Chuvas afetam produção têxtil de Santa Catarina
Responsável por 30% da produção nacional de têxteis e confecções - estimada em 2,4 milhões de toneladas/ano - a região Sul do País enfrentou 72 horas de chuvas torrenciais nesta semana. No Vale do Itajaí, que inclui a cidade de Blumenau, onde se concentram grandes produtores de malhas e artigos de cama, mesa e banho, 80% das indústrias têxteis suspenderam suas atividades. A paralisação, segundo a Abit, reduzirá a produção local em até 17%. Não há notícias de danos materiais e patrimoniais nas fábricas como as inundações, mas os empresários estão em estado de alerta e temem os prejuízos, já que neste último quadrimestre, a indústria se prepara para abastecer o varejo com os produtos para o Natal. Roupas de cama, toalhas, vestuário e decoração estão entre os itens mais vendidos nesta época do ano.
Preocupação
O diretor superintendente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), Fernando Pimentel, garantiu ao Portal Textilia.Net que a suspensão das atividades foi em decorrência da falta de infraestrutura das cidades atingidas, como transportes - que impedem os funcionários de chegarem ao trabalho, e de comunicações, que certamente prejudicam os negócios. “Neste momento, temos que nos preocupar com a vida da população, com os riscos de desabamentos e inundações das casas das pessoas. Mais de 18 mil residências em Blumenal já foram afetadas. Até agora, não temos notícias de danos nas instalações industriais das empresas que contatamos. Claro que há problemas, mas não tão graves quanto os que abalaram Blumenau na grande enchente de 1983”. O dirigente disse ainda que não foi calculado os prejuízos financeiros com a paralisação da produção têxtil que atingiu cerca de 39 mil trabalhadores na região. “Esta iniciativa é para preservar vidas, antes de tudo”, reiterou Pimentel, argumentando que os empresários estão “um pouco mais confiantes” de que conseguirão recuperar as perdas, logo que as condições do tempo melhorem. “As previsões indicam que as chuvas deverão diminuir na próxima semana. Se de fato ocorrer, as fábricas reiniciarão suas atividades e creio que não haverá problemas em cumprir os prazos de entrega para o fim do ano”. Perguntado sobre se a suspensão das atividades não resultará em desemprego, agravando ainda mais o quadro de incertezas do setor, que já sofre com problemas cambiais e com importações elevadas de produtos asiáticos, Fernando Pimentel respondeu: “Olha, evidentemente, que situações análogas como esta das chuvas, que não podem ser evitadas, prejudicam muito as empresas. Evidentemente, que as que já estão enfrentando problemas de mercado, certamente terão mais dificuldades e tenderão a dispensar funcionários. Mas, não creio que será a regra. Repito, as operações foram suspensas para garantir que pessoas e empregos continuem existindo depois das chuvas”, enfatizou o dirigente. O Vale do Itajaí, segundo a Abit, concentra hoje aproximadamente 4 mil empresas têxteis.
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Por: Marcia Mariano
Fotos: ValeNoticias e Arquivo Textilia
Fonte: Redação
Data de publicação: 09/09/2011










