Vestuário brasileiro fechará ano negativo
O ano de 2011 não deixará saudades para o setor de vestuário. Com queda de 3,5% na produção nacional, demissão de 2 mil trabalhadores no segundo semestre e perda de mercado para os produtos importados, a indústria de confecção espera por ações imediatas do Governo Federal para não acumular mais prejuízos em 2012. O alerta foi dado pelo presidente do Sindivestuário (entidade que reúne os sindicatos de fabricantes de roupas femininas, masculinas, infanto-juvenil e bebê), Ronald Masijah, durante coletiva na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). “Até não termos o compromisso do ministro da Fazenda, Guido Mantega, de que anunciará medidas em prol do setor, ainda em dezembro, eu estava muito pessimista com o futuro. Nunca vivemos uma situação de véspera de Natal com um quadro tão desolador”, disse Masijah que também é empresário do ramo de confecção.
Segundo ele, os dados de 2011 não são nada animadores. “Os resultados de deste ano apontam para uma forte redução no ritmo na atividade industrial, tanto em termos nacionais como em São Paulo, o maior produtor têxtil do país. As confecções estão com dois meses de estoque acumulados, em média, a taxa de emprego registrou -4% de pessoal ocupado no Brasil e -8% em São Paulo. Na produção industrial, o resultado também foi ruim: -3,5% no Brasil e -6% em São Paulo”, detalha o dirigente. Ainda de acordo com ele, nos últimos 12 meses, as importações de roupas no Brasil cresceram 62%, resultando em déficit de US$ 1,7 bilhão na balança comercial no setor de vestuário (excluindo tecidos, fibras têxteis). O faturamento da cadeia têxtil/confecção no Brasil é de US$ 60,5 bilhões. O setor gera 1,7 milhão de empregos diretos e reúne 30 mil empresas, sendo que no segmento confecção, 80% é de pequenas e micro empresas.
Luz amarela
Ronald Masijah revela que mesmo a redução de ICMS, anunciada pelo governo paulista para incentivar a produção industrial no estado não foi suficiente para motivar as confecções. “São Paulo responde por 40% da produção e do emprego na indústria de vestuário nacional, logo, serve de termômetro para mostrar o quanto a situação está difícil”, diz o dirigente, afirmando que 10% das empresas do setor deverão sofrer com problemas financeiros por causa da queda nas vendas. O medo de que a crise na Europa contamine a economia brasileira, levando à retração do consumo interno, além do aumento das importações, são motivos de sobra para que empresários colocarem o pé no freio, avalia o dirigente. Masijah diz que muitas empresas têm até preferido suspender a produção e importar roupa pronta – colocando apenas a etiqueta nacional no produto - para poder enfrentar “em pé de igualdade” a concorrência externa. “Isto é terrível, pois você deixa de gerar emprego e renda no país”, lamentou. Segundo ele, enquanto a produção paulista de vestuário apresentou queda de 6%, as vendas no varejo cresceram entre 6% e 10%, sendo que boa parte dos produtos oferecidos nas araras é de importados. “Eu desafio a encontrarem roupas 100% feitas no Brasil”, disse.
Socorro do governo
Diante deste cenário, as esperanças dos confeccionistas se voltam para o Ministro da Fazenda, Guido Mantega, que na semana passada reuniu-se com pesos pesados da indústria têxtil nacional e prometeu soluções antes do final do ano. Segundo Masijah participaram no encontro os empresários Josué Christiano Gomes da Silva, presidente do Grupo Coteminas; Vicente Donini, da Marisol; Oswaldo Oliveira, da Valisère, Ivo Rosset, do Grupo Rosset, Agnaldo Diniz Filho, diretor da Cedro Cachoeira e presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit), e Alfredo Bonducki, presidente do Sinditêxtil-SP.
Na ocasião, foram apresentadas três reivindicações: a primeira é o regime tributário diferenciado para a indústria de confecção com a mesma lógica do Simples Nacional. O presidente do Sindivestuário explica que a ideia é evitar que as empresas se “pulverizem” quando começam a superar o faturamento que lhes dá direito a permanecer no sistema que unifica a cobrança de oito impostos e contribuições. “Estamos sugerindo, por exemplo, que seja revisto o teto de 12% sobre a receita bruta na indústria para fins de contribuição para o Fisco, pois isso acaba interferindo na escala de produção, ou seja, as empresas preferem permanecer pequenas, e com isso acabam perdendo competitividade”.
Além desta medida, o setor também reivindica a redução de 1,5% para 0,8% da alíquota sobre o faturamento bruto das empresas do setor têxtil para Previdência Social. Esta tributação, incluída no pacote de incentivos lançado pela presidente Dilma Roussef em agosto, é para compensar a perda de receita que o governo terá ao zerar a alíquota de 20% do INSS sobre a folha de pagamentos. “A medida, embora positiva, acaba prejudicando muito as empresas de capital intensivo, como é o caso da indústria têxtil. Se ela emprega poucos funcionários e fatura muito, por exemplo, não é vantajoso, pois a carga tributária acaba pesando, por isso estamos solicitando a redução para abranger um universo maior de empresas, de forma mais equânime”, explica Ronald Masijah.
Finalmente, os empresários do setor querem uma solução para acabar com que chamam de “guerra dos portos brasileiros”, em que alguns estados como Santa Catarina, citada diretamente pelo dirigente, concedem vantagens às importações em detrimento do produto nacional. “Estamos pleiteando que a alíquota do ICMS interestadual seja fixada na ordem de 4% e que apenas alguns portos sejam autorizados a receber importações têxteis, já que hoje as mercadorias entram por todos os cantos do país, quase sem controle”.
O presidente do Sidivestuário criticou também as triangulações - importações da China que entram no mercado brasileiro pelos países do Mercosul. “Se continuar desta forma, a indústria nacional não resistirá por muito tempo”, alertou. Ronald Masijah, contudo, fez questão de ressaltar que está confiante, pois pela primeira vez, o Governo Federal demonstrou preocupação com o setor. “O ministro (Mantega) disse que não quer perder a indústria têxtil/confecção no Brasil e que o setor é fundamental na política de geração de empregos”, disse o dirigente, acrescentando que o governo está convencido de que não adianta aplicar barreiras contra os produtos importados, tipo lei antidumping ou limite de cotas, ou seja, o fundamental para impedir a desindustrialização do país é reduzir o “Custo Brasil”.
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Fotos: Marcia Mariano
Fonte: Redação
Por: Marcia Mariano
Data de publicação: 06/12/2011










