Texfair será segmentada a partir de 2011
A Vale Feira Eventos confirmou que a Texfair - Feira Internacional da Indústria Têxtil, será segmentada a partir de 2011, conforme havia antecipado a ITT Press em sua edição nº 78. As datas já confirmadas são: Texfair Home – Feira Internacional de Produtos Têxteis para o Lar, que acontecerá de 22 a 25 de fevereiro, e Texfair Fashion – Feira Internacional do Vestuário 14 a 17 de junho de 2011.
Lançada em 2000 com o objetivo de oferecer ao varejo, num único local, a maior oferta de artigos de cama, mesa, banho, decoração e vestuário, a Texfair se agigantou, extrapolando a capacidade da estrutura do município de Blumenau, em Santa Catarina, onde é realizada ininterruptamente há 10 anos. Para não perder a sede do evento, os empresários catarinenses têm discutido propostas para melhorar as condições de serviços da cidade. Mesmo com a modernização do centro de eventos de Blumenau, que em 2006 transformou o antigo pavilhão da Proeb no atual Parque Vila Germânica, a rede hoteleira blumenauense, segundo a maioria dos visitantes e expositores, continua insuficiente para atender o público que lota a cidade no período da feira. A solução encontrada por muitos expositores é reservar hospedagem para seus visitantes em cidades vizinhas como Gaspar e Balneário Camburiú, arcando com as despesas de transportes para trazê-los até a feira. A questão é preocupante e os jornais da região alertam para o risco de Blumenau perder a Texfair para outras cidades. Segundo o Jornal de Santa Catarina, nos últimos seis anos, com o fechamento dos hotéis Garden, Baviera e Grande Hotel, Blumenau perdeu 600 leitos. Hoje a cidade dispõe de 3.944 leitos que, segundo o Sindicato dos Hotéis de Blumenau e Região, são suficientes para atender a demanda (a ocupação média mensal é de 2,5 mil leitos) que só é extrapolada por ocasião da feira. Até agora, o setor hoteleiro não deu sinais de que fará investimentos para aumentar a capacidade da rede.
Divisão da feira
A proposta de segmentação do evento ganhou força na última edição. Realizada entre os dias 18 e 21 de maio, a 11ª Texfair apresentou para os lojistas as coleções primavera/verão 2010/2011 de 200 empresas que representam cerca de 400 marcas dos segmentos de malharia, vestuário, cama, mesa, banho e decoração. Ulrich Kuhn, presidente do Sindicato das Indústrias de Fiação, Tecelagem e do Vestuário de Blumenau (Sintex), responsável pela realização da feira, disse durante coletiva de imprensa que há três anos havia proposto a segmentação. "Pela própria evolução da Texfair era notório que esta discussão aconteceria. Todavia, estamos agindo com cautela e nada será feito de forma abrupta. Vamos ouvir os expositores por meio de pesquisa, para então decidir o que será melhor para a feira", ponderou.
Mas, conversando com empresários e executivos de algumas das maiores empresas têxteis do Brasil, que estavam expondo no evento, ITT Press constatou que a Texfair caminhava para a divisão.
Visão curta
Quilian Miguel Rausch, diretor comercial e de marketing da Altenburg, produtora de enxovais, felpudos e travesseiros, considera que o novo pavilhão da Vila Germânica revitalizou Blumenau para o turismo de negócios, mas ressalta: "o município não enxergou que os serviços eram inadequados para atender o fluxo de visitantes que vêm à cidade por ocasião das feiras. O setor hoteleiro, de bares e restaurantes têm visão curta quando alegam que não há necessidade de ampliar a estrutura porque o evento acontece uma vez por ano. E o que a cidade perde com esta deficiência? Se continuar assim, a feira poderá entrar em declínio. Muitos visitantes estão deixando de vir em razão das dificuldades de transporte e de hospedagem". O diretor da Altenburg, empresa fundada em Blumenau na década de 1940, porém, defende a permanência da Texfair em Santa Catarina. "Entre São Paulo, que tem custos mais elevados, e Balneário Camburiú, cidade litorânea bem servida de hotéis, prefiro a segunda opção", disse ele. Quanto à divisão da feira em dois segmentos, Quilian Rausch tem dúvidas se a Texfair conseguirá se sustentar apenas com cama, mesa e banho. "Temos muitos lojistas que comercializam tanto têxtil lar quanto vestuário. É uma visão míope querer adaptar o evento à falta de estrutura do local, ou se busca solução para mantê-la unida ou muda o evento de cidade".
Marcello Stewers, diretor vice-presidente da Teka, grande fabricante de artigos de cama, mesa e banho, com raízes em Blumenau desde 1926, garante que a empresa permanecerá expondo na Texfair, seja qual for a decisão dos organizadores. "A cidade tem problema crônico de infraestrutura é verdade, mas acho que a feira deve ficar em Blumenau. Creio que se for segmentada e realizada em duas datas distintas será possível comportar melhor os visitantes", sugere o executivo.
