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Acabamento, Tingimento, Estamparia e Lavanderias

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As outras questões envolvidas na qualidade da estampa digital

Se existe uma área tecnológica em constante evolução e grande impacto na indústria têxtil ainda hoje, esta é a estampa digital. Estabelecida comercialmente há mais de duas décadas com algumas máquinas mostradas na ITMA de 1995, passou por saltos tecnológicos enormes ao longo deste período, não apenas na evolução dos sistemas de impressão e softwares mais sofisticados e versáteis, mas principalmente na busca de soluções para aumentar as velocidades de estampagem de modo a tornar esta técnica, que permite produtos exclusivos e de excelente qualidade colorística, também disponível e economicamente viável para produções em maior escala. Artigos técnicos e científicos proliferaram sobre este assunto na literatura têxtil. Entretanto, muito menos se tem tratado sobre as outras operações envolvidas na estampa digital, que devem ser consideradas com a mesma importância para que se obtenham artigos estampados de primeira qualidade. Neste artigo, se focam justamente algumas destas operações. A escolha dos tecidos, a preparação destes quanto às suas características de hidrofilidade ou molhabilidade, a estabilidade dimensional são, entre outros aspectos, neste artigo analisados.

INTRODUÇÃO 

A estampa digital é ainda hoje uma das poucas tecnologias em franco desenvolvimento no beneficiamento químico têxtil. O desafio maior desta tecnologia tem sido ampliar, sem perder em qualidade, as velocidades de estampagem. Para contribuir positivamente nestes processos, os fabricantes de corantes e auxiliares têm desenvolvido corantes melhores e mais puros. As perspectivas de evolução desta tecnologia no mercado são amplamente divulgadas e num destes eventos, o do 1º Workshop em estampa digital em Surat, Índia, realizado em agosto de 2013, foram apresentados trabalhos colocando em evidência diversos aspectos da tecnologia dos equipamentos de estampa. Num dos trabalhos intitulado “The future of Digital Textile Printing to 2017”, do Dr. JD Hayward, é apresentada a tendência futura para 2017 da estampa digital (Hayward, 2012). 

Mas novamente pouco se tratou sobre as demais operações que constituem boa parte do procedimento operacional na estamparia digital, como a preparação dos tecidos e o acabamento. Todas estas operações estão interligadas e se influenciam mutuamente, levando a resultados de qualidade das estampas digitais melhores ou piores.

É preciso lembrar que os esforços para melhorar as velocidades de estampa exigem, de outro lado, tecidos cada vez mais bem preparados para que o desempenho colorístico e das formas estampadas faça frente aos critérios de qualidade característicos deste tipo de tecnologia e exigências do mercado.

A escolha dos tecidos e tecidos de malhas quanto à estrutura (padronagem e densidade de fio) e aos fios componentes e suas características e regularidade de massa e pilosidade pesam consideravelmente na precisão dos contornos, contraste e na vivacidade das cores. Trabalhos neste sentido têm mostrado que a escolha do tecido e das suas características tem grande influência na qualidade da estampa digital (Kan C. W. e Yuen, C. W. M, 2012) e (Locke J S e Barbara S N, 2004).

Um trabalho sobre este assunto, relatado no livro Digital Printing of Textiles, editado por H. Ujiie em 2006, pela editora Woodhead, Cambridge, Inglaterra (Ujiie, 2006), tratou de comparar a qualidade de diferentes tecidos planos e malhas com diferentes acabamentos, conforme a tabela na figura 2.

No trabalho, se analisam as diferenças na espessura das linhas, na pigmentação, na precisão da cor e gama de cores obtidas entre outros parâmetros de qualidade da estampa.

A preparação dos tecidos e malhas considerados “PE” - Prontos para Estampar, desempenha papel fundamental na qualidade das estampas digitais, maior que nas demais estampas, dado que a precisão e a nitidez das formas e cores revelam com maior facilidade defeitos do substrato, assim como falhas na recepção dos corantes ou pigmentos de maneira homogênea na superfície deste. Estes tecidos PE devem estar sempre acondicionados em sacos plásticos para evitar sujamento e contaminações.

