Cresce investimento em máquinas têxteis no Brasil
Mesmo sofrendo a forte concorrência de produtos manufaturados da Ásia, especialmente vestuário, o setor têxtil brasileiro segue seu ritmo de investimentos. De acordo com a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), no primeiro quadrimestre deste ano, a importação de máquinas têxteis cresceu 46%. "Apesar de todas as dificuldades que o setor vem enfrentando, com défict recorde, alta no preço do algodão, avalanche de importados, volta da inflação e início de demanda mais reprimida, é preciso valorizar nosso produto cada vez mais e ter confiança no futuro, como fazem os empresários que continuam investindo na modernização de suas fábricas" declara Aguinaldo Diniz Filho, presidente da entidade. Segundo ele, neste mês de junho, foram feitas duas reuniões com a “Frente Parlamentar Têxtil José Alencar”, em Brasília, para levar as medidas mais urgentes para o governo. Na última reunião, com o Ministro Fernando Pimentel, do Desenvolvimento, a Abit entregou uma proposta para o fortalecimento imediato das confecções. "É preciso ampliar o Simples, desonerar a folha de pagamentos das empresas e exigir dos produtores asiáticos as mesmas regras que os empresários brasileiros têm que cumprir”, defende o dirigente, citando os índices de tratamento de efluentes, o não emprego de mão de obra infantil, não utilização de corantes azóicos na tinturaria, colocação de etiquetas com composição dos produtos e razão social da firma, dentre outros requisitos que, garante ele, “os produtos importados não cumprem". Ainda de acordo com dados divulgados pela Abit, em termos de investimentos, o desembolso do BNDES foi de R$ 330,1 milhões de janeiro a março de 2010, contra R$ 301,2 milhões de janeiro a fevereiro deste ano. A participação do setor têxtil/confecção variou de 1,29% para 1,2% em relação ao total do desembolso realizado pelo banco. No que tange a importação de máquinas e equipamentos, do primeiro quadrimestre do ano passado para o mesmo período deste ano, houve um crescimento de 46,57%, passando de US$204 milhões para US$ 299 milhões.
Déficit do setor cresce
De janeiro a maio deste ano, o crescimento do déficit na balança comercial do setor têxtil e de confecção foi de 46,2% (excluída a fibra de algodão), em relação ao mesmo período do ano passado. As importações no período cresceram 33,5% e as exportações tiveram um tímido aumento: 4,3%. O déficit acumulado de janeiro a maio de 2011 está acumulado em US$ 1,89 bilhão (excluída a fibra de algodão). O volume de exportações de janeiro a maio de 2011 foi de 116,9 mil toneladas, com um aumento de 3,1%, nas 120,7 mil toneladas registradas de janeiro a maio de 2010. Já os dez estados que mais receberam produtos estrangeiros, em valor (importações), nos primeiros cinco meses do ano foram: Santa Catarina, São Paulo, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, Paraná, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraíba e Bahia e os dez estados que mais venderam produtos brasileiros, em valor (exportações), no mesmo período, foram: São Paulo, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Bahia, Ceará, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Paraíba e Rio Grande do Norte. Em relação ao comércio com outros países, os dez que mais receberam produtos brasileiros, em valor, de janeiro a maio de 2011 foram: Argentina, Estados Unidos, Venezuela, Paraguai, Colômbia, Holanda, Uruguai, México, Chile e Peru e os dez que mais exportaram para o Brasil, no mesmo período, foram:China, Índia, Indonésia, Argentina, Estados Unidos, Coréia do Sul, Taiwan (Formosa), Bangladesh, Tailândia e Itália.
Emprego e Produção Física
No mês de abril de 2011, a geração de empregos no setor têxtil e de vestuário foi de 4.893 contra 10.092 gerados no mesmo período de 2010. O acumulado foi de16.536 (de janeiro a abril de 2011) ante os 36.161, de janeiro a abril do ano passado. Quando comparado o primeiro trimestre deste ano com igual período do ano passado, houve um crescimento de 4,58% na indústria de transformação, número superado pelo segmento do vestuário, que registrou alta de 9,62%. O setor têxtil, por sua vez, não teve o mesmo desempenho e completou o período em queda de 7,12%. Dados da Abit revelam que de janeiro a abril, houve uma queda de 11,61% no segmento têxtil e um crescimento muito pequeno, de apenas de 0,38%, no vestuário, se comparado ao mesmo período de 2010.
Alta da inflação
Já no que se refere à inflação, com índice no vestuário, tanto para o IPCA quanto para o IPC foram respectivamente, de 0,42% (abril) e 1,19% (maio) e de 0,68% (abril) e 1,1% (maio). Nos últimos seis meses, a indústria brasileira de produtos têxteis e confeccionados foi alvo preferencial do processo de aumento de custos e por tanto, da necessidade imediata de capital de giro. Isso porque, nesse período, o preço doméstico do algodão, seu principal insumo, subiu aproximadamente 115%, enquanto que o preço médio de venda da indústria permaneceu praticamente constante, garante a Abit. Considerando-se os últimos doze meses (fevereiro de 2011 a fevereiro de 2010), o aumento do algodão foi de 177%. “Para aliviar a grave situação vivida no mercado brasileiro de fibras de algodão precisamos criar, em caráter de urgência, um mecanismo de financiamento para empresas de todos os portes para compra de fibras de algodão. Temos ainda outras questões prioritárias, como a desoneração profunda e imediata de todos os elos da cadeia produtiva têxtil/confecção", finaliza Diniz Filho.
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Edição: Marcia Mariano
Fotos: Arquivo Textilia – Ilustração Joni Dutra Neves
Fonte: Viveiros Comunicação
Data de publicação: 14/06/2011










