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Sinditêxtil-SP perde mais uma empresa têxtil

Associada ao Sinditêxtil-SP (Sindicato das Indústrias de Fiação e Tecelagem do Estado de São Paulo) por mais de 60 anos, a japonesa Toyobo do Brasil informou ao Sindicato, na semana passada, que encerrará atividades na área têxtil, fechando a planta de Americana e demitindo cerca de 400 colaboradores.  Em outubro, a OMI Brasil também anunciou o fechamento de sua última planta, em Lençóis Paulista. No início do ano, a OMI já tinha fechado outra unidade, onde atuavam cerca de 250 trabalhadores e, até dezembro (data limite para encerramento), o número de demitidos da empresa chegará a quase 500.  Nos últimos 12 meses, já foram 16.562 postos fechados em São Paulo.

"Num momento tão difícil para tantas famílias no Brasil, a notícia de desemprego em massa é um cenário de profunda insegurança, principalmente em cidades do interior. No entanto, as empresas  só tomam um decisão assim tão drástica quando todos os recursos já se esgotaram. Além da crise econômica nacional, São Paulo tem custo e tributação mais elevadas do que outros estados e, certamente, a empresa que não saiu daqui ainda terá de ter um fôlego muito maior para aguentar essa crise. O governo precisa criar um plano urgente para estancar o fechamento das empresas, antes que não reste mais parque industrial", declarou Alfredo Bonduki, presidente do Sinditêxtil-SP.

O Sinditêxtil-SP entregou recentemente ao Governo de São Paulo o mapeamento do ICMS em alguns estados da União,  propondo alterações que incluem o varejo, visando  equilibrar as forças competitivas com os estados vizinhos. Além disso, através de seu escritório em Brasília, o Sindicato tem se reunido com autoridades para falar sobre os maiores problemas que estão afligindo as empresas têxteis neste momento, como o custo energético e as leis trabalhistas.

Assim como também foi observado que o Estado de São Paulo tem importantes mecanismos, como a Investe-SP (Agência Paulista de Promoção de Investimentos e Competitividade), para atrair empresas e fomentar a economia. “No entanto, a crescente perda de competitividade de toda a manufatura nacional nos atinge de modo contundente. Estamos sendo muito prejudicados pela excessiva carga tributária, juros muito elevados, encargos sociais incompatíveis com a realidade contemporânea e elevados custos de produção. Além disso, enfrentamos a guerra fiscal praticada por outros estados. São fundamentais as reformas tributária, trabalhista e previdenciária, bem como uma queda efetiva da taxa básica de juros. São medidas fundamentais para o fortalecimento das empresas e a retomada dos investimentos”, afirma Bonduki.

Ainda de acordo com o presidente da entidade, quando o varejo não faz encomendas, uma onda negativa em cascata atinge toda a cadeia, mas impacta com maior profundidade os elos iniciais de produção, como fiação e tecelagens. No Bom Retiro e no Brás, maiores centros de varejo têxtil paulista, o número de lojas que fecharam reflete bem o momento recessivo. “Medidas urgentes são necessárias para reativar a economia, garantindo a sobrevivência das empresas e  empregos, pois o aumento do desemprego só irá piorar o cenário”, conclui Bonduki.

Em âmbito nacional:

Sem reformas e queda de juros, empresas continuarão fechando

Fernando Pimentel, diretor-superintendente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), alerta que o encerramento das operações da Toyobo do Brasil, radicada há 61 anos em Americana, no interior paulista, reforça a necessidade de retomada do desenvolvimento

 “O cenário da indústria têxtil e de confecção, assim como o de toda a indústria manufatureira brasileira, deixa clara a necessidade da retomada do desenvolvimento nacional. Ao lado de medidas de redução de déficit público já em curso, é necessária a queda dos juros, ampliação do crédito e reformas nas áreas tributária, trabalhista e previdenciária, as quais tem sido sobejamente discutidas e que entrarão em debate mais concreto ao chegarem no Congresso Nacional”, ressalta Pimentel.

O encerramento das operações fabris de tecelagem e fiação da Toyobo em Americana significa, dentre outros danos, 400 demissões de trabalhadores. “Em outubro, assistimos ao fechamento da última unidade da OMI Têxtil, em Lençóis Paulista. Em janeiro, essa empresa, com 43 anos de existência, já havia fechado uma unidade e demitido 250 funcionários, aos quais se somam agora mais 250. Em agosto, outra grande firma têxtil, que atuava em Uberlândia/MG, a Daiwa do Brasil, também enviou comunicado à Abit informando seu fechamento, após 73 anos de atividade, acarretando a perda de 300 postos de trabalho”, relata Pimentel.

Segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED), do Ministério do Trabalho, mais de 60 mil postos de trabalho foram fechados no ramo têxtil e de confecção nos últimos 12 meses. “O setor mantém cerca de quatro milhões de empregos, considerando os diretos, indiretos e efeito renda. Com capilaridade nacional, nossa indústria emprega majoritariamente mulheres, incorpora pessoas com todos os níveis de escolaridade e é o quinto maior pagador de salários na indústria de transformação brasileira”, revela o diretor-superintendente da Abit.

No período de janeiro a agosto de 2016, a produção do segmento têxtil caiu 8,5% e a de confecção retrocedeu 9,4%. “Embora se tenha a sensação de que a economia brasileira já chegou ao fundo do poço e que sinaliza uma retomada, a realidade das empresas ainda não mostra sinais efetivos de recuperação, que esperamos ocorrer a partir de 2017”, analisa Pimentel, ponderando: "Entendemos que a situação econômica do País exige medidas duras e difíceis  para o reequilíbrio macroeconômico. Por outro lado, estamos vivendo, desde meados de 2014, um processo recessivo de grande intensidade, cujas  vítimas são principalmente as empresas e os  empregos. Por isso, também é necessária uma agenda voltada à microeconomia, com redução da burocracia, mais segurança jurídica e facilidades para quem deseja empreender”. 

Para o diretor-superintendente da Abit, são fundamentais  uma redução acentuada dos juros, coerente com a perspectiva de inflação em queda, a retomada do crédito e uma política cambial muito bem calibrada, evitando-se uma nova onda de sobrevalorização do Real. “Precisamos promover esforços para criar um ambiente de negócios melhor e mais seguro. Juntamente com a busca de novos investimentos, é necessário preservar os empreendimentos existentes. Acreditamos que o setor têxtil e de confecção possa ser um dos pilares da recuperação econômica, gerando empregos, renda e desenvolvendo, cada vez mais, novas tecnologias, inovação e criatividade em produtos e serviços”, conclui Pimentel.

 

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Data de publicação: 10/11/2016

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