A tecnologia do presente para o futuro da tecelagem
Reconhecida como as “Olimpíadas” dos equipamentos para a indústria têxtil e confecção, a ITMA – Feira Internacional de Máquinas de Têxteis e Vestuário – tem se realizado a cada quatro anos desde 1951. Em sua última edição, em Barcelona, na Espanha, foram apresentadas ao mundo o estado da arte em inovação para processos têxteis. O setor têxtil no Brasil vem passando por um amplo processo de reestruturação, modernizando-se para competir no mercado mundial. Os níveis de produtividade e de qualidade dos produtos estão hoje mais próximos aos dos países concorrentes, e a modernização do parque fabril já é uma realidade. Na tecelagem plana, nos últimos anos, houve aumento na utilização dos teares mais modernos com significativo crescimento na utilização de máquinas de tecer a jato de ar, inclusive para a produção de felpudos. Vejamos, a seguir, alguns destaques da feira para este segmento.
Novidades dos fabricantes
Durante a feira, a Picanol (fabricante belga de teares planos) apresentou dois novos desenvolvimentos: o tear a pinça positiva OptiMax na tecnologia rapier, que abre novas perspectivas, especialmente para o setor de tecidos técnicos, tais como revestimentos primário e secundário para carpetes, geogrelhas, telas de reforço, entre outros. Já os teares OMNIplus Summum, exibidos em diversos modelos, são para apropriados para a produção de tecidos para paraquedas, automotivo, lençóis, denim, stretch, entre outros.
Um novo conceito de acionamento jacquard sem eixo cardam - sistema Dornier SyncroDrive - foi a principal novidade da empresa alemã Dornier apresentada na feira. A máquina possui controle de pressão de ar individualizado por tobeira visando redução no consumo de ar comprimido; tensão uniforme do início ao final do tecimento e sensores nas molas de tensionamento de urdume. Já a japonesa
Tsudakoma destacou as máquinas: ZW 8100 Water Jet Loom com jacquard eletrônico positivo integrado (sem pavilhhão); ZAX 9100 Terry Air Jet Loom (felpudo) com recursos controlados eletronicamente (formação e altura de felpa, etc); além de controle de pressão de ar individualizado por tobeira visando redução no consumo de ar comprimido.
O grupo italiano Itema lançou o tear Sultex A9500 340m com menor consumo de ar, controle individualizado por tobeira; inserção quádrupla e reinserção pneumática. A empresa apresentou também a máquina de tecer projétil P7300 HP 360 com baixo consumo de energia e rotação máxima de 400 rpm.
A empresa japonesa Toyota apresentou máquinas de tecer jato de ar JAT 710 para diversos tipos de tecidos (felpudo, liso, telas de decoração e telas para trajes de alta qualidade) com as seguintes novidades: quadros de liço comandados individualmente por servo motor; pressão de ar reduzida em 20% devido alteração do canal do pente e aproximação das estafetas, velocidade máximo de 725 rpm em máquinas de tecer felpudo com largura de 280 cm e em máquinas de tecido liso com 340 cm de largura.
Evolução nos teares
Há duas décadas as máquinas de tecer a jato de ar vem conquistando espaço no mercado, 1990 somente 4% dos teares eram a jato de ar, aumentando este percentual para 20% em 1996, continua crescendo gradativamente até os dias de hoje. Somente os modelos a partir de 2006 apresentaram os recursos eletrônicos disponíveis em máquinas de pinça com ano de fabricação de 1994, mais precisamente Sulzer G 6200. Desde então, as inovações ficaram por conta de alterações feitas no sistema de inserção buscando a otimização do fluxo de ar, para que seja mais eficiente e mais preciso com redução de consumo de energéticos. Além disso, comandos eletrônicos instalados nas máquinas, cada vez mais aperfeiçoados, possibilitando produzir artigos mais elaborados com maior produtividade e qualidade.
A máquina de tecer a pinça continua sendo a de maior versatilidade com aplicação nos diversos tipos de tecidos, dos simples aos mais elaborados com produtividade e qualidade elevadas. Em comparação às máquinas de tecer a jato de ar, apesar de apresentar velocidades inferiores tem sua superioridade na produção de artigos complexos, por isto, continuam fortes no mercado e com vendas em grande escala. Quanto às máquinas de tecer a projétil, tiveram por muito tempo seus momentos de glória, entretanto, vem perdendo espaço ano a ano para os teares de pinça e jato de ar devido a sua limitação de velocidade, porém ainda possuem sua fatia no mercado principalmente pelo fato de ser uma máquina com baixo custo de energéticos. Nesta última década as velocidades das máquinas de tecer foram aumentadas em média 20% fruto da evolução tecnológica já comentada acima.