Os substratos têxteis (tecidos, malhas e nãotecidos) destinados à coloração, seja para o tingimento, seja para a estampa, exigem uma preparação para torná-los limpos, isentos de substâncias graxas e de excelente hidrofilidade, se as fibras componentes do substrato são hidrófilas, como o algodão, ou molhabilidade, se as fibras são de caráter hidrófobo, como o poliéster.

A escolha do substrato têxtil para a estampa digital tem forte influência na qualidade da estampa. Para enumerar alguns pontos, a intensidade da cor, a percepção visual e a solidez das cores são alguns dos pontos relacionados entre substrato e estampa.

Tecidos e tecidos de malhas são estruturas tridimensionais, e as tintas de estampa digital têm obrigatoriamente viscosidade muito baixa e estas podem se difundir nos microcapilares formados entre as fibras, filamentos e fios dos tecidos.

Esta difusão é controlada pela tensão superficial das tintas de estampa, pela viscosidade destas, pela estrutura dos fios (fiados, texturados, etc.), pela estrutura dos tecidos e pela morfologia do polímero que forma a(s) fibra(s) no tecido. Ainda, as moléculas de corante da tinta devem se fixar nas fibras para que se alcancem imagens nítidas e brilhantes e sólidas.

Por esta enorme variedade de estruturas têxteis, os fenômenos de absorção e capilaridade dos tecidos são muito complexos, e tratativas físicas e matemáticas para prever o desempenho colorístico das estampas são extremamente complexas (Bico et all, 2002) e obrigam a testes cuidadosos para avaliar o desempenho das estampas. A experiência prática nesta área passa a ser indispensável, mais do que em outras áreas do beneficiamento têxtil. 

Pré-tratamento para estampa digital

  • O efeito dos pré-tratamentos sobre a qualidade de impressão

Os problemas de qualidade de impressão na estampa digital de têxteis podem ser classificados em quatro níveis:

  • Problemas relacionados com a aparência, incluindo a definição das linhas de contorno, a qualidade do texto, a resolução, o ruído de imagem, a densidade ótica, a reprodução dos tons e o brilho;
  • Problemas relacionados às cores, incluindo gama de cores, a combinação de cores e o registro da cor;
  • Problemas de solidez, incluindo a resistência à luz e solidez à lavagem;
  • Problemas relativos ao uso do artigo estampado, como defeitos e toque.

Muitos destes problemas de qualidade da estampa digital são comuns a técnicas de estampa convencionais. No entanto, a estampa digital apresenta uma série de peculiaridades próprias, por exemplo, falhas de estampa nas bordas, faixas de linhas de cor ausente e os satélites que são gotas extras de tinta na estampa.

A interação entre o substrato e a tinta também influencia na qualidade da linha. Além de ajustar a largura, o substrato microporoso gera falhas nas bordas estampadas, como bordas deformadas e franjas nas estampa.

O sangramento entre cores é uma sobreposição de uma cor migrada de uma parte estampada de uma cor para outra adjacente, que decorre da lenta penetração da tinta no substrato e precipitação do corante na segunda tinta por aditivos da primeira. O pré-tratamento adequado pode ajudar a minimizar este problema.

Os ruídos de imagem na área estampada são expressos como "grãos" de alta frequência espacial, que formam manchas. A granulação é uma medida da desuniformidade na densidade ótica numa escala inferior a 250 µm, enquanto que o mosqueado é maior do que 250 µm. Os substratos têxteis têm inerentemente alta rugosidade da superfície e textura, o que provoca ruídos manchados.

A densidade desigual é causada por gotas de tinta na superfície de substratos de baixa porosidade. Para reduzir esta tendência, os substratos têxteis devem ser pré-tratados para que apresentem alta absorção das partículas de tinta.

A literatura de patentes aponta que foram feitas muitas patentes que descrevem os pré-tratamentos para a estampa digital em algodão com corantes reativos, e isto é compreensível pelo fato de que, aproximadamente, 50% das estampas no mundo são produzidas em tecidos de algodão.

