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Acabamento, Tingimento, Estamparia e Lavanderias

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ITMA 2015: colorimetria e estamparia digital

O controle visual de cores ainda apresenta bastante importância e o desenvolvimento das lâmpadas LED já aparece atualmente nos sistemas mais avançados. A colorimetria baseada em espectrofotômetros tradicionais continua sendo uma ferramenta fundamental no controle industrial e na comunicação de cores, mas na ITMA 2015, nenhuma grande novidade foi apresentada. Os softwares, aplicados à colorimetria, foram aprimorado, contudo sem mostrar grandes novidades. Sistemas CAD dedicados à estamparia digital ficaram limitados a apenas dois fornecedores tradicionais. Já as impressoras digitais tiveram um desenvolvimento dinâmico desde a ITMA 2011, quando o conceito de impressoras “single pass”, com velocidade de produção em torno de 75 m/min, foi apresentado e hoje já existem 22 máquinas comercializadas. Como seria esperado, impressoras tipo scanning ganharam em velocidade chegando entre 1.000 a 1.500 m2/hora.  Novas tecnologias muito interessantes foram anunciadas, entre elas a impressão digital úmido a úmido para pigmentos, vaporização continua de alta pressão e estamparia-tinturaria-acabamento com tecnologia jato de tinta contínua. 

2.  CONTROLE VISUAL E INSTRUMENTAL DE CORES 

O controle visual e instrumental das cores na indústria têxtil abrange diversas áreas, como:

  • cabines de iluminação padrão para controle visual;
  • instrumentos de bancada;
  • instrumentos portáteis e especiais para estamparia digital (EDT);
  • instrumentos on-line;
  • software de controle de qualidade e de formulação de receitas.

 

Fornecedor

Página De Web

(a)

(b)

(c)

(d)

(e)

 

 

 

 

 

 

 

Barbieri

www.barbierielectronic.com

 

 

  • ·

 

  • ·

C-Tex NTX Ltd.

www.c-tex.co.uk

 

 

 

  • ·
  • ·
 

Datacolor

www.datacolor.com

  • ·
  • ·
  • ·
   

 

  • ·

Durst

www.durst-online.com

 

 

  • ·

 

  • ·

EVS Elbit Vision Systems Ltd.

www.evs.co.il

 

 

 

  • ·
  • ·
 

GTI

www.gtilite.com

  • ·

 

 

 

 

I.C.S. Italian Colour Solutions

www.italiancolorsolutions.it

  • ·

 

 

 

  • ·

JUST Normlicht

www.just.de

  • ·

 

 

 

 

Konica-Minolta

http://sensing.konicaminolta.com.br/

 

  • ·
  • ·
 

 

  • ·

Mahlo

http://www.mahlo.com/

 

 

 

  • ·
  • ·
 

Mathis

http://www.mathis.com.br/

  • ·
  • ·
  • ·
   

 

  • ·

SEDO-Treepoint

http://www.sedo-treepoint.com/

 

 

 

 

  • ·

VeriVide DigiEye

https://www.verivide.com/

  • ·
  • ·
 

 

 

  • ·

VUTS

http://www.vuts.cz/vuts-2.html

 

 

 

  • ·
  • ·
 

X-Rite, Incorporated

www.xrite.com

  • ·
  • ·
  • ·
   

 

  • ·

Tabela 1: Fornecedores principais de sistemas de colorimetria na ITMA 2015

(a)     Cabine; (b) Bancada; (c) Portáteis/EDT; (d) On-line; (e) Software 

 

2.1 Cabines de iluminação padrão para controle visual 

O controle visual continua sendo uma ferramenta importante apesar da história da colorimetria industrial contar com mais de 85 anos. Muitas indústrias ainda não usam controle instrumental, ou não o fazem exclusivamente, porém todas devem usar o controle visual para estabelecer limites de tolerância e então poder introduzir o controle instrumental (Gay e Hirschler, 2001). 

Existem tecidos, tipo jacquard e estampados, em que a medição instrumental ainda apresenta problema de execução em colorímetros e espectrofotômetros convencionais. Veremos, a seguir, que já existem instrumentos baseados em câmeras digitais capazes de medir as cores em tais amostras. 

