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Retrospectiva: O têxtil do futuro visto do espaço

A 17ª Techtextil e 4ª Texprocess, maior evento internacional dedicado aos têxteis técnicos, nãotecidos e processamento de materiais flexíveis, apontou que a conexão entre a indústria de manufatura e as start-ups tecnológicas é o caminho para a inovação têxtil. Produtos criativos e funcionais, desde arquitetura ao vestuário, atraíram mais de 47.500 visitantes, de 114 países, ao Centro de Exposições da Messe Frankfurt, Alemanha, entre os dias 9 e 12 de maio. “Na Techtextil e Texprocess, os expositores deram uma demonstração impressionante de grande inovação e preparação para desafios futuros. É aqui que os fabricantes de automóveis, designers de moda, engenheiros têxteis, médicos e diversas outras áreas da produção encontram um amplo espectro de novos materiais e tecnologias para criarem seus projetos", comentou Detlef Braun, membro do Conselho Executivo da Messe Frankfurt, organizadora do evento. Ele ressaltou, entretanto, a importância da presença do público na feira, que, segundo a Messe, cresceu 14% em relação à última edição, em 2015. “Mesmo na era digital, o intercâmbio de ideias e informações é essencial para o desenvolvimento do setor, por isso estamos muito satisfeitos com a presença de tantos visitantes. Quem não esteve em Frankfurt nos últimos quatro dias, perdeu uma incrível experiência com a indústria têxtil”, acrescentou.

Embora não seja uma feira específica de máquinas, Techtextil e Texprocess reuniram ao todo 1.477 empresas de 55 países que exibiram alguns equipamentos e apresentaram um mundo de produtos aos visitantes. Fios e fibras de alto desempenho, estruturas flexíveis com componentes de escala nanométrica, compósitos híbridos, reforço de concreto feito de tecido leve e tecnologia vestível se destacaram nesta edição. No segmento de construção e lar (buildtech e hometech), o Instituto de Máquinas Têxteis e Tecnologia de Materiais de Alto Desempenho  (ITM) da Universidade Técnica de Dresden, por exemplo, mostrou uma placa de concreto revestida de carbono com sensores integrados que visam monitorar as condições técnicas das estruturas, prevenindo acidentes. Na área da saúde (medtech), foram apresentadas soluções têxteis para o campo da tecnologia médica, proteção antibacteriana, curativos para feridas através de implantes à base de fibras e tecidos sensoriais (eletrônicos) para monitoramento de funções vitais. No setor de mobilidade (mobiltech), painéis e componentes para automóveis, feitos de plástico reforçado com fibras, tinham como principal apelo resistência e leveza, visando à redução no consumo de combustível. Outros produtos, como revestimento de bancos e interiores automotivos, cintos de segurança, filtros, airbags, além de uma bicicleta com um quadro composto integrado de poliamida e fibra de vidro, também foram mostrados aos visitantes.

Outra surpresa foi a exposição "Living in Space”, realizada dentro da feira, que teve como objetivo não só mostrar a realidade dos astronautas, utilizando roupas e materiais especiais para viver no espaço, bem como revelar a simbiose entre a ciência avançada e a milenar técnica de tecer e entrelaçar fios têxteis. Novidade também a presença de um boneco astronauta de 10 metros de altura, postado na entrada do Centro de Exposições, sinalizando o tema da feira. Os maiores grupos de expositores incluíram empresas com produtos para aplicações industriais (a maioria, com 762 participantes), setor automotivo e aeroespacial (673), arquitetura e construção (559) e segurança ocupacional (488).

A sustentabilidade continua a ser um tema importante para o setor têxtil. Durante o Simpósio Techtextil, os temas apresentados nas palestras técnicas focaram em especialidades como fibras baseadas em biopolímeros, têxteis para o cultivo de biomassa no mar aberto e fibras duráveis ​​e recicláveis. ​​

Confecção dinâmica

“Fábrica 4.0 e têxteis inteligentes não são tendências de amanhã, elas já fazem parte do presente. Hoje, podemos dizer que, se há uma indústria apta para o futuro, esta indústria é a têxtil e de vestuário”, disse o diretor Detlef Braun, da Messe Frankfurt, ao referir-se a uma das principais atrações da Texprocess: a produção de vestuário totalmente automatizada, digitalizada e descentralizada, moldada para atender processos de produção rápidos e integrados. Na feira, foi possível observar todas as etapas da indústria 4.0 numa microfábrica instalada no Hall 6.0, destinado à Texprocess.