Máquinas jacquard
Destaco algora algumas novidades para o segmento de tecidos jacquard.
- Stäubli
Desde 1892, a Stäubli é um dos maiores fabricantes de maquinas têxteis para altas velocidades no mundo. Possui no seu portfólio jacquards eletrônicas e pavilhões para tecidos de moda, decoração, felpa e etiquetas.
- Grosse
A empresa Grosse, que foi adquirida por um grupo chinês, produz máquinas jacquard que são atualmente montadas na China, porém os componentes com maior exigência de qualidade continuam sendo fabricados na Alemanha, são eles: mancais, excêntricos, rolamentos, platinas, magnetos e placas MAP.
- Bonas
A Bonas foi adquirida pelo grupo Van De Wiele. Sua máquina jacquard continua com o mesmo princípio de funcionamento, porém com estrutura muito mais robusta, menor vibração e maior durabilidade. Principal novidade é a abertura de cala de fundo e felpa diferentes, evitando contato dos fios durante o cruzamento e eliminando a formação de mistura de felpas no tecido.
As máquinas jacquard eletrônicas foram inseridas no mercado no início dos anos 1990. As inovações nestas últimas duas décadas foram na instalação e melhoramento dos comandos eletrônicos preparando as mesmas para trabalhar com todos os tipos de teares modernos: a jato de ar, pinça e projétil, assim como, para produção de todos os tipos de tecidos com texturas diferenciadas. As primeiras máquinas que surgiram os controladores eram carregados por disquetes, enquanto que atualmente são através de entradas USB e/ou interligadas em rede. Comandos eletrônicos avançados hoje permitem trabalhar com altas velocidades, no entanto, o custo de aquisição e manutenção destes equipamentos ainda são elevados.
Preparação a tecelagem
Nestes últimos anos a evolução tecnológica neste setor foi pequena e apresentou algumas melhorias pontuais não muito relevantes. Vejamos o que foi apresentado na ITMA 2011 de Barcelona.
- Groz-Beckert
Posileno - sistema positivo de controle do giro - inglês para produção de efeitos nos diversos tipos de tecidos; remetedora de fios automática WarpMaster para número ilimitado de evoluções e desenhos com seleção/colocação automática de liços nos quadros. Exibiu também atadora de fios KnotMaster - modular system para facilitar a manutenção. Todos os componentes desta máquina podem ser facilmente trocados. Possível atar fios de títulos diferentes sem necessidade de troca de componentes.
- TMT – Tecnologia Meccanica Tessile
Apresentou a engomadeira tangencial WR 1000. Neste novo conceito o fio é apenas encoberto (encapsulado) com a goma, não perdendo seu alongamento inicial e, portanto, resultando num melhor rendimento de tecelagem. Entre as vantagens estão:
Vantagens do sistema tangencial:
- Elasticidade do fio inalterada;
- Uniformidade de engomagem;
- Reduz pressão mecânica sobre o fio;
- Menor pilosidade do fio;
- Baixo consumo energético e produtos químicos;
- Versatilidade para diversos tamanhos de lotes;
- Melhor rendimento de tecelagem;
- Menor custo de desengomagem.
Nota: Sistema a ser avaliado, pois ainda é desconhecido no mercado e há pouquíssimas máquinas em funcionamento experimental.
Conclusão
Podemos afirmar que o tear a jato de ar é o mais indicado hoje por causa da sua alta produtividade e variedade de artigos que se pode produzir. No entanto, na sua evolução podemos notar que quase não ocorreram alterações, pois a forma de inserir a trama com ar é a mesma. As alterações feitas foram de otimização do fluxo de ar, para que seja mais eficiente e mais preciso, propiciando sensível redução no consumo de energéticos. Além disso, comandos eletrônicos instalados nas máquinas, cada vez mais aperfeiçoados, garantem operações precisas, com menor interferência dos operadores e quase isentas de erros na produção. Isto vem possibilitando o aumentando das velocidades e produtividade, sem esquecer a qualidade do tecido. Na tecelagem, a despeito do ruído que ainda impera nos teares planos, as velocidades alcançaram ritmos mais frenéticos e as soluções oferecidas por maquinetas laterais e jacquard proporcionam infinitas possibilidades às indústrias.
Veja também cobertura da ITMA 2011
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Fonte: Direto da fonte
Por: Vlademir Marascalchi Jr/ TEKA – Tecelagem Kuehnrich SA
Data de publicação: 31/01/2012









