Crise econômica global preocupa America Latina
A pesquisa com 1.200 especialistas da chamada Network of Global Agenda Councils, do fórum econômico mundial, mostra que 70% dos sul-americanos são pessimistas sobre a economia para os próximos 12 meses, e 60% têm pouca confiança nas lideranças políticas para resolver riscos globais. O resultado da sondagem, que será detalhada em janeiro em Davos, na Suíça, ilustra como a crise da zona do euro vem minando a confiança global, o que deverá afetar inclusive os preços das commodities, setor que vem até agora mantendo “blindada” a economia da América Latina. "Levando em conta a situação europeia, parece claro que o otimismo na economia global voltará quando desafios estruturais tiverem soluções políticas críveis", diz Lee Howell, diretor executivo do Fórum Econômico Mundial. Entre vários analistas, a expectativa é de que, mesmo se a crise for contida no continente, a recessão na Europa ainda terá impacto na demanda de commodities mundo a fora. Isto porque, de acordo com estas análises, a parte da zona do euro no PIB mundial é idêntica à da China, cerca de 14% em PPP (paridade de poder de compra), enquanto a da União Europeia é maior, cerca de 20%. Especula-se que a demanda de commodities pela China deverá crescer num ritmo menor do que a atividade econômica, contrapondo a visão convencional de que o consumo intensivo de matérias-primas deveria estimular o mercado. Conforme os especialistas, a China já acumulou vasto estoque de commodities, principalmente de metais industriais, e pode produzir bens sem precisar aumentar muito suas importações.
Balança comercial
Por outro lado, a balança comercial brasileira tem apresentado resultados positivos, por enquanto. A Europa tem sido o mais importante destino das nossas exportações brasileiras, representando 21,4% do total vendido pelo Brasil em 2010. No ano passado, o país exportou US$ 43,1 bilhões para o mercado europeu e importou de lá US$ 39,1 bilhões, obtendo um superávit de US$ 4 bilhões. Entre janeiro e julho de 2011, os resultados continuaram favoráveis para o Brasil. As exportações para o bloco somaram US$ 29,9 bilhões, enquanto as importações ficaram em US$ 25,3 bilhões, com saldo positivo de US$ 4,5 bilhões.
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Edição: Marcia Mariano
Fotos: Stoch.xchng
Fonte: Valor Econômico e CNI
Data de publicação: 22/11/2011








