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De Época: 21ª Fenatec

A Têxtília esteve na 21ª FENATEC - Feira de Tecelagem - fez um balanço do evento e se preocupou em entrevistar empresários e representantes das indústrias de máquinas e tecelagens, com a finalidade de obter informações dos resultados da feira, da situação do mercado interno e externo e as perspectivas e os investimentos para os próximos dois anos. 21ª FENATEC, promovida pela Alcantara Machado, foi realizada entre 9 e 12 de março deste ano, no Anhembi, em São Paulo, reuniu 165 expositores, entre eles 30 argentinos e 55 da indústria de máquinas têxteis.

Balanço do presidente da ABIT

O balanço apresentado, durante a coletiva, pelo presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil, Luis Américo Medeiros, mostrou que, apesar da queda de 20% na produção e 30% na dispensa operária em relação a 90, a Indústria Têxtil repetiu em 91 o mesmo faturamento do ano anterior, US$ 17 bilhões.

Medeiros explicou que o faturamento ficou estável devido à defasagem do dólar e disse que a saída para o setor ainda é a exportação, que deve este ano apresentar acréscimo de 10%. O setor exportou, em 91, US$ 1,2 bilhão, sendo US$ 240 milhões para a Europa e US$ 220 milhões para os EUA.

Análise de Luiz Cavalcanti Pessoa

"A Feira esteve mais profissionalizada, pois os visitantes agora vêm ao evento com interesses específicos e, pelo número de contatos feitos, ficaram sinalizadas e alavancadas as vendas, criando expectativas otimistas para este ano, especialmente para os negócios com a estação forte que é o verão", concluiu um dos maiores representantes e fornecedor de tecidos para confeccionistas, atacadistas e varejistas de todo 0 Brasil, Luiz Cavalcanti Pessoa.

Pessoa acredita em bons negócios para os próximos meses do ano porque, também, parte da premissa de que os atacadistas venderam bem no primeiro trimestre do ano, ficaram desabastecidos e agora terão que repor seus estoques.
Segundo Pessoa, de toda a cadeia têxtil, o setor que vem sofrendo mais a recessão é o da confecção, pois o varejo não está reagindo como era esperado.

Tecelagens Corduroy

Paulo T. Diamant, presidente da Corduroy, disse que a 21º FENATEC foi razoável, tiveram muitas visitas de clientes interessados em conhecer a coleção de verão. No entanto, as vendas ainda se concentraram na pronta entrega de inverno.

Desde 1970, a Corduroy tomou a decisão de direcionar parte de suas vendas para o mercado externo. De lá para cá, a empresa destina no mínimo 25% de sua produção à exportação, mas atualmente 80% está sendo exportado, principalmente para a Alemanha, França e Estados Unidos, que são grandes compradores de sarjas, índigos e veludos.

Diamant explicou que a decisão de exportar, no princípio, era um desafio pessoal aliado aos incentivos, mas que implicou num constante aprimoramento, eficiência, adequação e busca de novas tecnologias que permitissem à empresa obter bom preço e qualidade em seus produtos, para então competir.

"Hoje a Corduroy produz, em média, 400 mil metros lineares de tecidos por mês, verificando-se uma ociosidade de 40% da capacidade de produção. A empresa se destaca no mercado nacional por prestar serviço de beneficiamento para terceiros. Apesar desse mercado estar um pouco parado, temos condições de em um mês trabalhar com 5 milhões de metros de tecidos de terceiros", informou Diamant.

"Desta forma comecei a conhecer o mercado externo, tive uma visão a longo prazo e o retorno veio. Hoje, se retirarmos os impostos e o custo financeiro, o preço em dólar e à vista dos meus produtos é mais barato que dos grandes produtores concorrentes como Hong Kong, Taiwan e Coréia", disse.

O presidente da Corduroy declarou estar preparado com tecnologia, preço e qualidade para competir. Não faz nenhuma objeção quanto à abertura do mercado, desde que as indústrias nacionais tenham proteção e direito como as indústrias de outros países, por exemplo: proteção de cotas, não permitir a prática de dumping e a ilegalidade na emissão de guias faturadas. Diamant pergunta: "Por que temos que ser abertos sem restrições, e não impor as regras que nos impõe?"

Quanto à redução das alíquotas para a importação, Diamant acha que é o melhor caminho, pois as indústrias têxteis estão na sua maioria obsoletas; apenas os setores de fiação, acabamento e tinturaria estão em processo de modernização.

