Produção industrial brasileira recua em abril
A Sondagem Industrial, divulgada nesta terça-feira, 24.05, pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), revela que a atividade industrial recuou em abril na comparação com março, registrando 47,6 pontos abaixo da linha divisória de 50 pontos, o que, segundo a pesquisa, indica desaquecimento no setor produtivo. Os indicadores da pesquisa variam de zero a cem. Valores acima de 50 pontos indicam evolução ou expectativa positiva. De acordo com o estudo, os empresários avaliam que a atividade industrial em abril está abaixo do usual para o período. É o quinto mês consecutivo em que isto ocorre – em março, por exemplo, o índice foi de 53,3 pontos, contra 62,9 pontos de março de 2010. O índice de utilização da capacidade instalada (UCI) normal para o mês caiu de 47, 4 pontos em março para 46,2 pontos em abril, afastando-se ainda mais da linha dos 50 pontos.
O número de vagas de emprego cresceu em abril na comparação com o mês anterior. O indicador registrou 51,3 pontos, puxado principalmente pelas grandes empresas. As indústrias de pequeno porte tiveram retração no índice, com 48,6 pontos, enquanto as médias empresas mantiveram-se praticamente estáveis nas contratações, com 50,9 pontos. Mesmo com retração da atividade industrial em abril, os empresários, segundo a CNI, continuam otimistas sobre as perspectivas para os próximos seis meses em três dos quatro indicadores analisados. Mas estão menos confiantes na comparação com abril. As expectativas dos industriais sobre a evolução da demanda no mercado interno registrou 60,7 pontos, quando foi de 61,7 pontos em abril. Já em relação às exportações, os empresários estão pessimistas. O indicador ficou em 47,9 pontos. O índice de expectativas para o emprego registrou 54,3 pontos e para compras de matérias-primas marcou 58,2 pontos. A Sondagem foi realizada com 1.442 empresas, das quais 813 pequenas, 416 médias e 213 de grande porte.
PIB e inflação preocupam
A CNI reviu para baixo as previsões de alguns indicadores econômicos para este ano, estimando o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 3,5% e da produção industrial em 2,8%, segundo o Informe Conjuntural do primeiro trimestre, divulgado em abril. O estudo anterior, de dezembro, projetava altas de 4,5% tanto para o PIB quanto para a produção da indústria em 2011. O PIB cresceu 7,6% no ano passado. Já a previsão da inflação, que era de 5%, subiu um ponto percentual, com uma estimativa de 6%. O principal fator de pressão inflacionária, diz o informativo, virá dos preços dos serviços, que apresentam média do acumulado anual de 6,3%.
A entidade atribui a queda no ritmo de expansão da produção industrial e do PIB, que irá se elevar menos do que a metade da alta de 2010, à desaceleração do crescimento do consumo das famílias – cuja taxa reduziu de 5,1% , na projeção de dezembro, para 4,5% - e ao aumento dos custos salariais sem aumento correspondente da produtividade. O gerente-executivo da Unidade de Política Econômica da CNI, Flávio Castelo Branco, que divulgou o estudo, elogiou a disposição do governo de conter os gastos públicos, mas ressaltou que tal disposição deve ser permanente. “Como os resultados da política fiscal surgem a longo prazo, é preciso manter a meta de contenção por mais longo tempo”, sugeriu.
Previsões
O Informe Conjuntural do primeiro trimestre prevê uma taxa nominal de juros de 12,5% no fim do ano (era de 12% nas projeções de dezembro) e um juro real médio anual de 5,4% (contra 6,3% na previsão anterior). O déficit público nominal e o superávit público primário estão projetados em 3,05% e 2,70% do PIB, respectivamente. A taxa de câmbio é estimada em R$ 1,63 em dezembro (era de R$ 1,70 no último estudo). A CNI alterou para cima sua expectativa do volume das exportações, que passou de US$ 228 bilhões para US$ 250 bilhões, e das importações – de US$ 224 bilhões para US$ 230 bilhões. A previsão do superávit da balança comercial subiu significativamente, de US$ 4 bilhões para US$ 20 bilhões, em função, especialmente, da perspectiva de continuidade da alta dos preços das commodities.
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Edição: Marcia Mariano
Fotos: José Paulo Lacerda
Fonte: CNI
Data de publicação: 25/05/2011