Um estande que atraiu muitos olhares curiosos na feira foi o da Forster Rohner AG, com sua coleção de tecidos iluminados. Segundo o diretor de inovações da empresa suíça, Jan Zimmermann, a tecnologia e-broidery® permite a integração de efeitos de luz LED sobre superfícies têxteis sem comprometer a capacidade de lavagem da peça. “O segredo está na interligação robusta e, ao mesmo, tempo flexível dos componentes eletrônicos miniaturizados e integrados no tecido, além da técnica exclusiva de costura e bordado, que permite o encantamento das luzes na superfície têxtil”, explica Zimmermann. No estande, estavam expostos uma jaqueta de náilon iluminada e uma cortina e-broidery que durante o dia retém a energia do sol e à noite torna-se um céu estrelado dentro de casa. 

É de se ressaltar que a Audaces foi a única empresa 100% brasileira expondo seus produtos na Texprocess. Com sede em Florianópolis, Santa Catarina, exibiu produtos de seu portfolio, como plotter industrial, máquina de corte e a principal novidade: o sistema Audaces 360, que possibilita criar roupas através da tecnologia 4DAlize, num manequim tridimensional. A ficha técnica automatizada também facilita a comunicação entre estilista, modelista e demais áreas da confecção, sendo possível, já na fase de criação, simular o custo do produto. Segundo o sócio-diretor da Audaces, Claudio Grando, os profissionais da criação podem gerar um modelo digital, aprovar o design, o pré-custo e só então fazer o modelo físico, melhorando muito a eficiência na produção.

Representando também a América do Sul, a Enka Colombia S.A., fundada pelo grupo holandês Akzo Nobel na cidade de Antioquia, em 1964, expôs pela primeira vez na Techtêxtil. “Atualmente, somos os únicos fabricantes sul-americanos de filamentos de náilon e poliéster para aplicações técnicas e líderes em fios de náilon 6.0 para pneus e cordas de segurança em toda a região. Por isso, esta feira em Frankfurt é muito importante para dar visibilidade aos nossos produtos na Europa”, comenta Alejandro Guzmán Restrepo, gerente de negócios de têxteis da empresa. Segundo ele, a Enka tem crescido sua participação no mercado norte-americano como fornecedora de fios de alta tenacidade para grandes multinacionais como Pirelli, Goodyear e Titan. Com uma capacidade de 1.200 toneladas/mês, exporta bobinas para mais de 18 países. “Atuamos também no segmento de vestuário, com enforque na moda praia, underwear e esportiva, oferecendo uma gama completa de fios texturizados a ar, que conferem maciez e toque de algodão ao produto final”, acrescenta Guzmán, que também espera ampliar as vendas no Brasil. “Recentemente, participamos de uma feira em São Paulo, e o resultado foi muito satisfatório”, concluiu.

Tecnologia para têxteis técnicos

Na Techtextil, 40% dos visitantes, segundo pesquisa da Messe Frankfurt pós-feira, consideraram a situação econômica atual como boa para os negócios. "Você percebe que existe um bom clima de investimento na Europa. Tivemos muitos visitantes no nosso estande, principalmente europeus e americanos, além de mais russos do que prevíamos”, disse Jutta Stehr, gerente sênior de marketing da Trützschler Nonwovens. A executiva, entretanto, reconheceu que o maior mercado comprador de máquinas têxteis ainda é a China, que representa 40% das vendas da Trützschler no mundo. Quanto ao mercado brasileiro, ela informa que as vendas de cardas para processo de algodão são mais significativas do que as de nãotecidos, mas que, devido à crise, os investimentos estão parados. “Eu creio muito no potencial do Brasil, pois temos clientes de nãotecidos neste mercado também. Acredito que, tão logo a economia se recupere, os negócios poderão retornar.” A Trützschle se apresentou com estande informativo na feira. Destaque para a supercarda de rolo TWF-NCT de alto rendimento, lançada recentemente. Seu novo layout é especificamente adaptado para instalações spunlace, com velocidades de até 300 m/mim, e rolos com diâmetro máximo de 280 centímetros. “São três rolos grandes, os maiores do mercado, que permitem aumentar significativamente a área de cardagem, produzindo um véu mais fino e regular”, comenta Jutta Stehr, acrescentando que a Trützschler Nonwovens fornece cardas de rolo para uma variedade de fibras naturais e artificiais, destacando também o modelo Airlay EWKL para véus de orientação aleatória homogênea.

