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Indústria avalia paralisações no setor produtivo

Liderados pelas centrais sindicais, milhares de trabalhadores foram às ruas do Dia Nacional de Luta (11) exigindo redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais, o fim do fator previdenciário e contra a terceirização nas empresas. Diversas categorias tiveram apoio patronal à causa, mas alguns setores industriais como o de máquinas e equipamentos e têxtil de São Paulo não aderiram, alegando que paralisações afetam ainda mais a economia brasileira, que já enfrenta dificuldades. Para o presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e Confecção (Abit), Aguinaldo Diniz Filho, cujo mandato à frente da entidade termina este ano, o Brasil vive um momento histórico com o clamor da ruas, “mas é preciso serenidade e maturidade para lidar com as mudanças”. Segundo o dirigente “estamos vivendo um momento de oportunidade e não de temeridade". Diniz diz ainda que: "As reformas são necessárias, mas é preciso sensibilidade para  implementá-las. Espero que o País saia mais forte destas manifestações”, opinou, acrescentando que a indústria brasileira, particularmente a têxtil, precisa ser vista pelo Governo como um setor com grande capilaridade no país, e um dos maiores empregadores de mão de obra feminina.

“Não somos contra as importações, mas queremos tratamento igualitário (referindo-se à entrada no país dos têxteis de baixo preço, vindos da Ásia). A indústria do nosso setor investe cerca de U$ 2 bilhões por ano para se tornar competitiva e paga cerca de R$ 12,5 bilhões de salários aos seus trabalhadores, e ainda assim enfrenta concorrência desleal”, argumenta o dirigente.

Indústria paulista   

O presidente do Sinditextil-Sp, Alfredo Bonduki, acrescentou. “ A grande maioria dos trabalhadores do setor, em São Paulo, não aderiu a esta manifestação sindical. Na realidade, o ambiente econômico não está favorável. Houve uma queda forte no varejo e a indústria está em contração. Sinto falta de sensibilidade do governo federal com relação à importância do setor produtivo brasileiro. Todo o crescimento do País foi pautado encima do consumo e os produtos baratos (incluindo importados) contribuíram para alavancar as vendas. Só que este modelo está se exaurindo. Na minha avaliação, o momento é oportuno para mudança de visão em Brasília, que precisa olhar mais para os que produzem”, desabafou o dirigente.

Na sua avaliação, a desoneração da energia elétrica para indústria foi uma das medidas governamentais positivas que ajudaram a reduzir em 12% os custos das empresas, mas Bonduki argumenta que é necessário maior controle das importações, equilíbrio no câmbio e melhora da insfraestrutura e logística.  “Hoje, uma mercadoria produzida em São Paulo chega a levar 15 dias para chegar ao Nordeste, causando prejuízo para a indústria que vende e para comércio que não recebe a encomenda. Além disso, o frete para as cidades daquela região é um dos mais caros do País”.

Indagado sobre a situação de muitos bolivianos que trabalham clandestinamente em confecções de São Paulo, Alfredo Bonduki disse que é papel da Polícia Federal fiscalizar a entrada de imigrantes no Brasil e que esta situação de ilegalidade é prejudicial aos trabalhadores e negativa à imagem do setor têxtil/confecção. “Infelizmente, este não é um problema que ocorre só no Brasil, em outros países há denúncias de exploração de empregados, que deve ser combatida com rigor. Hoje temos cerca de 200 mil bolivianos vivendo em São Paulo, mas não sabemos o contingente que está trabalhando nas oficinas de confecção. O Sinditextil já está fazendo um trabalho em parceria com o delegado Regional do Trabalho em São Paulo, Luiz Medeiros, para que os bolivianos possam ser inseridos no Registro Nacional de Estrangeiro e assim, poderem trabalhar formalmente e com dignidade”.

Bens de capital não aderiu 

“No Brasil não há espaço para a redução da jornada de trabalho, seja pela falta de competitividade da nossa economia, seja pela escassez de mão de obra”, argumenta, por sua vez, José Velloso, presidente executivo da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas (Abimaq), ao tabular os resultados da pesquisa realizada pela entidade para avaliar o impacto da greve geral no setor de máquinas e equipamentos. De acordo com Velloso, no final do dia de ontem (11 de junho), verificou-se que 35,8% das empresas associadas responderam à pesquisa, o que corresponde a cerca de 400 empresas. Dessas, 87%  não tiveram qualquer problema e funcionaram normalmente; somente 13% das empresas tiveram algum problema. O levantamento informa ainda que 3,25% pararam todo o turno de trabalho e apenas 2,21% dos trabalhadores resolveram aderir espontaneamente à paralisação comandada pelas centrais sindicais.

Ainda segundo o dirigente, a pesquisa também verificou que 83% das empresas que pararam foi por dificuldade de acesso dos funcionários ao transporte público, ou seja, não por vontade dos trabalhadores. “Isso conclui que os metalúrgicos do setor de máquinas e equipamentos não aderiram ao movimento por entenderem ser oportunista e fora de hora”, revela a nota divulgada pela Abimaq.

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Fotos: Correio 24 horas
Por: Marcia Mariano

Data de publicação: 12/07/2013

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