  • A limpeza dos tecidos e malhas

Nas preparações de purga e alvejamento dos tecidos e malhas, é preciso garantir que os detergentes não deixem resíduos em qualquer substrato. Frequentemente, estes têm em sua formulação eletrólitos e estes podem fazer o corante na estampa migrar para partes não estampadas contíguas.

Uma opção interessante são os detergentes à base de argilas como a bentonita, que apresentam eficácia maior de limpeza em presença de óleos e graxas.

Também outros resíduos das formulações químicas não devem estar presentes nos tecidos preparados, dado que podem alterar a dinâmica da distribuição das tintas nas estampas que são hoje cada vez mais rápidas.

Outro cuidado importante para todos os substratos é o pH final no tecido que deve ser sempre ligeiramente ácido, seja para evitar amarelamentos durante a secagem, seja para garantir maior tempo de vida em prateleira dos tecidos a estampar.

  • Artigos de algodão e outros celulósicos

Uma sequência típica para tecidos de algodão prontos para a estampa digital está na figura 3. 

Nesta sequência, cada etapa tem objetivos bem determinados e todos têm efeitos positivos sobre a qualidade das estampas digitais. Estes processos podem variar ligeiramente e alguns dos processos podem ser combinados.

  • A chamuscagem, que visa eliminar a pilosidade superficial e permitir cores menos difusas e contornos mais precisos na estampa.
  • A mercerização dá ao tecido características muito importantes, como o aumento do rendimento da cor na estampa e maior brilho destas, a maior homogeneidade das cores pela redução do efeito de fibras imaturas, uma hidrofilidade maior, que predispõe o tecido a uma distribuição mais homogênea das cores, uma maior estabilidade dimensional para garantir a manutenção das formas dos desenhos.
  • A desengomagem visa à eliminação da engomagem dos fios de urdume. É uma operação geralmente associada ao próprio alvejamento, já que usa basicamente dos mesmos químicos oxidantes em condições também semelhantes.
  • O alvejamento, cuja finalidade é dar fundo branco, hidrofilidade e eliminação de restos vegetais não fibrosos, como o piolho por vezes presente nos fios.
  • O endireitamento de trama é realizado como operação auxiliar na ramagem e é imperativo na estampa digital para obtenção do melhor posicionamento dos fios no tecido ou na malha.

Tecidos e malhas preparados devem ser acondicionados em sacos plásticos fechados escuros, para evitar a ação do oxigênio e do gás carbônico do ar, que, catalisados pela luz, produzem reações adversas que alteram as camadas mais externas dos rolos de tecido, produzindo efeitos de estampas diferentes em intensidade da cor, tonalidade e precisão de contornos em relação às camadas mais internas destes rolos.

Um trabalho realizado na NCSU (May-Plumlee e Bae, 2005) mostrou a importância da estabilidade dimensional de tecidos de algodão em ligamento-tela preparados para estampa digital, oferecidos no mercado na qualidade das estampas digitais com corantes reativos nestes tecidos. Os tecidos foram testados inicialmente pela norma AATCC Test Method 135 - 2003 para determinar a estabilidade dimensional e desvios de trama, que mostrou desvios de trama após a lavagem. De maneira semelhante, as variações dimensionais e desvio de trama foram medidos nos tecidos estampados, vaporizados, lavados e secados. Os resultados mostraram deformações de imagem, conforme ilustrado na figura 4.

A absorção dos tecidos de fibras celulósicas é importante para a estampa digital, e falhas em atender a este requisito resultam em falhas de estampagem e manchas. No entanto, no caso de o tecido ser muito absorvente, a pasta de estampa pode penetrar mais internamente no tecido, o que resulta em menor rendimento da cor e, assim, cores mais claras que as necessárias. Portanto, é necessário um compromisso.