Braspérola

Segundo Yvan Pacheco Reis, diretor comercial da Braspérola, a empresa foi à FENATEC para lançar o mostruário de 480 variantes e vender a coleção de verão. Durante o evento, verificaram uma procura dos clientes acima das expectativas. A Braspérola no mês de maio tem, geralmente, a produção de abril e maio negociada. No entanto, este ano, na mesma época, somente a de abril havia sido comercializada. Mesmo assim, Reis informou que está produzindo 1,5 milhão de metros mensalmente, sua capacidade máxima de produção. Desse total, 15% a 20% é voltado para a exportação, onde 50% é linho. A empresa optou por exportar porque os preços são melhores. "Enquanto o preço médio do metro de tecido no mercado interno é vendido por US$ 11, no exterior consegue-se até USA 12", disse o diretor comercial da empresa.

Jacyra

"A FENATEC nunca foi feira de se vender grandes metragens, mas de se vender idéias para as equipes de desenvolvimento de produto, que viajaram com a finalidade de conhecer as tendências de moda e agora precisam do corte para a produção da peça-piloto. Por isso, as vendas durante a feira ficaram concentradas na coleção de inverno", disse Ivan Scuro, diretor da Tecelagem Jacyra.

Scuro acha que as feiras têm melhorado ano a ano, contudo pensa que as datas deveriam ser mais estudadas, pois a FENATEC deste ano foi um pouco prejudicada por ter sido logo após o carnaval e que as entradas não deveriam ser francas.

Em março a Jacyra já estava com toda a produção do mês vendida, ou seja, cerca de 600 mil metros lineares. Este ano os investimentos da empresa estão voltados para a importação de máquinas de tinturaria e tecelagem, visando a modernização.

Skaf

"A FENATEC traz sempre algo de novo. Este ano, recebemos clientes do Brasil e do exterior, para os quais apresentamos as novidades da coleção e que parece ter agradado muito", afirmou Paulo Antonio Skaf, diretor da Skaf.

"A empresa tem uma produção média de 400 mil metros lineares e, em meados de março, já havia sido negociada a produção de abril. Do total comercializado 20% é exportado", acrescentou Skaf.

"Até dezembro de 93, a empresa quer produzir 1 milhão de metros lineares. Os esforços e investimentos também estão voltados para a modernização das máquinas e racionalização do processo de produção, com a finalidade de nos prepararmos para enfrentar a concorrência internacional. Esta deverá ser facilitada por já termos bons preços e qualidade em nossos produtos", contou Skaf.

Fibratus

"Durante a FENATEC vendemos a coleção de inverno. Os clientes apenas tomaram conhecimento da coleção de verão e a pilotagem só começou a ser vendida em abril", informou Ivan A. Rossi, diretor comercial da R. Fibratus Tecidos.

Rossi, disse que em 91 a Fibratus produziu 30% a menos de sua capacidade total e que este ano deverá continuar assim, apesar das perspectivas serem otimistas quanto à exportação e o Mercosul. A empresa já tem produtos de qualidade para competir, mas continua investindo em tecnologia na área da tecelagem, inclusive com plano para adquirir teares a jato de ar, ainda este ano.

"Com relação aos produtos argentinos, os nossos têm mais qualidade, mas os deles têm melhores preços, por serem favorecidos por uma economia mais estabilizada", concluiu Rossi.

Argentinos na FENATEC

Pela primeira vez indústrias de tecelagem e confecção argentinas participaram de uma FENATEC negociando seus produtos. É irreversível o mercado comum sul-americano e os interesses se afloram.

Concentradas num só estande, as seis empresas argentinas concluíram que, apesar de não terem realizados negócios, o resultado foi bom, pois estabeleceram muitos contatos.

Gerried Fuchs, gerente internacional de vendas da Vandenfil Sociedad Anonima Industrial AIgodonera, de Buenos Aires, Argentina, declarou que apesar dos vários contatos travados, encontrou dificuldades em vender durante a feira. Primeiro porque os negócios são feitos em dólar, depois porque os confeccionistas estão temerosos diante da instabilidade econômica do País, além de não estarem acostumados a utilizar a carta de crédito.

A Vandenfil já possui 12 clientes ativos no Brasil que compram anualmente de 50 a 100 mil metros de tecido.

A produção da Vandenfil é de 1,5 milhão de metros de tecido por mês, sendo que 10% está destinada à exportação. A empresa produz tecidos 100% algodão e suas misturas com poliéster. O preço médio do metro de tecido é de USA 2,4.

Segundo Carlos A. Rubbi, gerente de exportação da Supersil S.A., os compradores brasileiros se interessaram bastante pela poliamida texturizada, o Tacsil, que custa, FOB Buenos Aires, cerca de US$ 2,65 o metro.

