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Grito de alerta da indústria une capital e trabalho

Tradicionalmente em lados opostos, quando lutam por seus interesses, desta vez, todas as centrais sindicais e lideranças empresariais se uniram para gritar contra a desindustrialização do País. O palco do protesto foi em frente à área externa da Assembléia Legislativa de São Paulo que recebeu milhares de manifestantes com faixas e cartazes de todas as cores, mas com uma só bandeira: lutar pelo emprego no Brasil, ameaçado pelo excesso de importações da China.

O movimento denominado “Grito de Alerta”, que já tinha sido dado em Florianópolis e Porto Alegre, nos dias 26 e 28 de março, respectivamente, agitou a maior cidade brasileira, responsável por 56% da produção industrial da Região Sudeste. Todavia, nas duas últimas décadas, a participação da indústria na composição do PIB – Produto Interno Bruto – vem caindo vertiginosamente, não apenas em São Paulo, mas em todo o País. Segundo o IPEA – Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas, a partir de 1999, o setor de serviços superou a indústria na composição do PIB nacional.  Só na primeira década dos anos 2000, revela estudo publicado em 2011 na Revista do Parlamento Paulistano, a participação relativa do setor de serviços foi incrementada em 14%, tendo o setor industrial, no mesmo período, perdido 12% de sua participação e o setor agrícola, 1%.

China e pacote

A valorização do real frente ao dólar, a pesada carga tributária e as altas taxas de juros, que somadas à crise global que eclodiu em 2008, são apontadas como causadoras da desaceleração industrial no Brasil. De fato, a conjuntura recente agravou a situação da indústria, que vinha se recuperando, lentamente, desde a abertura do mercado na década de 1990.

O resultado deste conjunto de fatores afetou a competitividade da indústria frente aos concorrentes internacionais, gerando redução na produção, paralisação de fábricas e queda no emprego formal, principalmente nos setores intensivos de mão de obra como têxtil/confecção, calçados, autopeças, entre outros. Tal quadro preocupante uniu, pela primeira vez em muitos anos, trabalhadores e empresários de um só lado da mesa: a luta contra os importados e a favor do emprego na indústria brasileira. Nem o “pacote da Dilma”, conjunto de medidas de estímulo à produção – Plano Brasil Maior - anunciado na véspera (dia 03 de abril) em Brasília pela presidente Dilma Rousseff, conseguiu aliviar a tensão.

 “Não estamos pedindo proteção, apenas condições igualitárias para competir com os importadores. Eu represento 1 milhão e 800 mil trabalhadores que vão perder seus empregos para os chineses. Este dia é histórico, pois estamos todos – políticos, trabalhadores e empresários – , lutando por um interesse comum”, exaltou Agnaldo Diniz Filho, presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e Confecção - Abit , no enorme palanque onde lideranças políticas e sindicais se revezavam nos discursos. O presidente da Nova Central Sindical dos Trabalhadores - NCST; Calixto Ramos, bradou: “Hoje a solução do Brasil é o emprego! Não adianta medidas paliativas, eu quero é que abaixem os juros já. Se não tem emprego não tem consumo”.

Luiz Aubert Neto, presidente da Abimaq, que representa os fabricantes de máquinas equipamentos, disse que o movimento era uma demonstração de “unidade e cidadania”. Emocionado, desabafou: “Será que vamos ser colônia da China? Quantos trilhões de juros e impostos já pagamos? Se não tivermos coragem de mudar a situação agora, não teremos um Brasil melhor, nem em 20 anos”.  Em março, a entidade lançou o painel “Desempregômetro”, que contabiliza, em tempo real, o número de empregos que deixam de ser gerados devido ao aumento das importações no setor. Já Alfredo Bonduki, presidente do Sindivest-SP, lembrou que o Brasil teve a melhor colheita de algodão dos últimos tempos na safra (2010-2011), “no entanto, estamos importando roupa da China. Isto é absurdo”, criticou.
O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, que também já foi dirigente do setor têxtil, arrematou: “O governo está trabalhando nos efeitos e não nas causas. Nós temos um câmbio destorcido, o real está valendo cerca de US$ 1,80 há 12 anos. A energia no Brasil é a terceira mais cara do mundo, sendo que 80% de nossa matriz energética (hidrelétrica) é a mais barata entre as demais fontes. É muito caro produzir no Brasil”, disse o dirigente. 

União sindical

Wagner Gomes, presidente da Central dos Trabalhadores do Brasil, considerou o ato é histórico porque representava uma pacto entre todas as centrais sindicais e o setor produtivo. “Forçamos o governo a tomar medidas em favor da indústria. Mas isso não é suficiente. Temos que continuar esta mobilização para conquistar as reformas”. O presidente da CUT (Central Única dos Trabalhadores), Artur Henrique Santos, por sua vez, reconheceu o esforço do Governo Federal em oferecer soluções para o problema com o lançamento do Plano Brasil Maior, mas alertou que os trabalhadores ligados à Central continuarão mobilizados para cobrar redução dos juros e do câmbio. "Mas também queremos um plano maior nos estados, não só em nível federal. Os governos precisam reduzir o ICMS para acabar com a guerra fiscal”, disse Santos que ainda alertou os empresários com relação à redução de custos nas empresas. “Estamos numa luta comum em favor do emprego. Não me venham com tentativas de reduzir direitos e rebaixar salários dos trabalhadores para manter a indústria funcionando, porque daí não tem acordo”.
O presidente da UGT – União geral dos Trabalhadores, Ricardo Patah disse: “Nós concordamos que um país rico é um país com sua indústria rica. É fundamental a valorização da indústria. Mas, é importante também a qualificação profissional para a manutenção do emprego”.

Coube ao presidente da Força Sindical e deputado federal, Paulo Pereira da Silva, fazer o discurso de encerramento do ato de protesto, que começou por volta 9 horas e se encerrou ao meio-dia. ”Estamos defendendo os empregos no Brasil e não na China. Tem empresas fechando em São Paulo porque não estão aguentando esta concorrência desleal. As medidas do Governo são pontuais e não vão garantir o emprego no Brasil. É preciso aprovar a Resolução 72 (uniformização da alíquota ICMS) para acabar com a guerra fiscal, que favorece a entrada de mais importados no País”, e ameaçou: “se não fizerem nada para mudar isto aí, o próximo movimento será o fechamento dos portos em todo o Brasil”. O sindicalista foi saudado pela multidão que depois se dispersou, cantando palavras de ordem contra as importações, a favor do emprego e da indústria.
Os próximos movimentos deverão acontecer em Manaus, Minas Gerais e também no Nordeste.

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Fonte: Redação
Por: Marcia Mariano
Fotos: Marcia Mariano

Data de publicação: 04/04/2012

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