Para o controle visual de cores é de fundamental importância padronizar a iluminação. Na indústria têxtil a iluminação mais usada é a luz do dia, que não existe como “fonte padrão”. As fontes de luz do dia usadas nas cabines de iluminação são apenas simuladores categorizados, de acordo com sua composição espectral (Hirschler, Oliveira e Lopes, 2010). É importante saber que para amostras fluorescentes (por ex. brancos com alvejante óptico) não apenas a faixa visível, mas também a faixa UV tem influência na aparência. Por isso as fontes são caracterizadas com duas letras, de A até E: a primeira mostra sua eficiência como simuladores na faixa visível e a segunda na faixa UV. As melhores cabines teriam categoria AA e as menos eficientes EE. Para avaliação crítica de cores uma cabine deve ter no mínimo categoria BC, ou superior (ASTM, 2016). 

Atualmente a maioria das cabines utiliza lâmpadas fluorescentes para as iluminações D65 (luz do dia), TL84 (luz de loja), CWF (luz fria), e lâmpadas de tungstênio para iluminação A (luz residencial). A única exceção é a SpectraLight da empresa X-Rite que há muito tempo vem oferecendo cabines com luz do dia com lâmpada incandescente filtrada + UV extra. No último encontro da ITMA diversas cabines com iluminação LED foram apresentadas, uma tecnologia de futuro com certeza, mas ainda pendente de comprovação. 

Fornecedor

Cabine

Iluminações

Lâmpada

luz do dia

Dimensões internas

A×L×P cm

Obs.

DATACOLOR

 

 

 

 

DCMB-2028

 

 

 

Especificações veja GTI

DCMB-2540

 

 

 

Especificações veja GTI

True-Vue 2

D65*, CWF**, A, UV

Fluorescente

36×61×33

 

True -Vue 4

D65*, CWF**, A, UV

Fluorescente

36×61×41

Dimming, Autosequence

 

 

 

 

 

GTI Color Matcher

 

 

 

CMB-2028

D65*, CWF**, A, UV, Optional***

Fluorescente

48×71×51

 

CMB-2540

D65*, CWF**, A, UV, Optional***

Fluorescente

64×102×64

 

CMB-3052

D65*, CWF**, A, UV, Optional***

Fluorescente

76×132×76

 

CMB-3064

D65*, CWF**, A, UV, Optional***

Fluorescente

76×163×76

 

 

 

 

 

 

I.C.S. ITALIAN COLOR SOLUTIONS

 

 

 

Luxor-X

D65, CWF**, A, UV

 

 

 

 

 

 

 

 

JUST NORMLICHT Color Viewing Light

 

 

 

Basic

D65*, TL84, A, UV, Alternate

Fluorescente

33×64×36

3, 4 ou 5 fontes

Advanced

D65*, TL84, A, UV, Alternate

Fluorescente

111×128×100+

 

Professional

D65*, TL84, A, UV, Alternate

Fluorescente

111×128×100+

Dimming, conexão LAN

LED / Hybrid

Qualquer (programável)

LED

64×95×73++

 

 

 

 

 

 

MATHIS Cabine de luz

 

 

 

LBM-B

D65*, TL84, A, UV, opcionalx

Fluorescente

41×63×43

xD50, D75, H, CWF

 

 

 

 

 

VERIVIDE

 

 

 

 

CAC 60

D65*, TL84, A, UV, opcionalxx

Fluorescente

34×68×38

xxCWF. U35, TL83 etc.

CAC 120

D65*, TL84, A, UV, opcionalxx

Fluorescente

55×126×59

xxCWF. U35, TL83 etc.

CAC 150

D65*, TL84, A, UV, opcionalxx

Fluorescente

55×153×59

xxCWF. U35, TL83 etc.