Os tecidos de algodão, raiom viscose, modal e liocel (Tencel®) são normalmente estampados com corantes reativos pelo método a duas fases, ou seja, o tecido é inicialmente pré-tratado com um agente espessante e um álcali e, numa segunda fase, com uma tinta que contém o corante. O banho de pré-tratamento é aplicado em foulard, embora possa ser também por estampa a cilindros. Em qualquer caso, o tecido deve estar seco, com a umidade característica destas fibras que está entre 5 ± 7 %. Teores menores de umidade reduzem a hidrofilidade destes tecidos, o que prejudica a absorção homogênea da tinta na segunda fase.

Os principais constituintes do banho de preparação são:

ESPESSANTE - tem por finalidade adequar a viscosidade do banho para uma distribuição homogênea na primeira fase do processo e garantir a não migração do corante na segunda fase de aplicação da tinta para preservar contornos e uniformidade da cor na segunda fase do processo. Este espessante não pode absolutamente reagir com os corantes;

ÁLCALI - tem como função catalisar a reação entre corante e os grupos hidroxilas da celulose das fibras do tecido;

URÉIA - a função é garantir a permanência da água necessária para que haja reação entre corante e fibra celulósica na fixação da estampa durante a vaporização desta;

ANTI-REDUTOR - visa proteger os corantes reativos, que, em grande maioria, são azoicos de serem destruídos por ações redutivas da fibra, como no caso das fibras artificiais, como a viscose e o modal ou mesmo de algodões alvejados.

Uma formulação típica é apresentada a seguir:

PRODUTO                                                                                       QUANTIDADE

Alginato de sódio de viscosidade baixa                                           100 g/l

Ureia                                                                                                 100 g/l

Carbonato ou bicarbonato de sódio                                                  20 a 40 g/l

Agente antirredutor                                                                          10 a 20 g/l

OBS: Um agente desaerante pode ser necessário.

A aplicação consiste em impregnar em foulard com pick-up de 75%, aproximadamente, e secar a temperaturas baixas (120 °C) para evitar a decomposição da ureia que se perde e produz gases tóxicos dentro da rama, como amônia.

Para o raiom viscose ou modal, a quantidade de ureia deve ser maior, da ordem de até 200 g/l, e é necessária uma presença maior de um antirredutor, pois estas fibras têm caráter redutor mais pronunciado - o que prejudica a reprodutibilidade da cor nas estampas.

Uma tese de mestrado realizada no Hong Kong Politechnic University por P.S. Choi, (C.W.M. Yuen et All, 2005) sobre a influência da quantidade de alginato, ureia e bicarbonato de sódio, como álcali, mostrou que a escolha de quantidades corretas dos componentes do receituário de preparação do tecido de algodão levam à melhoria da qualidade das imagens estampadas digitalmente.

O trabalho focou especialmente a questão do rendimento tintorial em função da variação das quantidades dos componentes da receita de pré-tratamento, concluindo, em resumo:

  • O aumento da quantidade de alginato favorece em pequena proporção o rendimento da cor em todas as cores;
  • O aumento da quantidade de ureia tem máximo, a partir do qual um novo aumento da quantidade de ureia reduz o rendimento tintorial em todas as cores;
  • O aumento de álcali (bicarbonato) leva a um leve aumento de rendimento de algumas cores e de outras não.

Para aumentar a intensidade de cor em estampas reativas, um dos artifícios é a inclusão de produtos catiônicos reativos com a celulose na fase de preparação da estampa. Estes produtos, geralmente derivados de amônio quaternário, melhoram a capacidade de coloração da fibra com corantes reativos que são aniônicos.

Porém, antes do uso destes produtos, alguns fatores que devem ser considerados:

  • O custo do produto catiônico;
  • A toxidez do produto;
  • O custo do processo;
  • Se o nível de fixação da cor mais intensa obtida tem solidez suficiente para evitar manchamento de outras partes durante a lavagem do tecido estampado.

W. Chen et All, (Chen, 2004) estudaram o efeito da estampa digital sobre tecidos de algodão em tela, previamente chamuscados, desengomados e alvejados e preparados com por cationização usando PENCH (Poli epiclorohidrina) e dimetilamina em contraposição com a preparação tradicional usando álcali, ureia e espessante. Os resultados mostraram que esta preparação leva a um rendimento da cor maior que com a preparação tradicional. Os índices de solidez à lavagem, atrito e à luz destes testes foram avaliados.