Rubbi disse que não fecharam negócios durante o evento, só fizeram bons contatos. "Viemos à FENATEC, porque em potencial o Brasil é muito bom cliente. Estamos inclusive vendo a possibilidade de termos aqui no Brasil um escritório com estoque de mercadorias, para atendermos aos clientes que compram menor quantidade-, acrescentou.

A Supersil produz entre 1 a 1,2 milhão de metros lineares de tecidos por mês. Entre os produtos estão a poliamida texturizada, a meia-malha, os tecidos planos sintéticos, combinados com algodão e poliéster. Em média, o quilo do tecido está sendo comercializado entre US$ 12 e US$ 14.

A Supersil faz parte de um grupo do qual Ricardo Barbouth é o presidente, possuindo também a Pancromáticos S.A. Estamparia e Tinturaria, que produz 1,2 milhão de metros lineares mensalmente, além das Confecções Fianco e Rimapro, que fazem marcas como Topper, Ali Star e Pierre Cardin. Eles exportaram de 15% a 25% da produção para os Estados Unidos, Canadá, Sul da África, Inglaterra e Uruguai. Para o Brasil a empresa exporta anualmente entre 300 a 500 mil metros, que são comprados por 10 clientes.

Outra empresa argentina que participou foi a Coafi S.A., que há 15 anos mantém relações comerciais com o Brasil, exportando tecidos e importando chies de poliéster da Polyenka.

"Ainda este ano pretendemos nos estabelecer e distribuir tecidos no Brasil; queremos desde já trabalhar, até que de fato esteja aberto o mercado sul-americano", disse Edgardo Gomez, gerente de vendas da Coafi.

A Coafi é produtora de fio de poliéster, malha tubular, além de possuir tinturaria e confecção. A empresa fabrica mensalmente cerca de 300 toneladas de fio e 150 toneladas de malha. Do total, exportam 10%, mas querem aumentar para 25% até 93. Um quilo de Tecido de malha de poliéster custa cerca de US$6.

"A Argentina encontra-se num momento de economia muito estável, o que dá a possibilidade de reequipar a linha de produção, além de organizar e planejar a longo prazo a produção. A Foderami, particularmente, possui equipamento de alta tecnologia, proporcionando melhorias na produtividade", informou John Douglas Colley, gerente de exportação.

"Há dois anos a empresa exporta para 15 clientes brasileiros cerca de 45 mil metros de tecidos por mês. Atualmente a procura maior é pelo tactil,100% poliamida, que custa FOB Buenos Aires USA 2,7 o metro", disse Colley.

Apesar de não terem vendido durante a feira, Colley acredita que os contatos foram importantes para futuros negócios.

A produção mensal da Foderami é de 1,5 milhões de metros lineares de tecidos, distribuídos entre poliamida trilobal amassado, tactil, poliéster filamento e tafetá de acetato. Exportam 40% da produção para o Uruguai, Chile, Bolívia, Paraguai, Estados Unidos e Canadá. Os preços variam de US$1,7 até USS5,3 o metro; os mais caros são tecidos feitos com microfibra.

"A Tecotex já tem experiência em exportar para outros países latinos; agora estamos entrando no Brasil. Apesar das visitas de compradores interessados, principalmente pelos tecidos estampados da empresa, esperávamos mais movimento e alguns negócios. Acho que isso pode ser reflexo da situação econômica do Brasil", disse Jorge Mearia, gerente de vendas da Tecotex.

"Voltada para o mercado externo, a empresa exporta 50% de sua produção mensal, que é de 3 milhões de metros, dos quais 70% é popeline. Esse tipo de tecido está custando perto de USA 2,65 o metro" , informou.

Mendes Engenharia lança Raízes e Mar

Durante a 21º FENATEC - Feira de Tecelagem, a Mendes Engenharia, de Blumenau (SC), lançou dois produtos: o Raízes e o Mar. A empresa estabeleceu um novo critério para formar a nomenclatura de seus produtos; decidiram ligar a atividade e os produtos da empresa à natureza, com o objetivo de facilitar a memorização.

Utilizaram uma uniformização com a finalidade de definir a filosofia para nomes e atividades, procurando sempre uma ligação entre o elemento natural e as características do produto.

Desde o início de suas atividades, em 1980, a empresa vem se destacando e se especializando em projetos industriais, de automação e informatização das indústrias têxteis e de alimentos, principalmente.

"Hoje a procura é muito grande pelos projetos da Mendes Engenharia, pois as indústrias querem e necessitam se modernizar, implantando projetos de automação e informatização, além das instalações e prédios adequados", declarou Klinger Amaral Mello, gerente comercial da empresa.