UltraView

D65*, TL84, U30, LEDxxx, A, UV

Fluorescente

n/a

xxx 3000K ou 4000K

UltraView ELITE

D65/D50, TL84, U30, LEDxxxx, A, UV

LED

n/a

xxxx 2700 ou 3000K ou 4000K

 

 

 

 

 

X-RITE

 

 

 

 

JUDGE QC

D65 e/ou D50, A, UV, TL84 e/ou U30 ou U35

Fluorescente

38×64×47

 

SPL QC

D65 ou D50, FL, H, A, UV

Especial#

 

FL: CWF/TL84/U30/U35

Tabela 2. Características mais importantes das cabines mostrados na ITMA

(Fonte: fornecedores)

*ou D50 ou D75;  **ou TL84; *** TL84, TL83, Horizon, ou LED

+ Tamanho XXL (outros tamanhos: S M L XL); ++ Tamanho XL (outros tamanhos: S M );

#Lâmpada incandescente filtrada, com adicional UV calibrada

 

Como mostra a Tabela 2. as cabines mais comuns são baseados em lâmpadas fluorescentes, e normalmente têm quatro ou cinco fontes. Todas as cabines mostradas na ITMA informam em suas especificações conformidade com a norma ASTM. Além da qualidade da simulação da luz do dia (ou, seja, categoria BC, ou superior, pela classificação CIE) a uniformidade da iluminação dentro da cabine é outra característica importante, contudo os fornecedores falam pouco sobre esse assunto. Conforme nossos estudos (Hirschler and Oliveira 2007), nas gerações anteriores de cabines, apenas uma ou duas atenderam às exigências da norma. Hoje a situação já deve ser melhor. 

Destaques 

A GTI (uma das líderes do mercado) continua oferecendo as cabines Color Matcher, todas comprovadamente dentro dos limites da norma. Recentemente, apresentou a opção de iluminação LED, cuja aplicação vem crescendo rapidamente. A empresa mostrou também um interessante aparelho, o SCV – Simultaneous Color Viewer, para mostrar e demonstrar o fenômeno de flair: a mudança de cor em função do tipo de iluminação. 

A JUST Normlicht, além das cabines tradicionais, apresentou uma família de cabines baseadas em lâmpadas LED: a LED Viewing Light e a LED Viewing Light Hybrid. Conta com uma série de fontes LED multi-espectrais que pode reproduzir com alta fidelidade qualquer distribuição espectral (característica de qualquer iluminante). Essas cabines também apresentam lâmpadas fluorescentes com picos espectrais complexos. Os iluminantes mais comuns (D65, D50, TL84, A, UV) são pré-programados e todos os outros podem ser reproduzidos pelo software adJUST LEDcontrol Professional. Para a recalibração a JUST oferece um espectroradiômetro simples, o GL Spectis. 

A VeriVide também mostrou novidades utilizando lâmpadas LED. A nova cabine UltraView se baseia ainda no uso de lâmpadas fluorescentes para D65 e D50 e incandescente para A, mas já agrega duas lâmpadas LED, o que eles chamam de POS, ou Point of Sale e representa a moderna luz de loja. Já a UltraView ELITE usa uma matriz de LEDs para reproduzir D65 e/ou D50 e A, e uma matriz de UV LEDs filtrados e ajustáveis para UV. Com essa tecnologia a VeriVide alega melhoria na reprodução de D65 e D50 e também na faixa UV, fundamental para a avaliação visual de amostras fluorescentes (com alvejante óptico). As cabines ELITE oferecem o monitoramento de cromaticidade e a calibração completa do sistema. 

A X-Rite mostrou a cabine mais sofisticada (e mais cara) do mercado: a SpectraLight (SPL) QC, apresentada apenas para convidados na ITMA de 2011 (Hirschler 2011). A SPL QC é uma versão mais moderna e bem mais sofisticada da SPL III. Uma melhoria importante é a utilização de duas lâmpadas (tubos) fluorescentes de tamanho integral em vez da lâmpada pequena utilizada na SPL III e tendo como vantagem uma melhor uniformidade da iluminação UV. A simulação de luz do dia é excelente: CIE categoria BB para D50 e categoria BC para D65, atendendo plenamente a norma ASTM D1729. Possui capacidade de instalação simultânea de sete iluminações, incluindo: Luz do Dia (D65 ou D50), Incandescente "A", Luz do Horizonte, três lâmpadas fluorescentes (a escolher qualquer combinação entre CWF, U30, U35 e TL84) e UV-A. Pode ser conectada a um PC e um software avançado que junto com sensores possibilitam o monitoramento e o registro da iluminação UV, para melhorar a repetibilidade das avaliações e manter a concordância inter instrumental. 

