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Cresce apelo ao algodão orgânico, mas consumo ainda é baixo

O setor de produtos orgânicos tem apresentando curva ascendente nos últimos cinco anos. Nos Estados Unidos, por exemplo, a Associação de Comércio Orgânico (OTA) informa que aproximadamente 22,7 milhões de toneladas métricas (MT) de algodão (equivalente a 104,2 milhões de fardos) cresceram globalmente em 2016/17, ocupando 29,8 milhões de hectares de terras. Isto equivale a 2,6% das áreas cultiváveis globais em 61 países. No Brasil, o Ministério da Agricultura também anunciou que a produção de orgânicos quase dobrou desde 2013, porém, no que se refere ao algodão, o cultivar orgânico representa apenas 0,1% (cerca de 100 hectares) da colheita anual.

Os algodões cultivados sem uso de reguladores de crescimento e/ou produtos químicos sintéticos como fertilizantes, pesticidas, herbicidas, fungicidas, entre outros, ainda são considerados matéria-prima para nicho de mercado têxtil/vestuário mundo a fora. E esta resistência não está nos consumidores, que vem sendo seduzidos, inclusive por cadeias globais de moda como a Zara e C&A, a comprar roupas feitas com algodão ecológico, pagando um pouco mais por isso, em defesa do meio ambiente.

O problema está nos custos adicionais e na rentabilidade do negócio. Os produtores de algodão alegam que o controle manual de pragas é muito mais oneroso que o sistema tradicional e que por isso, a colheita orgânica não tem escala, logo, poucos vão se interessar em investir neste tipo de plantio. No Brasil, hoje o quinto maior produtor mundial de algodão, das cerca de 1,2 milhão de toneladas de plumas processadas em 2016, apenas 22 toneladas foram fibras orgânicas, destaca artigo publicado no site Globo Rural.

Um “vilão” natural

Esta discussão também mobiliza os produtores norte-americanos. No País com a maior economia do mundo, o algodão ocupa o terceiro lugar em termos de uso de pesticidas, perdendo apenas para o milho e a soja. Mais de 38 milhões de quilos de pesticidas foram utilizados nas plantações de algodão nos EUA em 2014.  De acordo com Associação de Comercio Orgânico, a produção mundial de algodão libera 220 milhões de toneladas métricas (MT) de dióxido de carbono por ano na atmosfera. Além disso, são necessários mais de 2.700 litros de água para fazer uma camiseta de algodão convencional e quase 11.000 litros para fazer um jeans. 

Na Índia, que abriga mais agricultores de algodão do que qualquer outro país no mundo, os pesticidas aplicados à produção de algodão representam mais de metade do valor total aplicado anualmente, apesar de a área plantada ocupar apenas 5% de todas as terras agrícolas daquele país. Os fertilizantes sintéticos, dos quais quase 973 milhões de libras foram utilizados em algodão americano em 2015, são considerados prejudiciais ao meio ambiente, causando lixiviação que afetam habitats e poços de água doce. Os fertilizantes sintéticos à base de nitrogênio, que constituíram mais de metade (52%) de todo o uso de fertilizantes de algodão dos EUA, também são um dos principais responsáveis para o aumento das emissões de óxido nitroso (N2O), que são 310 vezes mais potentes do que o dióxido de carbono (CO2) como um gás com efeito de estufa. O estudo da associação revela que no ano agrícola de 2015, os agricultores norte-americanos usaram fertilizantes nitrogenados em 78% das plantações de algodão, totalizando 503,7 milhões de libras aplicadas aos 8,6 milhões de acres plantados.

E por que orgânico?

De todas as fibras naturais, o algodão orgânico tem despontado como o mais popular para uso em confecções têxteis por ser cultivado usando métodos e materiais com baixo impacto ambiental. Entre os fatores atrativos apontados pela OTA está o uso de fertilizantes naturais, como adubo e esterco animal, que recicla o nitrogênio já no solo, reduzindo as emissões de poluição e N2O. Este método também diminui as emissões de carbono na atmosfera, garantem os especialistas. Em vez de fertilizantes sintéticos, a maioria dos agricultores de algodão orgânico utiliza composto natural e alguns utilizam estrume in natura ou produtos biológicos. Os sistemas de produção orgânica reabastecem e mantêm a fertilidade do solo, eliminando o uso de pesticidas tóxicos de uso contínuo, criando uma agricultura biologicamente diversificada. As organizações de certificação verificam que os produtores orgânicos utilizam apenas métodos e materiais permitidos na produção orgânica. Além disso, os regulamentos federais proíbem o uso de sementes geneticamente modificadas para a agricultura orgânica. Todo o algodão vendido como orgânico nos Estados Unidos deve cumprir regulamentos federais rígidos que atestam como o algodão é cultivado.

Apesar da inexpressiva representatividade comercial do algodão orgânico em comparação ao convencional, o fato é que sua produção vem sendo estimulada inclusive por grandes marcas de moda e varejo, não só como apelo de marketing, mas de efetiva ação de conscientização ambiental. Uma análise do ciclo de vida do produto final, comparando o algodão orgânico com a produção convencional, indicou que com algodão orgânico conseguiu: 46% redução no potencial de aquecimento global; 70% menos potencial de acidificação; 26% redução no potencial de erosão do solo; 91% redução no consumo de água e 62% redução na demanda de energia primária.

Além disso, o algodão orgânico não é geneticamente modificado, pois o uso da engenharia genética é proibido na agricultura orgânica pelo Global Organic Textile Standard (GOTS). Segundo o organismo, o número de instalações em todo o mundo certificadas cresceu para 3.814 fábricas em 68 países em 2015. Os 15 principais países em termos de número total de instalações certificadas pela GOTS são Índia (1.441), Turquia (489), Alemanha (306), Bangladesh (210), China (201) Paquistão (142), Itália (141), Portugal (89), Coreia do Sul (80), Japão (65), EUA (60), França (56), Reino Unido (49), Áustria (49) e Dinamarca (41). 

O Portal Textília.net não autoriza a reprodução total ou parcial de qualquer conteúdo aqui publicado, sem prévia e expressa autorização. Infrações sujeitas a sanções.

Edição: Marcia Mariao
Fonte: Organic Trade Association, abril de 2017 e Globo Rural (2016).
Foto: Divulgação

Data de publicação: 12/09/2017

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