O grupo alemão Dilo se apresentou com um amplo estande informativo na Techtextil para mostrar produtos realizados com suas tecnologias. O diretor Hans-Jurgen Flauder disse que estar presente na maior e mais importante feira de nãotecidos e tecidos técnicos do mundo é fundamental para a expansão dos negócios da companhia. “Atuamos nos três processos para produção de nãotecidos, oferecendo linhas completas com equipamento de abertura e mistura de fibras da Dilo Temafa; tecnologia DiloSpinnbau para o sistema cardado e Dilo Machines para agulhado.” Entre as máquinas divulgadas, Flauder destacou a linha de cardas com áreas de trabalho de 800, 1.200, 1.600 e até 2.000 mm, que permitem produzir em velocidades de até 400 metros/minuto para processo de hidroentrelaçamento; o novo crosslappers DLSC Vector 200 horizontal (máquina cuja função é cruzar as fibras e produzir véus em camadas), com uma velocidade de alimentação máxima eletromecânica de até 200 metros/min, e o tear de agulhas DI-LOOM OD-I S 25, com largura de trabalho de 2,5 metros.

Fritz Legler, responsável pela área de vendas e marketing da empresa suíça Stäubli, também se mostrou animado com a feira. “Notamos que, nos últimos dez anos, tem crescido a procura por nossas máquinas por parte da indústria de tecidos técnicos, especialmente a europeia”, disse. A Stäubli mostrou alguns de seus produtos em parceria com a fabricante de teares belga Picanol. Destaque para duas máquinas que se encaixam especialmente no processo de produção de têxteis técnicos, entre elas, a atadora de urdume Magma T12, que foi demonstrada ligando monofilamentos de poliéster de diâmetro 0,40 mm com 140 fios cada. A máquina também é ideal para atamento de fibras liberianas tipo linho, juta e rami e fitas de polipropileno. Outra tecnologia consagrada da Stäubli é a máquina jacquard Unival 100, indicada para construções sofisticadas, como tecidos automotivos e aeronáuticos, esportivos e industriais mistos com fibra de vidro, carbono e aramida.

A Talleres Ratera se fez presente entre outras companhias espanholas que participaram da Techtextil, como Galán, Margasa, Masias e Rius. Em seu estande, exibiu a máquina trançadeira Gauge 680, que, segundo o diretor de vendas da empresa, Josep Ratera, produz o maior diâmetro de cordas (70 mm) para uma longitude de 220 metros da categoria. “A versatilidade da nossa máquina proporciona capacidade de trançar bobinas desde 63 mm a 200 mm, conforme a espessura do material final que se pretende produzir”, explica o diretor. Outra máquina exibida na feira, a trançadeira Double 80 de tamanho compacto, foi desenhada para elaboração de fibras delicadas e fios cirúrgicos. “A gama desta máquina começa em oito e vai até 144 fusos”, acrescenta Josep Ratera.

Acimit reúne fabricantes italianos

Assim como os expositores espanhóis, os fabricantes de máquinas italianos também marcaram presença na Techtextil Frankfurt. Dos 70 expositores, 25 se apresentaram numa área organizada pela Agência de Comercio da Associação dos Construtores Italianos de Máquinas Têxteis (Acimit), com estandes compactos e informativos.

A Noseda divulgou sua linha de máquinas integradas para tinturaria de fios, tecidos e nãotecidos. O foco da empresa foram as máquinas da série TS-A1, nos modelos básico, avançado e conceito, equipadas com o dispositivo patenteado AcquaZero ®, que permite uma relação de banho mínima e constante, mesmo quando a carga de máquina é variável, garantindo economia de água em todas as etapas do processo.

A Bianco, especializada em máquinas de acabamento para tecidos de malha, optou por destacar um novo projeto. Trata-se de um sistema de automatização e controle de embalagem, contendo unidade de verificação, corte e desenrolamento automático. É composto pelos módulos Bianco Clever, Magnifica e Smart, adaptados para trabalhar com multimateriais, como tecidos técnicos, nãotecidos, laminados, plástico e borracha. “Este é um desenvolvimento recente da empresa, voltado para este nicho de mercado dos tecidos técnicos, cujo principal comprador é a Europa, no momento. Nas outras áreas de atuação, que são as máquinas para acabamento de malharia, continuamos apostando em outros países de tradição têxtil, como Brasil, Bangladesh, Índia, Indonésia, Tailândia e China”, explica o gerente comercial para Europa, Luca Fabris.  