2.2  Instrumentos e software para a medição de cores, QC e formulação de receitas 

A “medição de cor” é baseada na determinação de coordenadas colorimétricas, definidas em 1931 (e complementadas em 1964) pela organização internacional responsável pela metrologia da iluminação, a CIE. As coordenadas fundamentais (os valores triestimulus X, Y, Z) podem ser medidas direta ou indiretamente. Atualmente a maioria dos instrumentos industriais, os espectrofotômetros, determina a refletância espectral (espectrofotômetros), e calcula X, Y, Z para quaisquer combinações de iluminante e observador. Os instrumentos não-espectrais, também chamados de colorímetros medem apenas três valores ligados a X, Y e Z (por ex. RGB). São limitados para uma só combinação de iluminante e observador, mais comumente D65/10o

A geometria da medição significa o arranjo óptico do instrumento. Determina o ângulo que se forma entre a  iluminação e detecção, com relação ao plano da amostra, e também a forma como essa iluminação chega até ela, ou seja de forma direta ou difusa. As geometrias mais comuns são a d:8º e a 8º:d (com esfera), utilizadas na maioria de espectrofotômetros de bancada e alguns portáteis. A geometria 45º:0º ou 0º:45º é mais usada em espectrofotômetros portáteis e on-line. 

A maioria dos espectrofotômetros usa o controle de brilho mecânico, abrindo ou fechando, fisicamente uma abertura (tampa branca) para excluir (SCE - tampa aberta) ou incluir (SCI - tampa fechada) o componente brilho. Alguns instrumentos da Konica-Minolta e da X-Rite, utilizam para este fim o controle numérico (também chamado de medição simultâneo SCE/SCI). 

Os espectrofotômetros industriais mais modernos têm uma resolução espectral de 5nm ou 10nm. Fazem uma amostragem do espectro em cada 5nm ou 10nm ou menos, e relatam os valores em 5nm a 5nm ou 10nm a 10nm. A resolução espectral influencia na precisão de medição (no erro de medição e concordância inter instrumental) do instrumento. 

Outra característica relevante dos espectrofotômetros é a possibilidade de ajuste (“calibração”) UV. Esse ajuste é de fundamental importância para a determinação de grau de brancura, pois na medição de amostras fluorescentes, com alvejante óptico, a composição da luz incidente tem grande influência nos resultados. A maioria dos espectrofotômetros modernos tem uma fonte de lâmpada de xenônio com filtro para simular a composição da luz padrão (D65). Depois de certo tempo de uso a lâmpada envelhece e vai perdendo sua energia na faixa de UV. Para compensar esta perda e poder fazer o ajuste da relação UV/visível os espectrofotômetros industriais têm duas soluções. 

Figura 4. (à esquerda) mostra o controle mecânico de UV. Quando a lâmpada está nova um filtro de UV é posicionado no caminho da luz D65. A combinação desses dois filtros faz com que a luz que chega à esfera de integração, iluminando a amostra, tenha uma composição D65 quase perfeita. Quando a lâmpada perde parte de sua energia na faixa UV o filtro será parcialmente removido do caminho e a combinação da radiação, com UV e sem UV, vai de novo reproduzir o D65.

Conforme mostra a Figura 4, (à direita) o método numérico apresenta duas fontes instaladas no espectrofotômetro: Fonte 1 - é filtrada para D65 menos o UV e a Fonte 2 - é filtrada para D65 com UV mais que suficiente. Com dois flashes duas medições são feitas, e a combinação das duas é calculada para sempre produzir iluminação D65. 

Fornecedor

Instrumento

Classe

Geom.

Faixa

(nm)

Intervalo

(nm)

Ajuste UV

(calibração)

Obs.

 

 

 

 

 

 

 

BARBIERI

 

 

 

 

 

 

Spectro LFP

EDT

45/0

380 a 780

  ?

não

Medição automática

SpectroPad

EDT

45/0

380 a 750

10

não

 

 

 

 

 

 

 

 

C-TEX NTX

 

 

 

 

 

 

C-TEX Colour 

On-line

45/0 ?

-

-

não

Instrumento triestimulus?