TINTA

TECIDO

SOLIDEZ AO ATRITO

SOLIDEZ À LAVAGEM

SOLIDEZ À LUZ

SECO

ÚMIDO

ALTERAÇÃO DA COR

REATIVO C

PREPARAÇÃO TRADICIONAL

4 -5

3 - 4

4

5 - 6

PREPARAÇÃO CATIONIZADA

4

2 - 3

4 - 5

4 - 5

REATIVO M

PREPARAÇÃO TRADICIONAL

4 -5

3 - 4

4

5

PREPARAÇÃO CATIONIZADA

4

2 - 3

4 - 5

3 - 4

REATIVO Y

PREPARAÇÃO TRADICIONAL

5

4

4 - 5

6

PREPARAÇÃO CATIONIZADA

4

2 – 3

5

4 - 5

REATIVO K

PREPARAÇÃO TRADICIONAL

5

3 – 4

3 - 4

5 - 6

PREPARAÇÃO CATIONIZADA

4 - 5

2

4

4 - 6

Figura 5 - Índices de solidez dos tecidos de algodão preparados por cationização em comparação com aqueles preparados tardicionalmente.

Fonte: Weiguo C et all, Textile Research Journal p. 70, 2004.

Os efeitos da cationização são claros. De um lado, há uma melhora na solidez à lavagem em média de meio ponto, mas de outro há uma piora pronunciada na solidez ao atrito, especialmente a úmido e também uma piora em média de 1 ponto na solidez à luz, indicando que esta técnica não traz grandes vantagens em relação à preparação tradicional à base de álcali, ureia e espessante.

Artigos de seda

Na estampa digital sobre seda, os corantes reativos são muito utilizados, mas é possível utilizar também corantes ácidos ou metalizados. Dentre estes corantes, os Lanaset SI HS da Huntsman são excelentes. Os corantes ácidos geralmente oferecem cores mais intensas, enquanto que os reativos possibilitam solidezes aos tratamentos úmidos maiores. Nas misturas de seda com algodão, os reativos são os corantes utilizados.

O pré-tratamento para corantes reativos sobre seda é semelhante ao do algodão, a menos no fato que o controle do álcali deve ser maior usando bicarbonato de sódio ou carbonato de potássio, considerando que a seda é bem menos resistente aos álcalis do que as fibras celulósicas. Não há necessidade de antirredutor no receituário.

No uso dos corantes ácidos sobre seda, a preparação requer um ácido ou doador de ácido ao invés do álcali. O espessante e a ureia estão presentes e têm funções similares às comentadas na preparação de tecido de algodão. Os espessantes naturais melhores para esta estampa são a goma de guar e de alfarroba.

Uma formulação básica para a preparação de estampas digitais com corantes ácidos está a seguir.

PRODUTO                                                               QUANTIDADE

Goma de guar (espessante)                                                   150 g/l

Ureia                                                                                     100 g/l

Tartarato de amónio (1:2 água e tartarato de amônio)          50 g/l

O tartarato de amônio se decompõe com o calor durante a vaporização e libera o ácido carboxílico e a amônia, que se desprende. A protonização dos grupos aminas da seda permite estabelecer com as corantes ácidas ligações iônicas além das pontes de hidrogênio, fixando os corantes à fibra. Os ácidos orgânicos carboxílicos como o tartárico são mais seguros, evitando danos à fibra e a alguns corantes ácidos. Algumas formulações indicam o sulfato de amônio.

Foulardar com 70 a 80% de pick-up e secar a 100°C.

  • Artigos de poliamidas

Os artigos de poliamidas e poliamidas e elastano devem ser purgados para eliminação dos óleos de ensimagem e eventuais sujidades. A purga alcalina segue com viragem de pH com detergentes não iônicos. Uma escolha interessante é o Tannex GEO da Tanachem.

A estampa é feita com corantes ácidos e metalizados. Um pré-tratamento usando Bisfenol A por 30 minutos a 90°C, lavagem e secagem do artigo antes de estampar com os corantes ácidos, resulta em cores mais intensas e firmes, mas é preciso cuidado porque esta substância está classificada como tóxica pela Öko Tex e outras marcas de renome como a Nike.

