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Empresas e Personalidades

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Nãotecidos dá sinais de que pode crescer no Brasil

São promissoras as perspectivas globais para os nãotecidos - mantas formadas por fibras e filamentos destinadas a diversos segmentos industriais como o automobilístico, construção civil, filtração, têxteis e calçados, embalagens, higiene e saúde. A Smithers Pira, empresa especia- lizada em análise e projeções para cadeias de fornecimento de embalagem, divulgou na Europa relatório projetando crescimento do mercado global de nãotecidos para 6,3%, devendo alcançar US$ 57 bilhões em 2022. No Brasil, apesar de o consumo ainda ser muito baixo se comparado aos dos países desenvolvidos (1,7 kg per capita contra 7 kg nos EUA), há sinais positivos em alguns segmentos. Empresas do setor calculam que o mercado interno irá crescer 6,6% até 2020. Por conta dessas previsões, fabricantes nacionais e internacionais já estão realizando investimentos visando à expansão do consumo industrial. A dinamarquesa Fibertex Nonwovens anunciou, em setembro de 2018, que aumentará a capacidade de produção brasileira em 20% para atender a crescente demanda das indústrias automobilísticas. Em novembro, foi a vez da Fabril Scavone S.A., uma das líderes nacionais na produção de nãotecidos, divulgar a construção de uma nova fábrica de nãotecidos agulhados no município de Itatiba, em São Paulo, para atender os setores automobilístico, filtração, geotêxteis, laminados sintéticos, calçados, de acústica e moveleiro. Nos últimos anos, o Brasil tem despertado o interesse das principais associações internacionais de nãotecidos, a INDA (americana) e Edana (europeia), que realizarão, pela terceira vez no país (desde 2015), a conferência Outlook™ Plus Latin America 2019. O evento está marcado para os dias 7, 8 e 9 de maio, em São Paulo.

Para falar sobre as perspectivas dos nãotecidos no Brasil, entrevistamos o executivo Laerte Guião Maroni, 63 anos, conselheiro estratégico do Sinditêx- tilSP e do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo) de Jundiaí e experiente conhecedor de produto e das tecnologias de fabricação. Engenheiro civil e administrador de empresas, atualmente no cargo de diretor comercial da Fabril Scavone, Maroni atua no setor há 35 anos, tendo participado da fundação da Abint (Associação Brasileira das Indústria de Nãotecidos e Tecidos Técnicos) há mais de 25 anos, da qual foi eleito presidente por seis vezes. Na atual gestão, comandada por Carlos Eduardo Benatto, Laerte Maroni atua como diretor de Relações com o Mercado. Confira.

Textília: Que avaliação o senhor faz do mercado de nãotecidos brasileiro atualmente?

Laerte Guião Maroni: O mercado brasileiro de nãotecidos é importante em termos de consumo, mas ainda muito menor do que os de países mais desenvolvidos como Estados Unidos e a maioria dos países da Comunidade Europeia, além de asiáticos como China, Coreia do Sul e Japão. Em dados aproximados, considerando os índices de penetração para a maioria dos tipos de nãotecidos, por exemplo, o nosso consumo anual per capita está por volta de 1,7 kg/hab/ano, enquanto o maior consumidor mundial, que são os EUA, tem um consumo de 7,0 kg/hab/ano. Mesmo resguardando a diferença de poder aquisitivo de cada população, vemos que há potencial para crescimento no Brasil.

Textília: Quais os segmentos mais desenvolvidos em termos de produto no mercado brasileiro?

Maroni: No geral, o índice de penetração dos nãotecidos, como falei, ainda é baixo. Mesmo nos segmentos que já os utilizam desde o início dos anos 1970, como é o caso dos geotêxteis, o consumo é estimado em cerca de 10 mil toneladas anuais, ou seja, similar ao consumo da França. No caso do segmento de fraldas descartáveis, há espaço para crescer no Brasil, enquanto que nos EUA o índice de penetração beira a saturação (perto de 95%). A indústria automobilística também é um mercado em expansão. É bem verdade que grande parte do parque industrial brasileiro de nãotecidos tem uma idade avançada, necessitando de investimentos de modernização e novos equipamentos. Todavia, a indústria mais moderna possui tecnologia para fazer produtos similares aos dos países desenvolvi- dos, faltando apenas maior agregação de valor em termos de desempenho e de melhor preço de vendas.