 

 

 

 

 

 

 

DATACOLOR

 

 

 

 

 

 

DC 800 / 800V* / 850T

Bancada

Esfera

360 a 700

10

sim (autom)

V*: vertical; 850T: transmitância

DC 500/ 500UV / 550T

Bancada

Esfera

360 a 700

10

simuv

500UV: ajuste automático

Check 3

Portátil

Esfera

360 a 700

10

não

 

 

 

 

 

 

 

 

DURST

 

 

 

 

 

 

Chroma Spectrometer

EDT

45/0

380 a 750

10

não

 

 

 

 

 

 

 

 

EVS

 

 

 

 

 

 

SVA Shade Variation Analyzer

On-line

45/0 ?

?

?

não

 

 

 

 

 

 

 

 

KONICA MINOLTA 

 

 

 

 

 

 

CM-3700A

Bancada

Esfera

360 a 740

10

sim

 

CM-3600A

Bancada

Esfera*

360 a 740

10

 NUVC

*controle numérico de brilho

CM-2600d

Portátil

Esfera

360 a 740

10

 NUVC

*controle numérico de brilho

 

 

 

 

 

 

 

MAHLO

 

 

 

 

 

 

Colorscan CIS-12

On-line

0/45

380 a 780

?

não

 

 

 

 

 

 

 

 

MATHIS 

 

 

 

 

 

 

SmartScan

Scanner

-

-

-

não

Avaliação da solidez de cor

 

 

 

 

 

 

 

VERIVIDE

 

 

 

 

 

 

DigiEye System

Camera

d/0

-

-

sim

RGB com simulação de espectro

 

 

 

 

 

 

 

VUTS

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

X-RITE

 

 

 

 

 

 

Ci7800

Bancada

Esfera+

360 a 780

5 ou 10

sim

+medição simultânea SPEX/SPIN

Ci7600

Bancada

Esfera+

360 a 750

10 ou 20

sim

+medição simultânea SPEX/SPIN

Ci4200 / Ci4200UV

Bancada

Esfera+

400 a 700

10

simUV

+medição simultânea SPEX/SPIN

Ci60 / 62 / 64 / 64UV

Portátil

Esfera+

400 a 700

10

? simUV

+medição simultânea SPEX/SPIN

 Tabela 3. Características mais importantes dos espectrofotômetros e colorímetros mostrados na ITMA (Fonte: fornecedores)

 Destaques

A empresa Barbieri apresentou espectrofotômetros para Gerenciamento de Cores, voltados à estamparia digital. O Spectro LFP faz a leitura automática de gráficos de prova com uma velocidade de 10 minutos para 1248 seções e trabalha com a maioria de softwares RIP. Para facilitar a colocação certa do tecido na mesa de leitura um suporte eletrostático mantém o tecido fixado. O SpectroPad (Figura 5.)  é uma versão portátil, manual do espectrofotômetro, recomendado para o controle de produção que pode ser usado diretamente na impressora.

 A Datacolor mostrou a linha completa de instrumentos para QC e formulação. Os espectrofotômetros da família DC 800 têm especificações impressionantes: a concordância inter instrumental (diferença entre valores colorimétricos de instrumentos do mesmo tipo) é de DE*(CIELAB) 0,08 (média) e 0,15 (máximo), o que torna as correções por software (“profiling”) desnecessárias. Também uma câmera digital integrada, com tela LCD colorida (Figura 6.), facilita o posicionamento correto da amostra. São três versões disponíveis da família 800: o DC 800, o 800V (posicionamento vertical) e o 850 (com capacidade adicional de medição de transmitância).

 Os espectrofotômetros DC 500 / DC500UV / DC550 têm características similares, porém um pouco mais modestas, mais econômicas. A concordância inter instrumental é de DE* (CIELAB) 0,15 (média) e 0.30 (máximo). Não apresentam câmera digital e não há versão com posicionamento vertical.

O novo espectrofotômetro portátil Check 3 tem especificações tão impressionantes como a linha DC 500 (de bancada), em termos de repetibilidade e concordância inter instrumental. A comunicação entre o Check 3 e os espectrofotômetros de bancada desta empresa acontece via Bluetooth, mas há também conexão USB para facilitar a transferência de dados. O instrumento portátil pode trabalhar de maneira independente ou também controlado pelo software TOOLS (via Bluetooth). Uma porta permite a visualização direta da amostra com iluminação LED (Figura 7.), assegurando o posicionamento correto da amostra para medição.