Outra empresa expositora no lounge italiano, a Ratti SRL, fabricante de máquinas de torção e recobrimento de fios têxteis, com gama de títulos que vai de 20dtex até 1.200dtex, apresentou tecnologia para recobrimento de fios técnicos, compostos por misturas com aramida, fibras de vidro e elastômeros de alta tenacidade. “Somos especialistas em processos de recobrimento e, por isso, capazes de fornecer máquinas sob medida para cada especialidade. O diferencial da nossa tecnologia é o sistema de controle eletrônico de tensão e metragem digital, que permite uma dimensão uniforme das bobinas”, argumenta o gerente Alessio Aldeni.

A Fadis Textile Machinery também aproveitou o espaço para apresentar máquinas bobinadeiras de fios de alta tenacidade para a indústria de tecidos militares e aeroespacial. “Somos experts em máquinas para enrolar, bobinar e misturar todos os tipos de fios têxteis. Ultimamente, temos percebido a procura por máquinas para processar fios técnicos. Porém, a extrusão dos polímeros e a preparação das fibras (etapas que antecedem à tecelagem) são muito importantes para que se desenvolvam materiais de alto desempenho”, orienta Raffaella Carabelli, diretora comercial da Fadis.   

O interesse pelo setor de tecidos técnicos motivou outras marcas italianas fora do espaço da Acimit. A EFI Reggiani Macchine, um dos maiores fornecedores globais de máquinas de estampar convencional, impressão digital e sistemas de pré-pós tratamento (lavagem, branqueamento e tingimento), apresentou a impressora digital ReNOIR NEXT. Graças à versatilidade, a máquina é capaz de imprimir tecido e papel, em larga escala, utilizando tinta reativa, ácida, dispersa, sublimática e pigmentada. Segundo o fabricante, é a primeira impressora digital com largura de 1,80m até 2,88m, dotada de um sistema de lavagem para diversos tipos de materiais robustos – o que a torna ideal para aplicações nas áreas de decoração e automobilístico.

Teares para cada tipo de produto

Empresa do Grupo Radici, com sede na Itália, a Itema se intitula como único fornecedor de tecnologia para os três tipos de inserção de trama: pinça, ar e projétil, cujas características são robustez, número reduzido de componentes, precisão nas operações, plataforma eletrônica de alto desempenho e baixa vibração, apesar das altas velocidades de inserção. Esta especialização em teares é oriunda da história de sucesso das marcas Somet, Sultex e Vamatex, que foram incorporadas à Itema há mais de uma década. Na Techtextil, a Itema destacou o airjet A9500p, lançado na ITMA 2015, em Milão, cuja principal vantagem é a redução de 30% no consumo de energia em comparação com os modelos anteriores. Essa economia é obtida graças ao novo bocal, que otimiza o fluxo de ar necessário para transmissão da inserção do fio de trama. O novo tear vem equipado com software patenteado Productivity Optimization System Itema (IPOs), que aumenta a produtividade da máquina.

Outro grande fabricante de tear europeu, o grupo belga Picanol, que há 75 anos constrói máquinas de tecer nas tecnologias pinça e ar, exibiu no Belgian Lounge amostras da sua ampla gama de teares para tecidos técnicos. Destaque para a série OMNIplus Summum, última geração em teares jato de ar  da marca. Construída sobre a nova plataforma BlueBox, a máquina traz novos recursos que aprimoram seu desempenho na tecelagem, com flexibilidade, menor consumo de ar comprimido e energia. Segundo a Picanol, este tear é ideal para tecidos industriais, substratos elásticos e airbag. Na tecnologia pinça, destaque para a linha OptiMax rapier, que processa ampla gama de tecidos com trama sofisticada, como fios flocados (aplicados principalmente na forração de assentos e interiores automotivos), chenile (decoração), multifilamentos (com ou sem torção) de PP, PE, PET, PTFE e PLA) e monofilamento (PP, PE, PET, PA). Disponível nas larguras de 190 cm até 360 cm, este tear de pinça é ideal produzir tecidos pesados. Já para substratos compostos por fibras duras, como junco e vidro, a Picanol aconselha o uso de acessórios especiais da Burcklé, marca encampada desde 2003. Dependendo da aplicação, os teares OptiMax rapier ou OMNIplus Summum airjet podem ser oferecidos com acessórios específicos, porém ambos são adequados para receber máquina Jacquard. O gerente de comunicação da Picanol, Erwin Devloo, confirmou que o segmento de têxteis técnicos cresceu muito nos últimos anos, de uma participação de 10% para 20% nos negócios da Picanol. 

