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Empresas e Personalidades

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Um produto por excelência

Única do setor têxtil a obter o certificado ISO 9000, a Du Pont do Brasil mostra como a Fábrica de Lycra® de Paulinia-SP tornou-se a primeira do grupo a ter seu sistema de produção reconhecido internacionalmente.

Nem tudo é negativo no Brasil. Apesar da recessão, do desemprego e da queda de investimentos na indústria, há empresas que desafiam essa conjuntura e conseguem para o país um lugar de destaque entre as nações desenvolvidas. A Du Pont do Brasil é um exemplo desta determinação. Em janeiro de 1992, sua fábrica de fibras de poliuretano, comercialmente conhecida por Lycra®, localizada em Paulínia, conquistou o certificado ISO 9000, espécie de "ingresso" para o seleto grupo de empresas que têm o reconhecimento internacional de seus sistemas de produção.

O superintendente de Sistemas de Qualidade da Fábrica de Paulínia, Albert A. Amiel, coordenador do grupo de trabalho que durante doze meses dedicou-se à tarefa de conquistar o certificado para a empresa, revela à Textília que o único segredo desta "vitória" foi a vontade de "fazer as coisas bem feitas, com competência e organização". Graças a este princípio, a fábrica brasileira foi a primeira entre as oito fábricas de fio elastano Lycra® da Du Pont mundial a conquistar a ISO 9000, estimulando as co-irmãs Fábrica de Lycra® de Mercedes e Fábrica de Nylon de Berazategui, ambas na Argentina, a conseguirem o mesmo feito.

A Du Pont América do Sul, com sede em Alphaville, São Paulo, é formada por dez unidades industriais instaladas na Argentina, Colombia, Venezuela e Brasil. Detentora de vária linhas de produtos, atua nos setores de fibras sintéticas o fio elastano Lycra® entre outros. no Brasil em 1962, o fio Lycra® marca registrada e considerada notória* até o ano 2002 - está presente em mais de 90 países , tendo participação de 83% no mercado brasileiro, conforme pesquisa do Instituto Gallup. No ano passado, a Du Pont América do Sul faturou em torno de US$750 milhões e a expectativa para 93 é atingir US$800 milhões. A E.I. Du Pont de Nemours & Company, matriz do grupo fundado em 1802 nos Estados Unidos, fatura anualmente em vendas US$40 bilhões.

Funcionário da empresa há 20 anos, Albert Amiel é engenheiro químico, formado pela Universidade Mackenzie de São Paulo e administrador de empresas com título conferido pela PUC de Campinas. Há um ano assumiu a coordenação dos grupos de trabalho (Manutenção, Projetos, Qualidade, Processos e Produção) que reuniram representantes de todos os funcionários da Fábrica de Paulínia, a fim de reorganizar a produção em função das normas determinadas pela ISO. "O principal motivo que nos levou a esse trabalho foi a necessidade de preparar a Fábrica para exportar para a Europa, já em franco processo de unificação de mercado", recorda Amiel, que a seguir explica a importância do certificado.

Textília - O certificado ISO 9000 não garante a qualidade do produto e sim, a qualidade dos processos de produção. Qual a diferença entre esses conceitos?

Amiel - Não existe fórmula que garanta a qualidade total de um produto. Por isso, ter um sistema onde o processo de fabricação é constantemente acompanhado, desde o fornecimento de matéria-prima até a comercialização do produto, mantém-se, sob as condições de excelência máxima, todas as etapas do mesmo, permitindo assim que o cliente receba um produto final confiável.

Textília - Como é feita a seleção da matéria-prima?

Amiel - Pela norma existe duas maneiras de assegurar a qualidade da matéria-prima, uma, a mais comum, é adquiri-la dos fornecedores já certificados pela ISO 9000. A outra, usada no caso na Fábrica de Paulínia, é fazer um programa de homologação de fornecedores da seguinte maneira: verifica-se, por meio de avaliação técnica, se o sistema de produção da matéria-prima é satisfatório. Conferido, exige-se um certificado de conformidade de acordo com especificações da matéria-prima que será utilizada no produto, o qual se destina. Para evitar logro, fazemos uma vez por ano, uma auditagem nos fornecedores e solicitamos o certificado para cada lote de matéria-prima a ser enviado. A Du Pont utiliza 18 matérias-primas para fabricação do fio, o glicol, um derivado de petróleo, é uma delas.

