Ponto de vista: Soluções para quem quer inovar
Durante a permanência de nossa equipe na ITMA 2011, realizada no mês de setembro, em Barcelona, pude constatar que houve inovação nos produtos apresentados. Nada revolucionário como em décadas passadas, quando foram lançados novos processos e conceitos. É bom lembrar que a feira existe há 60 anos e tem sido o principal palco de lançamentos para a cadeia têxtil mundial.
Nesta edição, as novidades ali expostas foram suficientes para nos revelar como os fabricantes estão preparados para atender às demandas do setor. Observamos que segmentos estratégicos como fiação, tecelagem e malharia apresentaram novos recursos, visando uma produção mais eficiente, ecológica e com possibilidade para diferenciação que só aqueles que sabem explorar seu potencial conseguem realizar. Nos três sistemas de malharia – circular, urdume e tricô, por exemplo, foram apresentadas evoluções em softwares que permitem desde o gerenciamento remoto da produção até a elaboração de amostras virtuais. Na tecelagem plana, tanto de pinça como projétil e jato de ar foram exibidos teares mais compactos, alguns com dispositivos especiais que melhoram o desempenho e até realizam duas tarefas ao mesmo tempo, denominado “dois em um”. Estas tecnologias encantaram os visitantes.
Outro setor de destaque foi a estamparia, tanto a digital que ganhou mais velocidade e recursos para produtos especiais, quanto a estamparia tradicional de cilindros, que luta para não perder o mercado de grandes volumes.
Tínhamos a expectativa de que veríamos na fiação – elo inicial da cadeia têxtil – soluções inovadoras. De fato constatamos que foi dado sequência ao movimento iniciado na ITMA de Paris (1999) de compactação dos processos e versatilidade das máquinas. A fiação, assim como a tecelagem e a malharia, caminha para trabalhar fios cada vez mais finos, resistentes e diferenciados para produção de vestuário e de tecidos técnicos.
Em resumo: as palavras chaves percebidas em todos os pavilhões desta ITMA foram: diminuição dos consumos de energia/combustível; água e produtos químicos, que implicam na redução substancial de custos e desperdícios na indústria. Este direcionamento antevê o que o mercado viverá nos próximos anos – vide a crise que abala o mundo desde 2008 e que não dá sinais de arrefecimento. Ou seja, a fase de achar que sustentabilidade é “pura jogada de marketing” apenas para conquistar “clientes”, acabou. A ITMA mostrou que a indústria precisa investir em tecnologia e melhorar seus processos, tornando-os mais produtivos e menos poluentes. Estamos diante de novos paradigmas. Encarar a questão apenas com foco na situação econômica vigente – ou seja, aquele ditado popular “deixar como está para ver como é que fica” –, é temerário. É limitar o crescimento e o desenvolvimento da indústria de transformação.
Quem quer evoluir, precisa arriscar.
Não pode parar de buscar o novo!
Temos que dar respostas às exigências do consumidor de todas as classes sociais, pois todos querem produtos bonitos, econômicos, de qualidade e logo estarão exigindo que sejam duráveis e sustentáveis.
Nesta edição trazemos a primeira parte da cobertura da ITMA 2011, abordando Fiação, Tecelagem e Malharia; um artigo sobre arquitetura têxtil e uma análise global sobre o futuro das fibras químicas.
O Portal Textília.net não autoriza a reprodução total ou parcial de qualquer conteúdo aqui publicado, sem prévia e expressa autorização. Infrações sujeitas a sanções.
Por: Maria José de Carvalho
Publisher
Data de publicação: 02/12/2011