No campo da malharia, a Stoll, fabricante de máquinas de tricô com sede na Alemanha, apresentou a nova retilínea CMS 330 HP WTT, adequada para a fabricação de vestuário esportivo e suportes ortopédicos compressivos, com opções para técnicas de inlay, padrões intársia e outras estruturas complexas em malha 3D. Já a italiana Comez, líder mundial em tecnologia de tricô e crochê com teares estreitos de agulhas, exibiu seu modelo mais recente, o Comez Acotronic 8B/600, com agulhas compostas, conjuntamente com a empresa Jakob Müller AG, com a qual mantém parceria. "Disponibilizamos nosso portfólio de máquinas, especialmente adequadas para artigos técnicos como fitas, talas, tecidos tubulares, tecidos 3D, redes simples e tubulares elastizadas, que são empregados em diversas aplicações industriais nos segmentos de geotêxteis, construção, automotivo, médico, esportivo, lazer e mobiliário”, explica o diretor de vendas, Fiorenzo Sanzani.

Embora seja pouco usada no Brasil, a grama sintética é um têxtil técnico muito difundido na Europa, Ásia e Estados Unidos. A evolução da composição dos fios de grama artificial melhorou consideravelmente nos últimos anos, resultando em uma maior utilização do produto não só nos campos de futebol, como também no paisagismo, decoração e áreas de laser de condomínios. A empresa belga Vandewiele, especialista em máquinas de tufagem para tapetes e carpetes, chamou atenção com seu estande todo verde na Techtextil. A grama, que impressiona por sua cor, toque e similaridade com a natural, é produzida no tear Cobble ST (Series Tufting Machine), uma máquina robusta, oferecida em versões de 4 ou 5 metros de largura, que pode trabalhar substratos com felpas ou tufos de até 70 mm de altura.

Química e acabamentos

Muitos dos efeitos especiais que garantem funcionalidade aos tecidos técnicos são obtidos por produtos químicos. Por isso, os principais representantes do setor marcaram presença na Techtextil Texporcess. 

A Archroma, com sede na Suíça, apresentou soluções para proteção contra incêndio, com a gama Pekoflam® não halogenada, certificada pelos selos ecológicos Gots ou Oeko-Tex; para repelência à sujidade líquida com Nuva® N, livre de acido perfluorooctanóico (PFOA* C6) e conforto térmico Smartrepel® Hydro, que mantém os tecidos de algodão, poliéster e poliamida longe da umidade. Destaque também para os pigmentos de alto desempenho Printofix® TF, desenvolvidos especialmente para tecidos sintéticos usados em guarda-sóis, barracas, toldos e outras aplicações que exigem resistência à intempéries. Outra novidade da empresa química foi a tecnologia de revestimento isenta de solventes com os polímeros Appretan®, Lurapret® e Texapret®, que permite manipulações e adaptações de superfície têxtil, indo de suave a duro, elástico a rígido, hidrófilo a hidrofóbico, impermeável a respirável. Estes polímeros também podem ser combinados com outras especialidades, como, por exemplo, produtos antimicrobianos, permitindo criar revestimentos customizados.

A Coating Applications Group, divisão de revestimento têxteis da ATC Manufacturing Ltd, baseada em Lancaster, na Inglaterra, expôs sua linha Cirrus  em PU (poliuretano) e Exeat em PVC de alto desempenho para propriedades como resistência à prova d'água e funcionalidades como respirável, retardador de chamas, antiestático e proteção química. Esses produtos são indicados para aplicações em lonas, coberturas, paraquedas, vestuário de segurança e esportivo, roupas de neve, entre outros usos finais.