Textília - Uma das exigências da ISO são as análises constantes do produto. Quanto a Du Pont investiu para manter esta série de pesquisas...

Amiel - As despesas de preparação, ou seja, organização dos grupos de trabalho, documentação e auditagem nos fornecedores consumiram, na época, cerca de US$50 mil. Fora isso, a empresa gasta entre US$5 mil a US$10 mil a cada seis meses para manter a inspeção periódica do BSI, British Standards Institution.

Textília - Este foi o órgão que concedeu o certificado?

Amiel - Exatamente. A ISO, International Organization for Standardization, com sede em Genebra, na Suíça, é o órgão normalizador, enquanto o IQA, Instituto of Quality Assurance, da Inglaterra, é o órgão que dá a autorização para que outras agências credenciadas por ele concedam o certificado. No caso da Du Pont, o certificado foi emitido pelo BSI, que assim como o IQA, está instalado na Inglaterra.

Textília - Mas no Brasil não existe entidade credenciada? Uma das propostas da Associação Brasileira da Indústria Têxtil (ABIT) é que o SENAI-CETIQT seja o órgão competente para fornecer o certificado ISO 9000. O que o senhor acha da idéia?

Amiel - Com relação à primeira parte da pergunta digo que a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) é um dos membros da ISO, mas o Inmetro -Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualificação que registra as normas brasileiras, não é reconhecido pelo IQA. A proposta da ABIT é boa, pois o SENAI-CETIQT, se se atualizar conforme os requisitos internacionais, tem plenas condições de fornecer o certificado, já que se trata de uma instituição técnica reconhecida no setor. Isso até tornaria a auditoria mais acessível, embora antes de optarmos pelo BSI, consultamos a Fundação Vanzolini para fazer a auditagem, mas o preço não foi muito competitivo, daí decidimos pelos ingleses. Entretanto, acho que o Brasil possui instituições gabaritadas para conceder o certificado.

Textília - Quais foram os benefícios trazidos pela certificação? Houve ganho de produtividade?

Amiel - Sem dúvida. A produtividade aumentou 10% com a racionalização da produção. Durante o trabalho, verificamos por exemplo que uma determinada tarefa era executada diversas vezes por pessoas diferentes dentro do processo. A partir da homologação dos fornecedores, deixamos também de fazer análises de matérias-primas. Ampliamos a produção da fábrica em 20% e não precisamos contratar pessoal. Estas são algumas das vantagens que posso citar agora, o principal ganho foi ter a garantia de um sistema de qualidade eficiente em que, através de um rastreamento, é possível detectar falhas durante o processo de produção, até mesmo na sua origem, e corrigí-Ias, evitando que o produto chegue ao cliente com defeito. Isto é a essência da nossa credibilidade no mercado.

Textília - A partir de sua experiência, quais os caminhos para que outras empresas do setor têxtil também sejam certificadas pela ISO 9000?

Amiel - Eu diria que não apenas o setor têxtil, mas a indústria nacional como um todo. A abertura de mercado é uma realidade irreversível e também um grande desafio para o Brasil. O empresário tem que se conscientizar disso, pois se não melhorar a produtividade e nem a qualidade de seu produto não terá acesso ao mercado externo, cada vez mais exigente, e ainda correrá o risco de perder o seu próprio mercado. É preciso motivação do topo da empresa até sua base. É um trabalho conjunto em que os resultados pertencem a todos. Para se ter uma idéia, enquanto no Brasil o desperdício chega a 20%, ou seja, produz-se 100 e vende-se 80, no, Japão este percentual de desperdício não chega a 2%. Enquanto no Brasil não temos mais do que cem empresas certificadas pela ISO, na Inglaterra são 20 mil.

 

 
 

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Por: Márcia Mariano

Data de publicação: 01/04/1993

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