Mello explicou que a empresa cria produtos conforme a necessidade das fábricas. E, dentro do sistema Sol - Sistema Gerenciador de Tinturaria (para fio, malha, tecido e outras), sentiu-se a necessidade de se localizar a produção a qualquer momento, fazendo-se o rastreamento dos lotes (trabalho considerado difícil, principalmente para o setor comercial), diante da necessidade do cliente querer estar bem informado e saber como e aonde está seu produto e a possibilidade de se mudar alguma coisa durante o processo.

"Para resolver o problema do acompanhamento dos produtos em processamento, desde a entrada na porta da fábrica até a expedição, criou-se o Raízes - Sistema de Controle de Produção, para confecções, tinturarias e outros processos similares. O lote, quando entra na fábrica, recebe um cartão de identificação digital. À medida em que ele for beneficiado, temos leitores digitais de cartões, que ficam ao lado de cada máquina do processo. O computador lê as informações do cartão. Desta forma sabemos aonde e como está o lote. Caso uma das etapas do beneficiamento demore mais do que o previsto, o sistema acessa um aviso do desvio do tempo-padrão. Temos a rastreabilidade", explicou Mello.

Depois de armazenados os dados no computador, acrescentou Mello, pode-se fazer: históricos da produção, gráficos de acompanhamento, manutenção preventiva de máquinas (horas trabalhadas), além do controle de produção efetiva.

"O Raízes é composto de aquisitor de dados (que ficam em pontos estratégicos da produção), sendo que cada unidade custa US$300 e do software de supervisão (o programa), que custa US$4 mil. E, para que o Raízes funcione, é preciso ter um computador do tipo PC-XT ou PC-AT 286", informou o gerente comercial.

O outro lançamento da Mendes Engenharia é o Mar, um equipamento eletrônico que realiza a dosagem automática do sal em processos de tingimento automatizados e manuais (processo importante e responsável pela montagem uniforme do corante na fibra natural ou sintética). O Mar dosa o sal em quantidade e tempo exatos, otimizando e padronizando os processos, permitindo maior igualização, montagem e reprodutibilidade das cores.
O dosador de sal Mar constitui-se de um tanque em aço inox, onde é colocado o sal, grosso ou refinado, que é dosado diretamente pelo dispositivo dosador, entre a descarga e a sucção da bomba da própria máquina. O controle é feito através do Painel de programação e dosagem, que programa a sua freqüência.

"Dosar o sal, é um processo difícil, pois por ser higroscópico o sal absorve água e empedra. O dosador Mar é inédito e elimina esse problema, porque trabalha junto da máquina, diminuindo erros e a dependência do operador em colocar o sal diretamente no produto", explicou Mello.

Ele lembra que o dosador é concebido para trabalhar individualmente por máquina de tingimento e seu valor é de US$8,2 mil.

Tradicional no mercado, tendo elaborado projetos de engenharia industrial, como o da Buetner e de automação, como o da Karsten, agora a Mendes Engenharia vai ampliar sua participação no mercado latino, fixando agentes comerciais em todos os países. Em 92 a empresa quer aumentar seu faturamento em 50%. No ano passado faturou US$1,2 milhão, informou o diretor-presidente, Jarbas Mendes.

Bianco

Pelo segundo ano consecutivo, a Bianco Indústria e Comércio de Máquinas Ltda., ligada à Bianco da Itália, participou da FENATEC Feira de Tecelagem. "Apesar dos 150 contatos de interesse feitos durante o evento, o movimento foi menor do que se esperava e os resultados das vendas não foram melhores que os da FENATEC do ano passado, quando vendemos, durante a feira, 40% da produção anual da Bianco," disse Walter Gimenes, diretor industrial da empresa. Durante 1991 a empresa vendeu 62 máquinas.

A Bianco Ltda., empresa importadora e exportadora de máquinas para toda a América do Sul, é o resultado da associação, há um ano e meio, de Walter Gimenes e Carmello Chagas com a Bianco da Itália, indústria que fabrica máquinas para acabamento de tecidos e malhas. Gimenes informou que durante a FENATEC deste ano, foram realizadas vendas de 5 tipos de equipamentos: - Endireitador de trama computadorizada, no valor de US$72 mil cada, utilizado, para tecido standard de 2,20m de largura (a máquina completa com computador e programa adequado ao tecido); - Non-Stop para saída de ramosa, custando US$20 mil; - Introdutora de tecido para ramosa, no valor de US$12 mil cada; - Cortador de tecido turbular com hidro-extrator, custando US$130 mil cada; - Guiador Compact MR, no valor de US$4 mil a unidade.