Produtos catiônicos utilizados em pré-tratamento dos artigos de poliamida para melhorar a intensidade da cor e a solidez destas também são preconizados na literatura e em patentes.

Um exemplo típico de pré-tratamento de tecidos de poliamida e de poliamida/elastano para estampa digital com corantes ácidos ou metalizados está a seguir.

PRODUTO                                                                           QUANTIDADE

Espessante a base de tamarindo                                                        100 a 150 g/l

Ureia                                                                                                 100 a 150 g/l

Tartarato de amônio 25%                                                                 10 a 20 g/l

OBS: Espessantes sintéticos também podem ser usados.

Impregnar com 70 a 80% de pick-up e secar a 110 - 120°C.

  • Artigos de poliéster

A preparação dos tecidos de poliéster exige a emulgação de todos os óleos. Processos contínuos de purga podem ser feitos em máquinas contínuas de lavagem a solvente do tipo Sperotto com percloroetileno. Em processos descontínuos, uma purga eficiente para tecidos de poliéster e de poliéster/elastano é feita com detergentes solventes. Exemplo no mercado são o Fongrapal L Clariant ou Serawash M Bio da Dystar, que são produtos ecológicos. Pode-se também trabalhar com emulgadores do mercado.

Nesta estampa, usam-se corantes dispersos de alta energia, com poucas exceções de média energia para esta estampa, que, como as demais sobre esta fibra, se vale da sublimação dos corantes para a difusão no interior da fibra. A Huntsman oferece uma linha de corantes para a estampa digital excelente, que pode ser fixada por termo transferência entre 180 e 210 °C ou por vapor superaquecido a 180 °C. O alginato de sódio e outras formulações sintéticas à base de acrilatos são usados como agentes de regulação da viscosidade para evitar migração dos corantes das partes estampadas.

Um exemplo típico de pré-tratamento de tecido de poliéster para estampa digital com corantes dispersos está a seguir.

PRODUTO                                                                           QUANTIDADE

Dispersante                                                                                       10g/l

Desaerante                                                                                        1 g/l

Alginato de sódio de média viscosidade                                          100 g/l

Impregnar com 60 a 80% de pick-up e secar a 120 - 130°C

O uso de farinha de guar é uma alternativa de qualidade melhor, embora com custo um pouco maior. Como desaerante, o Antimussol da Clariant é um bom exemplo.

  • Pré-tratamentos para a estampa digital com pigmentos

A preparação dos tecidos de substratos quaisquer para serem estampados com pigmentos deve inicialmente seguir as recomendações quanto à limpeza destes tecidos através de purga ou alvejamentos para cada caso.

Os sistemas de estampa digital a pigmentos mais comuns exigem que o ligante seja aplicado numa primeira fase e secado, para, em seguida, o tecido preparado ser estampado com os pigmentos. Outro sistema envolve o pré-tratamento de tecidos com uma solução contendo sais de metais polivalentes (por exemplo, nitrato de magnésio). A tinta contém pigmentos que são revestidos (ou encapsulados) com resinas.

Os cuidados são os mesmos da estampa tradicional a pigmentos que envolvem a escolha de um ligante adequado para o tipo de tecido, cuidados na secagem e fixação da estampa.

Pós-tratamentos

Os tecidos pré-tratados e estampados são secados nas próprias máquinas de estampa digital. A este ponto, devem estar sempre ao abrigo da luz e do ar, envoltos em plásticos pretos para este fim. O tempo de prateleira, especialmente nas estampas com corantes reativos, não deve ser longo. Tempos de 24 horas são aconselhados.

  • A fixação das estampas

Esta é realizada com vapor saturado a aproximadamente 99 a 102°C. Durante o processo, o vapor é absorvido pelo espessamente e agentes higroscópicos nas áreas estampadas. Corantes e produtos químicos se comportam de maneira similar aos banhos de tingimento concentrados (RB 1:1 ou menores) dentro das partes estampadas do filme de espessante. Nesta fase, os corantes reativos reagem com a celulose das fibras de algodão, viscose, modal e com a seda.