O software de CQ TOOLS 2.1 tem todas as funções necessárias para desenvolver e controlar tolerâncias (passa/falha), analisar, relatar, comunicar e visualizar os resultados das medições. Para estabelecer limites de tolerância a Datacolor oferece seu próprio método baseado em inteligência artificial. Com o ENVISION é possível visualizar cores no monitor e comunicá-las digitalmente. A nova versão 2.1 do MATCH TEXTILE para formulação de receitas apresenta muitas novidades, entre elas:

  • configurações de formulação para cada cliente podem ser armazenadas;
  • curvas teóricas e outros dados podem ser exportados para MS-EXCEL;
  • correções de tonalidade são possíveis na base de dH mínimo;
  • gerenciamento da compatibilidade de corantes;
  • etc.

A I.C.S.- Italian Colour Solutions (herdeira da antiga Orintex) apresentou o software TopDye para formulação de receitas e QC. O TopDye é compatível com praticamente todos os espectrofotômetros industriais, e pode ser instalado e treinado diretamente pela Internet, sem custo adicional de instalação e treinamento. É possível preparar um banco de dados, séries de concentrações, com apenas 5 concentrações e assim mesmo, na maioria dos casos, conforme informações da I.C.S., apenas um tingimento inicial e uma correção são suficientes para se chegar a cor desejada. Uma função interessante do programa é a chamada “lot-formation” (formação de lotes), em versões estáticas e dinâmicas, que gera grupos de amostras oriundas de lotes de produção diferentes (Figura 8). 

A Konica-Minolta mostrou sua linha atual junto com impressoras para estamparia digital e também em parceria com fornecedores de software (I.C.S.-Italian Colour Solutions e SEDO-Treepoint). O espectrofotômetro CM-3700A é um instrumento convencional com especificações iguais às de outros espectrofotômetros top da linha. O CM-3600A tem controle numérico de brilho e de UV, conforme mostra a Figura 9.

Na medição simultânea de brilho excluído/incluído (SPEX/SPIN) o Flash 1 faz a leitura de SPIN, e o Flash 2 a leitura de SPEX. Para o ajuste automático de UV, o Flash 1 e o Flash 3 fazem uma medição cada, e o ajuste é feito por cálculo numérico. Para medir sem UV é usado o Flash 4 (com filtro de corte UV 420 nm). A grande vantagem do NGC/NUVC (controle numérico de brilho/UV) é que não precisa de qualquer peça acionada mecanicamente, diminuindo assim problemas de funcionamento e facilitando a troca de configuração de um modo de medição para outro.

A Konica-Minolta oferece um software de CQ (SpectraMagic NX Pro ou Lite), e para formulação recomenda a utilização de programas de empresas parceiras (mencionados acima).

A Mathis mostrou o sistema SmartScan, que consiste de um scanner colorido (Canon Lide 110 ou Canon 9000F ) e de software SmartScan (Figura 10.)

O sistema SmartScan avalia tanto a alteração de cor de amostras têxteis como a transferência de cor em tecidos testemunha (mancha) de maneira objetiva, com precisão melhor que 0,5 graus na escala cinza. Conforme informa a Mathis, o SmartScan faz também leitura de cores individuais em estampas policromáticas, calculando o desvio de cor entre as amostras dadas, em fórmula CIELAB e CIEDE2000. Utiliza, porém valores L, a, b “não convencionais”, i.e., valores não CIE (Ferus-Comelo 2016)

A SEDO-Treepoint um dos líderes mundiais na área de sistemas de comunicação de cores, apresentou na ITMA as últimas novidades de software para colorimetria: Prisma (formulação de receitas no laboratório); Qtex (controle de qualidade) e ColorMaster para gerenciamento e otimização de produção.

ColorMaster pode ser considerado o cérebro da tinturaria, otimizando as quantidades de corantes e produtos químicos bem como os parâmetros gradiente, tempo e número de ciclos de controle, para processos de tingimento e lavagem.

