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Para manter o emprego será necessário um upgrade no conhecimento

As carreiras operacionais vão continuar existindo, mas vai exigir do profissional muito conhecimento tecnológico e flexibilidade para se adaptar às novas rotinas. Ainda é cedo para afirmar que os modelos tradicionais de trabalho serão extintos, mas certamente passarão por uma transformação e a tecnologia será determinante nesse processo. Essa foi uma das conclusões do webinar “Mercado e Empregos na Cadeia Têxtil, Confecção e Moda”, realizado pela ABTT – Associação Brasileira de Técnicos Têxteis no dia 22 de julho.

Fernando Pimentel, 65 anos, presidente da Abit – Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção foi o convidado da live, conduzida por Nelson Pereira Junior, presidente da ABTT. Além de apresentar um panorama do setor têxtil/confecção, Pimentel apontou algumas tendências que já vinham sendo delineadas no mercado de trabalho, mas que se acentuaram nesse período da pandemia, que ceifou milhares de empregos no setor. “O novo profissional deve ter atitude proativa, construtiva, visão ampla, buscar permanentemente o conhecimento, ser flexível, ou seja, ter capacidade de se ajustar ao novo ambiente e pensar: o que eu posso fazer para aprimorar meu desempenho e como posso contribuir para melhorar os resultados da empresa”.

O novo profissional

O presidente da Abit ressalta que é preciso ter claro que novas formas de trabalhar vão se impor no mercado. “Talvez engenheiro têxtil não seja mais uma profissão cobiçada, o ideal seja um engenheiro industrial que tenha especialização em determinado processo que agregue valor à produção. Aquele modelo de emprego formatado, com o qual estávamos acostumados, está mudando. Hoje de 10 profissões mais requisitadas, oito estão ligadas às questões tecnológicas; analista de TI, administrador de dados, engenheiro de software, enfim, isso vai progredir muito”, observa.

Pimentel diz que nem todas as atividades vão requerer alto grau de tecnologia, mas ela estará integrada à esta mudança. “Os novos modelos de negócio, que dependem do delivery, por exemplo, absorveram pessoas com pouca qualificação (atendentes, entregadores), que se tornaram relevantes com o crescimento das vendas on-line. O Brasil tem um gap na área de formação muito grande e as perdas para o país são enormes, entretanto, o setor de serviços ainda pode absorver essa mão de obra. Porém na indústria, o que se observa é que cada vez mais vai ser exigir tecnologia. Portanto, o profissional não deve ser acomodar. Ele precisa estar preparado para alterações de posição. As escalas hierárquicas se encurtaram nos negócios e hoje predomina um modelo mais ágil e horizontal nas organizações. Então o profissional tem que ter visão do conjunto da obra e entender que o empregador, não é o dono da empresa, mas o cliente. É ele quem decide se vai comprar o produto ou não.  Hoje é o cliente quem dá a última palavra no nosso emprego”.

Para Pimentel, o ensino técnico vai continuar relevante, assim como o superior, porém, ter um diploma ou “anos de experiência” em uma determinada função já não será garantia de manutenção do emprego e nem diferencial para se conseguir vaga num mercado que tende a ser cada vez mais disputado e reduzido. O executivo, que é economista de formação, alerta que o momento ainda é de incertezas, porque a covid-19 continua impactando o mundo inteiro, e o Brasil em particular. “Embora haja anúncio de vacinas, tratamentos, etc. o fato é que ainda não há uma solução definitiva para conter a propagação desse vírus. Teremos que conviver com novos hábitos e demandas da sociedade”.

Balanço do setor

Embora as indústrias não estivessem impedidas de funcionar durante a pandemia, a interrupção do comércio trouxe uma forte queda, de mais de 90% do consumo, nas primeiras medições pós-quarentena. De lá para cá, após a flexibilizações (principalmente, a partir de julho), os números negativos do setor têxtil e confecção vêm se reduzindo. De acordo com o presidente da Abit, o Índice Cielo do Varejo, que acompanha mensalmente a evolução do comércio, publicado com dados da semana passada, mostra uma queda da ordem de 35%, comparado aos meses antes da pandemia. “Estamos emergindo, mas ainda temos um caminho longo a percorrer. As enquetes que fazemos regularmente junto aos empresários do setor mostram que estamos com 13% de respostas positivas, com as empresas começando a reajustar os seus estoques”. Para se ter uma ideia, no período pré-pandemia, em janeiro e fevereiro, a pesquisa da Abit apontava 93% de respostas positivas em relação ao mercado.

Segundo Fernando Pimentel, a retomada no Brasil está desigual, sendo que o comércio de rua e as lojas populares têm se recuperado num ritmo mais frequente, enquanto o consumidor de shopping ainda prefere se manter em casa e está mais cauteloso em gastar. Falando sobre o impacto da pandemia na economia, Fernando Pimentel estima uma queda do PIB este ano de 5% a 6% e perda de 15% da renda per capita no Brasil. “Nós estamos mais pobres e desiguais”. Já com relação aos números da indústria têxtil/confecção, ele diz que os dados estão melhorando gradativamente, mas uma queda de 35% na atividade produtiva ainda é muito forte. A estimativa de queda mercado têxtil/confecção para o ano de 2020 é de 15% a 18%.

Desemprego

Embora a recuperação da indústria esteja acontecendo, com várias empresas já operando a plena carga, segundo Fernando Pimentel, o saldo entre empegados, novos empregos e desempregados no setor têxtil/confecção, de janeiro a maio, foi de 68 mil postos formais de trabalho perdidos, contra 2019, que no mesmo período gerou 15 mil empregos. A maioria dos desempregados está no segmento de confecção, onde os negócios são gerados por 85% de pequenas empresas. “O baque só não foi maior devido a uma série de medidas que o Governo Federal adotou na área trabalhista, que ajudaram a atenuar o número de demissões”, diz Pimentel. Ele acredita que até o final do ano, o Brasil deverá alcançar 20 milhões de pessoas desempregadas, com um nível de informalidade ainda maior.  Na indústria têxtil/confecção, segundo projeções, devemos chegar no final de 2020 com 85 mil postos de trabalho a menos em um universo de 1,5 milhão de empregos, gerados pelo o setor.

Diante do atual cenário, Fernando Pimentel conclui:  “O impacto da tecnologia no emprego vai avançar. Nesse período de pandemia, os vendedores das lojas físicas se transformaram em vendedores digitais, garantindo o e-commerce. O digital vai continuar a ser uma tendência, seja no varejo, seja na indústria. A maior relação do varejo com a indústria vai aumentar o grau de digitalização em toda a cadeia, melhorando a assertividade das coleções, o ciclo de vida dos produtos e reduzindo os desperdícios. Além disso, por demanda dos consumidores, a agenda da sustentabilidade vai ganhar uma dinâmica bem relevante”.

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Por: Marcia Mariano
Fotos: Divulgação

Data de publicação: 27/07/2020

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