A Wacker Textile Coating, com sede na Alemanha, apresentou a linha Elastosil®LR de borrachas de silicone líquido, isentas de solventes, que podem ser moldadas por injeção sem processamento secundário, para todos os tipos de revestimento têxtil. Quando aquecido acima de 120 °C, esses sistemas formam um filme flexível com boa ligação em grande variedade de têxteis. Destaque para a gama Elastosil® FLR, que, segundo a empresa, são particularmente resistentes a fluidos corrosivos. A principal característica dos silicones da Wacker é a baixa viscosidade e a perfeita aderência têxtil, exigida nas aplicações de uso geral.

Um dos principais desenvolvedores e fabricantes de produtos químicos especiais para a indústria de fibras, têxtil e couro, a multinacional Pulcra Chemicals apresentou a tecnologia Pulcra TEC, livre de flúor e formaldeído, para tratamento têxtil hidrofóbico. A empresa informa que a aplicação em tecidos sintéticos ou mistos pode ser feita por foulard. A temperatura do processo deve ser de 150 °C para fornecer condensação química adequada após a secagem convencional, a fim de se obter durabilidade na lavagem. Os produtos podem ser utilizados em diluição aquosa isolada ou combinada com outros auxiliares de acabamento. Outra novidade é a linha Stantex S6887, nova geração de acabamento de rotação para aplicação em nãotecidos higiênicos (fraldas e absorventes). Os acabamentos de rotação são comumente aplicados a partir de uma emulsão aquosa, que está sujeita a contaminação bacteriana ou fungicida. Essa nova geração tem baixa tendência a migrar para o polímero e fornece também, segundo a Pulcra, propriedades hidrófilas duráveis.

Com sede em Singapura e atuação global, o DyStar® Group oferece uma gama completa de corantes, auxiliares químicos e serviços para o setor de beneficiamento e acabamento. Na Techtextil, expôs um pacote de soluções para vestimenta profissional, com cortantes Dianix® Red XF2 e Dianix Turquoise XF2 de alta solidez, e auxiliares para efeitos de acabamento funcional. Além dos produtos, a empresa apresentou o Cadira®, novo módulo no programa DyStar Resource Efficiency e seus conceitos, que reduzem consideravelmente o consumo de água, resíduos e energia na indústria têxtil.

A Brückner, fabricante alemão de máquinas para acabamento, aproveitou a feira para divulgar o novo foulard de impregnação Supra-Flow BX para tecidos e nãotecidos, o secador Etro, com design diferenciado em forma de arco, adequado para revestimento com PVC ou adesivos, e a unidade de aplicação de produtos químicos Eco-Coat, lançada no mercado em 2015. A Brückner também fabrica ramas, secadores, sanforizadeiras, máquinas de tingimento, entre outras tecnologias para beneficiamento têxtil.

Novidades em fios técnicos

Os fios também são elementos fundamentais nas inovações têxteis. Tanto desenvolvedores de tecnologia quanto de produtos estiveram presentes da Techtextil para mostrar seus lançamentos ao mercado.

A Saurer Allma e Volkmann, duas empresas do Grupo Saurer, especializado em máquinas de cabeamento e torção, exibiram um módulo da nova retorcedeira TechnoCorder TC2, para  fios industriais. Com um indicador de fuso adicional de 830 mm, esta máquina amplia consideravelmente a gama de títulos, possibilitando trabalhar, por exemplo, com diferentes materiais, como poliamida e aramida, com torções diferenciadas. Segundo o fabricante, o software FlexiPly permite a produção de fios híbridos. Entre outros benefícios oferecidos, está a velocidade de entrega de até 400 m/min. 

A TWD Fibers, da Alemanha, se destacou na feira com sua coleção de fios Diolen® de poliéster metálico e poliéster fluorescente, além de poliamida 6.6 para workwear e têxteis médicos. Segundo a empresa, uma paleta de poliéster, tingida na fiação, oferece um bom ponto de partida para diferenciação nos têxteis técnicos. Além disso, pigmentos de cores especiais oferecem uma ampla gama de vantagens: o tingimento acontece no processo de fabricação do fio, o que polui menos em comparação aos processos posteriores de tinturaria e lavanderia. Além disso, o fio tinto confere uma cor muito mais uniforme, com maior durabilidade e homogeneidade. Na feira, a empresa lançou duas novas cores que atendem ao padrão mundial de sinalização visível, conforme prescrito para uso vestimenta de trabalho e roupas de segurança na DIN EN ISO 20741: 2013-09. E para o segmento de vestuário esportivo e de moda, a TWD Fibers mostrou uma gama metálica, nas variações de ouro, prata, platina e cobre, disponível tanto em poliéster Dionen® quanto em fio de poliamida 6.9 Timbrelle®. Graças ao tingimento sem banho de tintura, os fios estão disponíveis em lotes pequenos e em escala de volume flexível.