No caso dos corantes ácidos e metalizados sobre poliamidas e seda, se estabelecem ligações iônicas entre estes corantes e os grupos amínicos destas fibras, juntamente com as pontes de hidrogênio entre grupos polares dos corantes e das fibras.

O vapor superaquecido é necessário para a fixação de corantes dispersos no poliéster. A Tg do poliéster em vapor é mais baixa do que no ar seco e a fixação é feita a temperaturas de 170 a 180°C. A outra opção é a fixação por ar quente em rama em temperaturas entre 180 e 210°C.

Nestes processos de fixação, os cuidados nos vaporizadores quanto a não haver condensação e presença de ar como nas estampas tradicionais são imprescindíveis. Nos vaporizadores em contínuo, o controle da temperatura de selo d’água é importantíssimo.

Uma questão primordial nos processos de fixação em rama para estampas de poliéster com corantes dispersos é o controle das tensões e dimensões dos tecidos e malhas, que devem ser precisos, posto que influenciam nas formas estampadas, além do toque e elasticidade destes artigos. Particular atenção deve ser dada aos artigos de malha com elastano.

  • As lavagens

A lavagem dos tecidos estampados é feita em máquinas descontínuas, uma vez que os comprimentos estampados são geralmente curtos. Agentes espessantes, higroscópicos, álcalis ou ácidos e outros auxiliares eventuais como dispersantes, molhantes, anti-redutor, etc., são eliminados do tecido nesta operação. Esta operação apresenta riscos de corantes não fixados mancharem as partes brancas, por exemplo. Os cuidados preconizados na lavagem das estampas tradicionais a cilindro ou quadros devem ser aqui seguidos similarmente. Por exemplo, banho a temperatura ambiente no primeiro enxágue de reativos e adição de 1 g/l de barrilha na lavagem de poliamida estampada com corantes ácidos são algumas das ações para prevenir o manchamento de partes brancas dos tecidos estampados também pela tecnologia digital.

Nas estampas com reativos em artigos de algodão ou outras fibras celulósicas artificiais, o ensaboamento a 95 °C com um bom sequestrante é essencial para remoção dos corantes hidrolisados. O Ladiquest 1097 é um bom exemplo para este fim.

No caso das estampas com corantes dispersos, a limpeza redutiva, com hidrossulfito de sódio ou outro redutor e um álcali, também é necessária para garantir a solidez à lavagem e ao atrito dos tecidos estampados, lembrando que este tratamento não deve exceder os 80°C para evitar que o redutor elimine corante do interior da fibra de poliéster e conduza a variações de intensidade e nuance das cores nas estampas de lote para lote.

BIBLIOGRAFIA

(Bico et all, 2002) José Bico, Uwe Thiele, David Quéré, Wetting of textured surfaces, Colloids and Surfaces A: Physicochem. Eng. Aspects 206, 2002.

(C.W.M. Yuen et All, 2005) Factors Affecting the Color Yield of an Ink-Jet Printed Cotton Fabric Textile Research Journal 75 April 2005.

(Hayward, 2012). “The future of Digital Textile Printing to 2017”, do Dr JD Hayward. 1st INKJET INDIA WORKSHOP 2013, SURAT - DIGITAL TEXTILE PRINTING - by Prof. Dr. Marc Van Parys.

(Kan C. W. e Yuen, C. W. M, 2012) C.W. Kan and C.W.M. Yuen, Digital Ink-jet Printing on Textiles, (RJTA) Research Journal of Textile and Apparel, Vol. 16 No. 2 2012.

(Locke J S e Barbara S N, 2004)– Integration: The Key to Digital Printing Success, J. S. Locke e S. N. Barbara, AATCC Review, august 2004.

(May-Plumlee T e Bae, E, 2005) May-Plumlee, T. e Bae, E. – Journal of Textile and Apparel Technology and Management, vol 4, nº 3, 2005.