Textília: Como executivo experiente neste mercado, qual a expectativa do setor em relação ao novo governo que começou em 2019?

Maroni: As expectativas são bastante positivas. A volta do crescimento econômico, a queda do desemprego e o retorno dos investimentos, especialmente em obras de infraestrutura, deverão alavancar as vendas de nãotecidos em geral no país. Costumamos dizer que a venda de nãotecido tem relação com os resultados da economia. Cada 1% de crescimento do PIB resulta em 3% a 4% de crescimento das vendas de nãotecidos.

Textília: Em 2017, o consumo aparente de nãotecidos no Brasil foi de 324 mil toneladas. Houve aumento no consumo em 2018? Qual a previsão para 2019?

Maroni: Avaliamos que o consumo aparente em 2018 foi de 345.000 toneladas, portanto, um crescimento de aproximadamente 6,5%. Para 2019, a previsão é crescer 7,5%, em um volume total de 370.000 toneladas.

Textília: No mercado têxtil e de confecção, a pressão dos consumidores por sustentabilidade tem sido muito forte. Pode nos dar exemplo de processo sustentável na indústria de nãotecidos?

Maroni: Sim, nos mercados de nãotecidos e tecidos técnicos a pressão ambiental também é grande. Dentro do têxtil, os nãotecidos de poliéster representam um exemplo de sustentabilidade, pois mais de 50% das indústrias usam fibras recicladas de garrafas PET. No caso dos geotêx- teis, os nãotecidos, quando utilizados em obras de infraestrutura e obras ambientais, economizam o uso de matérias-primas naturais.

Textília: Um dos gargalos para o desenvolvimento do mercado brasileiro de têxteis técnicos, além do custo de capital, é a carência de mão de obra especializada na área. Qual sua visão a respeito da formação profissional no Brasil?

Maroni: Esse problema não é só da indústria de têxteis técnicos, mas sim da formação educacional básica em geral do país. Também faltam incentivos para cursos técnicos e cursos universitários de curta duração.

Textília: É necessário ter formação em engenharia química para trabalhar no setor de nãotecidos, ou basta curso profissionalizante?

Maroni: Não, na indústria de nãotecidos há espaço para profissionais de diversas áreas, da química, de materiais, do têxtil, do plástico e muitas outras.

Textília: O PET reciclado é usado em várias aplicações de nãotecidos. No caso da Scavone, essa matéria-prima será utilizada na produção da nova fábrica que entrará em operação em 2020?

Maroni: A Scavone Nãotecidos já é um grande consumidor das fibras (R-PET), e estimamos que em nossa nova planta o consumo desse tipo de fibras será por volta de 70%.

Textília: O planejamento divulgado de 1.250 toneladas mensais de nãotecidos da Scavone será mantido, ou vai depender do sucesso do governo em aprovar as reformas?

Maroni: É claro que o crescimento da economia vai influenciar, mas o potencial e a demanda reprimida já existente impulsionarão o consumo de nãotecidos no mercado interno. Temos equipamentos modernos e de grande capacidade de produção para atender não só à demanda por volu- me como também à por qualidade, conforme as exigências dos clientes. A máquina nova que adquirimos contribuirá para essas 1.250 toneladas com tais características.

Textília: A Scavone exporta nãotecidos para quais países? O investi- mento na nova fábrica será para aumentar o volume ou para atender novos mercados?

Maroni: Nós exportamos para Argentina e Colômbia, mas o volume hoje é pequeno e fica por volta dos 5%. Nosso plano é no médio prazo passar a exportar pelo menos 10% de nossa capacidade de produção. O novo investimento vem nesse sentido, ou seja, para atender demandas atuais e futuras, e também para atender novos mercados.

Textília: Qual foi o investimento realizado na nova fábrica? Que tipo de tecnologia foi implantada?

Maroni: O valor total do investimento não é divulgado em função de “compliance” da nossa holding. A linha de produção terá uma máquina de nãotecidos cardados, agulhados e termocalandrados, composta basicamente de abertura e preparação de fibras, cardagem, dobrador de véus, estirador, agulhadeiras, controle eletrônico, calandras térmicas e enroladores.

 

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Edição por: Marcia Mariano
Textília Têxteis Interamericanos - ed. 111

Data de publicação: 05/02/2019

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