendo impregnadas no foulard no mesmo dia.

Tabela 3: Avaliação do grau de intumescimento dos tecidos tratados variando-se os tempos de tratamento na temperatura de 25°C.

• Umectação por Capilaridade

As tabelas e as figuras a seguir mostram os resultados obtidos a partir dos tratamentos químicos (quitosana) e físicos (plasma). A tabela 4 e as figuras 4 e 5 mostram os resultados dos testes de umectação por capilaridade realizada nas amostras. Verifica-se que as amostras tratadas com plasma oxigênio (1 e 2 minutos), pré-tratadas com quitosana ou não, apresentaram uma umectação bem mais rápida do que as não tratadas ou as somente tratadas com quitosana 1 g/L. Também observou-se que as amostras do tecido 2 apresentaram melhor poder de umectação em relação ao tecido 1. Isto ocorre devido a afinidade que o corante tem com a quitosana (MIN, 2002), e em relação ao tratamento por plasma nas mesmas condições. Isto indica que os tecidos de malha tratados com plasma de O2 passam provavelmente a apresentar uma afinidade maior pela água se comparados com as malhas de náilon 6.6 não tratadas. Tanto no tecido 1 quanto no 2, percebemos que no primeiro, o tempo de tratamento de 1 minuto apresentou maior umectação que no intervalo de 2 minutos. Isso pode ocorrer em função de uma redução de carga eletrostática como indicado na literatura (KAN, 1998).A tabela 4 e a figura 4 revelam que as amostras tratadas por plasma O2, durante 1 e 2 minutos, apresentaram uma maior umectação em relação aos tecidos de malha não tratados ou com apenas quitosana, o que se deu pela diminuição da energia eletrostática na superfície da fibra. A figura 5 mostra que os resultados apresentados pelo tecido 2 tem pouco poder de umectação em relação ao tecido 1. Isto indica que as amostras tratadas com plasma passam provavelmente a apresentar uma afinidade maior à água se comparados com tecidos de náilon 6.6 não tratados, sendo este fato observado tanto no tecido 1 como no tecido 2. Pode também criar radicais livres ou proporcionar mudanças químicas na superfície da fibra e no tecido 2 por ser este de maior gramatura, tendo o plasma dificuldade para atingir os fios internos.

Tabela 4: Umectação por capilaridade dos tecidos tratados com plasma O2 e não tratados.

Figura 4: Gráficos que representam os teste de umectação por capilaridade do tecido 1 tratado por plasma O2 e não tratado.

Figura 5: Gráfico que representam os testes de umectação por capilaridade do tecido 2 tratado por plasma O2 e não tratado.

• Umectação por capilaridade das amostras tratadas com plasma N2, plasma O2 e quitosana 1g/L.

O teste de umectação por capilaridade pode indicar se os tratamentos realizados nas amostras aumentaram ou não a afinidade da fibra de poliamida (PA) pelo meio aquoso, bem como determinar quais as melhores opções, dentre os tratamentos realizados, para melhorar a absorção da fibra, visto que esta propriedade é importante nos processos de beneficiamento têxtil. As amostras foram cortadas com 10.5 x 3 cm, imersas em água a 30 mm na cuba. Os dados são a média dos ensaios realizados com triplicata, tendo os valores da altura da amostra subtraídos pela altura da água.A tabela 5 e a figura 6 mostram que os melhores resultados de umectação foram obtidos nas amostras tratadas com plasma N2 e com O2 aplicados em diferentes intervalos, tanto para leituras da altura da água em 1 minuto como para 1,5 minutos. Quando comparados com tratamento somente com quitosana ou plasma mais quitosana, esses resultados ocorrem devido a diminuição da energia eletrostática na superfície da fibra como mencionado na literatura (TAYLOR, 1987). A figura 7 apresenta resultados dos testes de umectação por capilaridade (altura da água em 1 minuto) comparando os tratamentos com plasma N2 e O2 em diferentes condições de tempo. Observa-se que o tratamento com plasma O2, empregado na maioria dos casos, foi o que apresentou melhores resultados de umectabilidade se comparados com amostras não tratadas ou tratadas com quitosana, e até mesmo com N2. 

Tabela 5: Apresenta resultados dos testes de umectação realizados nas amostras tratadas, não tratadas e tratadas com quitosana e plasma O2 e N2 do tecido 01 com os intervalos de medida de 1 e 1,5 minutos.

Figura 6: Gráfico relacionado à tabela 5, com todos os resultados dos testes de umectação por capilaridade de amostras não tratadas, tratadas com quitosana 1 g/L e tratadas com plasma nos intervalos de 0,5 à 2 minutos.

Figura 7: Gráficos comparativos dos resultados dos testes realizados com amostras não tratadas; com amostras tratadas com quitosana 1 g/L e com plasma N2 e O2 em diferentes condições de tempo.