"Todas as máquinas feitas pela Bianco Ltda. são de fabricação 70% nacional e 30% importada (parte eletrônica). Até o final deste ano, a Bianco pretende produzir 72 diferentes tipos de máquinas, ou seja, 60% das 120 máquinas da linha da Bianco da Itália. Para que isso se realize já estão em andamento os protótipos do Destorcedor de corda, do Guiador Compact, do Non-Stop, a linha de preparação para fingimento de tecido e a plataforma giratória sincronizada", informou Gimenes.

A expectativa, acrescentou, é de que 92 vai ser um bom ano para os negócios, pois as empresas têxteis necessitam modernizar-se e automatizar-se para competir.
Atualmente a Bianco importa 70% das máquinas vendidas, mas também está exportando peças fundidas em alumínio ou ferro fundido para a Bianco da Itália, como por exemplo os cilindros curvos, os braços e suportes de máquinas. Gimenes explicou que a Bianco da Itália resolveu importar porque o custo das peças feitas no Brasil é 35% menor.

Phoenix lança máquina Pandora na FENATEC

A busca por tecnologia de ponta, diante da necessidade do mercado interno, fez a empresa Phoenix Indústria e Comércio de Máquinas e Equipamentos de Aço Inox Ltda. procurar uma parceria externa, de preferência na Itália, onde a criatividade e o desenvolvimento no setor de máquinas é uma constante.

Há oito anos no mercado, a empresa já fez lançamentos inéditos no Brasil como o secador de alta freqüência, o HT-BSC com relação 1:4 e os aparelhos de rolos para tingimento de tecido delicado. Na 21º FENATEC - Feira de Tecelagem, de 9 a 12 de março, no Anhembi, foi lançada a Pandora ou Jigg-Flow, máquina de tingimento com tecnologia 100% nacional.

"Somente depois de aproximadamente um ano de conversação, em março deste ano é que a Phoenix fechou contrato com a MCS Oficina Mecânica S.p.A.,, um dos maiores fabricantes de máquinas de tinturaria do mundo", disse Wilson Tambellini, diretor superintendente da Phoenix.

"Antes mesmo do entendimento, a Phoenix já havia produzido um protótipo da máquina de tingimento Pandora, a Jigg-Flow-WT, o que facilitou os entendimentos entre as empresas. Além disso, a Pandora, uma das mais modernas e econômicas máquinas de tingimento, veio de encontro aos anseios da indústria de tinturaria, pois o desenvolvimento da indústria de máquinas para este segmento era relativamente lento, sem dar a devida atenção aos fatores de custo, qualidade final e preocupação ecológica - item pelo qual a sociedade, de um modo geral, vem reclamando soluções", informou Tambellini.

"A Pandora conseguiu aliar esses três quesitos, proporcionando um custo de tingimento mais baixo, conferindo uma qualidade final superior ao dos equipamentos similares no Brasil e agredindo menos o meio ambiente, graças o uma relação de banho 1:4. Isto significa que para tingir, por exemplo, 300 mil quilos de tecidos de malha em um ano, num aparelho com relação 1:8, iríamos consumir cerca de 48 mil m3 de água e 16 mil quilos de óleo combustível; no entanto, num equipamento com uma relação de, 7:4, que é o caso da Pandora, é consumido somente a metade da águo e do óleo", explicou Tambellini.

Considerando-se também a redução de produtos auxiliares e corantes, Tambellini informa haver uma grande economia anual no tingimento dos tecidos. Uma das vantagens que a Pandora confere é a estabilidade dimensional das malhas, provocando um encolhimento longitudinal e lateral de cerca de 8%, conservando muito mais as características das malhas. Por não ser de um circuito fechado, girando sempre no mesmo sentido, cada movimento ascendente, que provocaria um estiramento, vem compensado pelo movimento descendente, além do tempo de permanência no cesto, que provoca um descanso e encolhimento.

O diretor superintendente da Phoenix explicou, que o fluxo suave de banho da máquina garante, desde que obedecidos os processos normais de tingimento, nunca manchar uma partida. "Outro fator positivo são os tempos de tingimento, que em muitos casos são reduzidos em 50%", disse. Exportação para a Itália

A MCS, apesar de fabricar e possuir a patente internacional da Pandora, solicitou à Phoenix os custos mínimos FOB da máquina brasileira, mostrando interesse em importar. Diversos fatores estão fazendo com que o custo de produção da Pandora no Brasil sejam inferiores aos da Itália, entre eles a mão-de-obra mais barata. "A Pandora fabricada aqui está sendo vendida por US$76 mil, enquanto na Itália está sendo comercializada a US$140 mil", disse Tambellini.

 

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Por: Redação

Data de publicação: 01/06/1992

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