Máquinas híbridas desafiam a malharia circular
Solução híbrida é a combinação, em um mesmo sistema, de partes distintas de um processo, que visa alcançar maior e melhor desempenho no resultado final. Parece óbvio, mas em se tratando de produção têxtil, não é tão simples assim. Na última edição da ITMA – evento mundial de tecnologia para indústria têxtil – realizado em setembro, em Barcelona, a empresa alemã Mayer&Cie especializada em teares circulares para malharia, surpreendeu os visitantes ao anunciar o lançamento do “Spinit” que significa máquina de “fiar e tecer” ao mesmo tempo. Mas as concorrentes Terrot, também da Alemanha, e Pailung, de Taiwan, garantem que desenvolveram modelos semelhantes desta tecnologia, e todas buscam registrar suas patentes. O que não se sabe ao certo é qual será o futuro deste novo conceito, que pretende revolucionar a indústria têxtil mundial.
Dois em um
Trancado a sete chaves numa sala reservada do estande “para evitar espionagem”, o novo tear da Mayer&Cie, ainda considerado um protótipo, só foi exibido para um seleto grupo de visitantes, entre os quais, os jornalistas. De acordo com as explicações da equipe técnica da empresa, esta máquina, alimentada diretamente por maçarocas que ficam acopladas acima do sistema de tricotagem (agulhas e platinas), possui uma unidade de estiro-fiação integrada com três cilindros que entrega o fio “pronto” para formação da malha. “Spinit” é dotada de um sensor de última geração que detecta e elimina as impurezas nas fibras, antes da entrada na estiragem, e de um sistema automático de autocalibração após a troca de fios. Embora a patente ainda não tivesse sido obtida, a Mayer & Cie. garante se tratar de um conceito revolucionário para a indústria têxtil, que visa mais autonomia à malharia, economia de processos e otimização de espaços na produção em escala, pois dispensa filatórios e bobinadeiras.
Concorrência
Recentemente, a Terrot anunciou que seu modelo F132-AJ é uma autentica “spin-knitters” e que o pedido de patente já foi solicitado. De acordo com Hermann Schmodde, chefe de Pesquisa & Desenvolvimento, da Terrot, o novo processo possui uma abordagem diferente ao da Mayer & Cie. e da Pailung. Ao invés de um sistema alimentador jato de ar e unidade de estiragem de fios acoplados sobre o tear, a Terrot desenvolveu um arranjo tipo gaiola em três lados da máquina que fornecem as mechas para fiação: em outras palavras: a alimentação, embora parta das maçarocas, é mais semelhante ao sistema convencionar de alimentação na malharia circular. A principal vantagem deste modelo, segundo Hermann Schmodde, é que a unidade “spinning” pode ser instalada em mais de uma, ou seja, em todas as máquinas circulares de uma malharia, tanto de mono quanto de dupla frontura. A Terrot também garante que seu sistema é modular, pode ser equipado com 24, 32 ou 40 cabeças por unidade de fiação e possui maçaroqueira integrada com sistema de monitoramento e remoção de pelos dos fios. Ainda segundo a empresa, o F132-AJ tem um fator de velocidade de até 600 (20rpm, 30") e saída de tecidos inacabados de até 360kg/24 hs. A máquina também processa fios com títulos de 40 à 100 Nm, tanto de algodão quanto fibras de sintéticas e mistas.
Já a taiwanesa Pailung, maior fabricante asiático de teares circulares, também divulgou sua “máquina combinada de fiar e tricô”, cujo modelo ainda não foi batizado. Segundo especialistas em malharia que estiveram na ITMA 2011, o protótipo estava na feira mas, não foi sequer exposto ao público. Dizem que o sistema da Pailung é semelhante ao da Mayer &Cie, com uma unidade de fiação montada sobre a máquina de malharia. Certamente, estas máquinas serão testadas e aperfeiçoadas até que possam encarar uma escala industrial. Mas, por enquanto, a pergunta que se faz hoje é: qual o potencial de mercado das “spin-knitters” ? Quem vai comprar esta tecnologia?
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Fotos: Divulgação
Fonte: ITMA 2011/Knitting Industry
Por: Marcia Mariano
Data de publicação: 29/11/2011