Avaliação das propriedades mecânicas
Avaliamos a resistência ao estouro das amostras de tecidos de malha 1 e 2 (tratadas e não tratadas), com diferentes concentrações de quitosana.

• Determinação da Resistência ao EstouroA figura 8 e a tabela 6 apresentam os resultados dos ensaios realizados para determinação da influência do tratamento com quitosana quanto à resistência ao estouro dos tecidos de náilon 66.Observando os dados da figura 9 e da tabela 6 verifica-se que a resistência das amostras de tecidos praticamente não é afetada pelo tratamento com o biopolímero quitosana, principalmente até 1 g/L. A maior variação que se observou, após uma semana, foi de 0,8 Kgf/cm2 e para as amostras impregnadas no mesmo dia, o resultado foi de 1,75 Kgf/cm2 , mesmo nos casos onde se aumentou o tempo de tratamento.A figura 9 mostra os resultados do teste de resistência ao estouro realizado nas amostras do tecido 01 e a figura 10, os resultados comparativos entre os diferentes tecidos, com a finalidade de investigar a perda ou não de resistência destes após o tratamento físico e/ou químico. Observa-se que a perda de resistência é mínima. Não há alteração da resistência das amostras quando submetidas aos tratamentos com plasma O2 e N2, nos intervalos de 0,5 a 2 minutos e/ou quitosana 1 g/L, tanto para o tecido 1 como para o tecido 2. Este dado é muito importante em termos de aplicabilidade, pois os tratamentos não comprometem a resistência do tecido, ou seja, as propriedades mecânicas não são proporcionais ao tempo de tratamento como encontrado na literatura (JOANNE YIP, 2002)

Avaliação das propriedades de superfície.

• Análise MicroscópicaMicrografia Eletrônica de Varredura (MEV) foi realizada para avaliar a superfície da fibra após o tratamento com quitosana em diferentes concentrações, bem como com em plasma e plasma combinado com quitosana. Através da MEV foi possível verificar pequenas alterações na forma de relevos sobre a superfície do filamento do tecido de malha de PA tratado com quitosana 1 g/L. Para os casos tratados com plasma O2 observa-se uma superfície menos rugosa para o tecido 1. 
• Determinação do Grau de “Piling”Quanto à avaliação do grau de pilling das amostras tratadas, verificou-se que a presença da quitosana na superfície do tecido praticamente não influenciou para a formação de pilling, visto que tanto as amostras tratadas como as não-tratadas, em todas as condições e parâmetros testados, permaneceram entre os valores máximos de 4 e 5 (nota segundo norma, Lei Japonesa – Law Jis L 1076 - 1978 – escala de 1 a 5), demonstrando ótimos resultados. Isto prova que a modificação da superfície não altera o comportamento quanto a fricção no tecido. 

Figura 8: Resistência ao estouro dos tecidos tratados com quitosana durante 20 minutos a 25ºC e impregnados após uma semana ou no mesmo dia.

Figura 9: Resistência ao estouro das amostras do tecido 01 não tratadas e tratadas com quitosana e plasma O2 e N2 em diferentes condições de tratamentos.

Tabela 6: Resistência ao estouro dos tecidos impregnados com quitosana a 25ºC, variando os tempos de tratamento.

Figura 10: Resistência ao estouro das amostras dos tecidos 01 e 02 não tratados e tratadas com quitosana 1 g/L e plasma em diferentes condições.

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Texto: Ivonete O. Barcellos (1), Dirceu Abatti, Luis César Fontana (2)
e Jürgen Andreaus 

Data de publicação: 14/09/2011

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Os desenhos dão cor, estilo e originalidade aos tecidos, porém, sua qualidade depende de tecnologia e cuidados na hora de estampar.  2012-07-06 - Tags: estamparia

Otimização em processos de rama
Um panorama das configurações, acessórios, produtividade e economia energética neste importante equipamento têxtil  2012-07-02 - Tags: ramosa economia

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Plasma e quitosana: tratamento de PA 6.6
Propriedades de superfícies, como hidrofilidade, podem favorecer processos de acabamento têxtil.  2011-09-14 - Tags: quitosana

Fio vaporizado para malharia
Testes mostram que a qualidade da malha de algodão aumenta.  2011-09-13 - Tags: qingdao

Estamparia digital com pigmentos
O uso correto de amaciantes e fixadores agrega valor ao tecido e evita adição de matérias-primas nocivas.  2011-09-06 - Tags: bttg

Otimização no processo de alvejamento
Estudo elaborado com base em experimento feito no setor de beneficiamento de tecido plano em indústria brasileira.  2011-09-01 - Tags: processo de alvejamento