O pacote ColorMaster vem em três versões: Básico (database de receitas e gerenciamento do processo), PROdução (regras e otimização) e o Completo que inclui todas as aplicações de laboratório, QTex, Prisma, regras, gerenciamento de processos etc.). O ColorMaster pode ser totalmente integrado com SedoMaster (controle de processo), apoiando a dosagem dos líquidos e a dosagem/manuseio automático dos produtos em pó (corantes e produtos químicos), tanto em laboratório quanto em produção. A integração com Flex (sistema de controle do banho de tingimento) permite controlar a concentração dos corantes usados no banho de tingimento antes de começar o processo e ajuda na melhoria do desempenho (RFT: right first time – correto a primeira tentativa). O software é compatível com todos os espectrofotômetros industriais.

A subfunção Prisma, do ColorMaster Completo, foi testado em um projeto de pesquisa de um conhecido fornecedor de corantes e conseguiu a primeira colocação em precisão e melhores resultados.

A VeriVide mostrou uma nova versão do sistema DigiEye, lançado na ITMA 2003, mas com novas funcionalidades. A DigiEye é uma caixa com iluminação controlada (simulação D65) e uma câmera digital (Nikon D90 ou Nikon D7000) calibrada (Figura 12.). A grande vantagem do sistema em relação aos espectrofotômetros convencionais é que amostras com cores não uniformes (jacquard, estampa, renda etc.) podem ser medidas. Outra finalidade, com o software DigiGrade, é a avaliação de solidez de cor. A novidada na ITMA 2015 foi a versão DigiEye UV com possibilidade de calibração CIE ou Ganz-Griesser, utilizando sofisticado sistema de calibração UV. Uma característica importante do sistema é um software sofisticado que gera curvas “sintéticas” de refletância com base nos valores RGB medidos. Essas curvas podem ser utilizadas para a comparação de cores, e a reprodução fiel em monitores e impressoras. A iluminação D65 pode ser instalada em cabines maiores, para amostras de roupas inteiras e outras peças grandes demais para a caixa padrão.

A X-RITE apresentou os novos espectrofotômetros de bancada com especificações impressionantes em termos de repetibilidade e concordância inter instrumental (IIE): repetibilidade RMS DE* de 0,01 para o Ci7800 (Figura 13.) e 0,03 para o Ci7600; e IIE DE* média 0,08 respectivamente 0,15. Ambos têm SPIN/SPEX simultâneo, sensor de umidade e temperatura interna, possibilidade de cinco aberturas de refletância e calibração de UV (CIE). Já o Ci4200 é um espectrofotômetro de bancada mais simples com os dados compatíveis com os portáteis da X-Rite.

A nova linha Ci6x de espectrofotômetros portáteis tem compatibilidade retroativa com a série SP. Os espectrofotômetros Ci60, Ci62, Ci64 e Ci64UV são recomendados para CQ, comparação de cores e cálculo de força colorística.

A X-Rite apresentou a linha completa de software para a indústria têxtil, entre outros para CQ (Color iQC) e formulação (Color iMatch), ambos em versão básico e profissional. Uma opção interessante do Color iQC é o Color iQC Taper Option, um programa adicional que faz agrupamento (clustering) e sequenciamento (tapering) para melhorar o rendimento da produção voltado à indústria de confecção (Figura 14.)

3.         ESTAMPARIA DIGITAL

“Estamparia digital” para a indústria têxtil começou nos anos 1970 com a coloração de tapetes, usando jatos de tinta, com o sistema Millitron da Milliken, e com o sistema Chromotronic, depois surgiu o Chromojet da Zimmer) (Cie 2015). Para tecidos planos a primeira impressora comercial foi apresentada em Hannover, na ITMA de 1991. Cunha (2011) descreve a evolução da estamparia digital têxtil desde essa primeira impressora, a Trucolor da Stork com produção de 1 m2/hora até a primeira impressora “single pass”, a LaRio da MS (mostrada apenas em vídeo na ITMA 2011) com velocidade de até 8.000 m2/hora. Paralelamente à evolução das máquinas para estamparia digital surgiram ferramentas de apoiar ao desenho computadorizado (CAD).

Em vinte cinco anos a estamparia digital têxtil evoluiu de curiosidade, passando a ferramenta para amostragem e, finalmente, a tecnologia de produção. Pela primeira vez na ITMA de 2015, a estamparia digital não foi simplesmente parte da est

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Por: Danielle F. de Oliveira, Lincoln C. Lopes e Robert Hirschler
Edição: Fernando Barros de Vasconcelos

Data de publicação: 09/08/2016

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