(Ujiie, 2006) Digital Printing of Textiles, H. Ujiie, 2006, Woodhead Publishing, Cambridge, Inglaterra.

(Weiguo, 2004) Weiguo Chen, Shichao Zhao and Xungai Wang Improving the Color Yield of Ink-Jet Printing on Cationized Cotton - Textile Research Journal, 74, 68, 2004

 

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Autor: Paulo Alfieri e Vitor Brizido

*Publicado na revista Textilia Texteis Interamericanos - edição 92

Data de publicação: 18/06/2014

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A ITMA 2015 foi palco da eletrônica em todo e qualquer canto. As tecnologias tradicionais não mudaram, mas tudo está se tornando automatizado, da modesta cabine de luz à mais sofisticada impressora digital. Apesar do desenvolvimento inegável, não apareceram grandes ou surpreendentes novidades. Em comparação com a ITMA 2011, onde foram anunciadas a primeira cabine de luz computadorizada e a primeira impressora “single pass”, nada tão revolucionário foi revelado. Todas as tecnologias convencionais, incluindo também a estamparia digital, deram um grande passo para tornar a indústria têxtil ainda mais moderna.  2016-08-09 - Tags: estamparia digital colorimetria itma 2015 senai cetiqt quimica têxtil

Características de durabilidade, conforto e custo de tingimentos realizados com o sistema fast finishing
Uma comparação de desempenho do processo color fast finishing com processo tradicional de pad batch do ponto de vista de custo, sustentabilidade, durabilidade e conforto.  2015-08-08 - Tags: textilia 97 analise acabamento tingimento sistema fast finishing pad batch sustentabilidade

Substâncias nocivas em artigos têxteis
A crescente preocupação com as substâncias químicas tóxicas presentes em artigos têxteis e as ações em andamento sobre o assunto.  2014-09-03 - Tags: textilia 93 substancia quimica artigos texteis toxina

As outras questões envolvidas na qualidade da estampa digital
A importância do cuidado com as operações relativas às matérias e suas características e os respectivos processo de preparação visando a uma estampa digital de qualidade.  2014-06-18 - Tags: beneficiamento textilia 92 estampa digital

Tingimento ecológico do poliéster e misturas
Autor sugere métodos para tingir fibras mistas com corantes dispersos, sem agredir o ambiente. Uma opção é o tratamento oxidativo.  2013-01-15 - Tags: poliester

Tendências para impressoras digitais
Na ITMA 2011, observou-se um aumento acentuado da velocidade das máquinas, associada à melhor relação custo-benefício.  2012-09-25 - Tags: espanha itma

Inovações para o enobrecimento têxtil
Artigo mostra os principais aspectos tecnológicos e os desenvolvimentos em corantes e auxiliares observados na ITMA 2011.  2012-09-24 - Tags: itma itma 2011

Defeitos da estamparia têxtil: causas e soluções
Os desenhos dão cor, estilo e originalidade aos tecidos, porém, sua qualidade depende de tecnologia e cuidados na hora de estampar.  2012-07-06 - Tags: estamparia

Otimização em processos de rama
Um panorama das configurações, acessórios, produtividade e economia energética neste importante equipamento têxtil  2012-07-02 - Tags: ramosa economia

Otimização em processos de rama
Um panorama das configurações, acessórios, produtividade e economia energética neste importante equipamento têxtil  2012-07-02 - Tags: .

Plasma e quitosana: tratamento de PA 6.6
Propriedades de superfícies, como hidrofilidade, podem favorecer processos de acabamento têxtil.  2011-09-14 - Tags: quitosana

Fio vaporizado para malharia
Testes mostram que a qualidade da malha de algodão aumenta.  2011-09-13 - Tags: qingdao

Estamparia digital com pigmentos
O uso correto de amaciantes e fixadores agrega valor ao tecido e evita adição de matérias-primas nocivas.  2011-09-06 - Tags: bttg

Otimização no processo de alvejamento
Estudo elaborado com base em experimento feito no setor de beneficiamento de tecido plano em indústria brasileira.  2011-09-01 - Tags: processo de alvejamento