Com sede em Israel, a Nilit Fibers é especializada na produção de fios de náilon 6.6, que foram desenvolvidos para combinar tenacidade, resistência à abrasão e outros benefícios para agregar funcionalidade aos tecidos médicos, estofos automotivos e tecidos industriais diversos. Suas técnicas de fabricação exclusivas produzem fibras com características de desempenho que tornam tecidos com capacidades inerentes para gerenciar a umidade, regular a temperatura corporal, habilitar a proteção antimicrobiana e resistir à radiação UV. Entre a sua vasta gama de produtos, destaque para o Nilit® Heat, um fio  projetado exclusivamente com substância de carvão vegetal para capturar e conservar o calor natural do corpo. O produto, segundo a empresa, garante isolamento térmico superior, propriedades antibacterianas e poderoso efeito desodorante.

A próxima edição da Techtextil e Texprocess acontecerá simultaneamente, em Frankfurt, de 14 a 17 de maio de 2019. Preparem-se para uma nova viagem ao universo dos têxteis inovadores.

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Por: Marcia Mariano

Data de publicação: 15/12/2017

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A Abit – Associação Brasileira da Indústria Têxtil celebra a entrada em vigor, no último dia 20 de dezembro, do acordo comercial entre o Mercosul e a Colômbia, que permitiu zerar as alíquotas do imposto de importação aplicadas a tecidos e vestuário.  2018-01-08 - Tags: fmi abit mercosul colombiatex colombia acordo comercial fernando pimentel america do sul america latina

Retrospectiva: O têxtil do futuro visto do espaço
A 17ª Techtextil e 4ª Texprocess, maior evento internacional dedicado aos têxteis técnicos, nãotecidos e processamento de materiais flexíveis, apontou que a conexão entre a indústria de manufatura e as start-ups tecnológicas é o caminho para a inovação têxtil.  2017-12-15 - Tags: techtextil texproces messe frankfurt detlef braun dresden living in space naotecidos mobiltech

Archroma celebra sucesso das parcerias estratégicas
Archroma, líder global em cor e especialidades químicas conhecidas pelo pioneirismo na engenharia da cor utilizada nos têxteis e moda, celebra o avanço do seu sistema de biblioteca de cor de sua Color Atlas.  2017-12-14 - Tags: archroma chris hipps archroma color management wgsn color atlas

SENAI CETIQT amplia a sua atuação com a inauguração da planta de fibras químicas
O SENAI CETIQT inaugurou esse ano a planta de Fibras Químicas a fim de apoiar as indústrias no desenvolvimento de pesquisas para a fabricação de fios com funcionalidades. Tecidos com repelência a insetos, proteção à radiação UV, propriedades antimicrobianas e antichamas são exemplos dos produtos têxteis com funcionalidades que já são tendências no mercado internacional e nacional.  2017-12-11 - Tags: senai cetiqt abrafas fibras quimicas beneficiamento textil ricardo cecci

Instituto Senai de Inovação mudará de endereço no Rio
A direção do Senai Cetiqt informa que o Instituto Senai de Inovação (pesquisa e desenvolvimento) será transferido a partir de fevereiro de 2019, de sua unidade no bairro do Riachuelo (zona Norte do Rio), para o Parque Tecnológico da Universidade Federal do Rio de Janeiro, na Ilha do Fundão.  2017-12-06 - Tags: senai cetiqt instituto senai de inovavcao abtt rio de janeiro

Catarinense Texneo anuncia novo diretor de mercado
A Texneo, especializada em malhas para os segmentos sportswear, beachwear e underwear anuncia seu novo Diretor de Mercado. Johnny Francis Gaulke, 37 anos, assume a função na empresa de Indaial com o objetivo de continuar o trabalho de reposicionamento da marca da empresa, ampliar a participação no mercado e fortalecer o processo de internacionalização do grupo.  2017-11-30 - Tags: texneo malhas sportswear beachwear underwear johnny francis gaulke textil