Questão de tradição
As opiniões ficam ainda mais divergentes, quando os que defendem a transferência da feira argumentam que isso daria maior visibilidade ao evento. Germano Costa, gerente comercial da Brandili, um dos maiores fornecedores de vestuário infanto-juvenil do país, com sede em Apiúna (SC) reconhece a importância da Texfair para a região, mas acha que ela precisa se expandir. "Construímos nossa imagem nesta feira. Saímos de uma empresa regional para ganharmos projeção nacional. Hoje a Brandili está presente em 10 mil pontos de venda. Temos como clientes redes de varejo que vêm à feira comprar produto de vestuário, cama, mesa e banho. Apesar de reconhecer a deficiência de Blumenau, não concordo com a divisão da Texfair. Se é para dividi-la, então vamos levá-la então para São Paulo". Germano Costa diz ainda que se não houver consenso, a Brandili, assim como outras empresas catarinenses do setor de vestuário, poderão expor na FIT 0/16 - Feira Internacional de Moda Infanto-Juvenil/Teen e Bebê, que acontece nos meses de janeiro e junho, em São Paulo.
Ronaldo Loos, diretor de comércio nacional e exportação da Cia.Hering, fundada em 1880 em Blumenau, rejeita qualquer possibilidade de o evento sair da cidade. "A Texfair representa hoje o principal pólo de vestuário do Brasil.
Não vou questionar quem pensa diferente. Se algumas empresas deixaram a feira, outras entraram e estão satisfeitas". O executivo é enfático quanto ao caráter da Texfair. "Defendo a regionalização, pois temos tradição histórica de qualidade junto aos consumidores. Se a Texfair for para São Paulo vamos perder a essência da marca regional. Ou a gente cria uma identidade para a feira ou ela morrerá". E quanto aos lojistas, como conciliar os interesses?
Loss responde: "Não existe esta história de varejista que compra tudo na feira, esta parcela não representa mais do que 5% do total de clientes da Hering que são hoje cerca de 16.500 em toldo o país".
Carlos Alexandre Dohler, diretor comercial e de marketing da Döhler, outra empresa centenária, fundada em 1881 na cidade de Joinville e produtora de têxteis lar e decoração, se diz a favor da transferência para São Paulo.
Mesmo reconhecendo a importância do Vale do Itajaí para o setor de moda lar, Carlos Alexandre argumenta que a Texfair precisa crescer. "Se a feira pretende ter maior projeção deve ser realizada em São Paulo. Apesar da pujança e do histórico da região, o fato é que Blumenau não consegue mais manter o evento". O empresário justifica sua posição, alegando os custos e o transtorno que a falta de infraestrutura causa aos visitantes. "A maioria dos clientes de outros estados, que vem à Texfair, precisa fazer escala em São Paulo, pegar um vôo para Navegantes e enfrentar mais uma hora de estrada até Blumenau. Não tem condições." E arremata: "O mundo dos negócios não vive de tradição, mas de resultados".
Alvin Rauh Neto, diretor-presidente da Karsten, uma das mais tradicionais indústrias de têxteis-lar do Vale do Itajaí, fundada no século 19 em Blumenau, defende a segmentação da Texfair, mas não concorda em tirá-la de Santa Catarina. "Temos que reconhecer que a Texfair é uma feira bem sucedida e que Blumenau não atende as necessidades do evento. Porém é importante que ela fique na região sul. Acredito no potencial de internacionalização da feira, desde que seja segmentada e realizada em uma cidade bem estruturada". Também a favor da permanência da feira em Santa Catarina, Maria da Glória Fadel (Goya), gerente de marketing da Buettner, empresa fundada em 1898, em Bursque, produtora de artigos de cama, banho e mesa, comenta: "Acho que deslocar a Texfair para São Paulo vai encarecer demais. A feira deve ficar em Santa Catarina e Camburiú pode ser uma alternativa positiva".
O que pensam os de fora
ITT Press também ouviu expositores não catarinenses sobre o futuro da feira. O empresário Roberto Faé, sócio majoritário do Fatex Têxtil, em Três Lagoas, Mato Grosso – que produz jogos de cama, diz: "Sou favorável a transferência para São Paulo, mas não concordo com a divisão da feira que pode conviver com os dois segmentos, pois atrai públicos distintos. Basta encontrar uma data adequada". A designer Maria Izabel Menezes, responsável pelo desenvolvimento de produto da SISA – Sergipe Industrial, de Aracaju, fabricante de artigos de cama, mesa e banho, declara: "Para onde a feira for a Sisa estará presente. Tanto faz se em Blumenau ou São Paulo. Nossos clientes da Bahia, Sergipe, Alagoas e Ceará se programam para visitar a Texfair. São compradores focados." Mario Sette, diretor comercial da Coteminas S.A, maior produtora de linha lar das Américas, por sua vez recomenda prudência: "Faço produtos para atender as necessidades dos consumidores. Tenho clientes em todas as regiões do país. Vamos aguardar o resultado da pesquisa para saber se haverá mudanças. Se houver arrogância e não se olhar para o mercado, o projeto poderá dar errado".
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Fotos: Edson Pelence
Por: Marcia Mariano
Data de publicação: 25/08/2010









