Language

Estampas & Padrões

Bureau Feminino

Book Aviamentos

Book de Tecidos
Publicidade

home » têxtil »

Conjuntura

Tamanho do texto  A A A
Compartilhar

Abit lança “Importômetro” e alerta para desemprego no setor


Nem a chuva que caiu em São Paulo na tarde do dia 17 de janeiro arrefeceu a manifestação contra as importações de vestuário, que cresceram 40% de janeiro a novembro 2011. O protesto, convocado pela Associação Brasileira da Indústria Têxtil e Confecção (Abit) e Sinditêxtil-SP reuniu dirigentes, empresários, sindicalistas, trabalhadores e políticos na sede da entidade e teve como ato simbólico o lançamento de um painel que registra, em tempo real, o volume de mercadorias importadas e o número de empregos no setor que deixam de ser gerados no Brasil. Ao ser inaugurado pelo presidente da Abit, Agnaldo Diniz Filho, o “importômetro”, como foi batizado o painel, registrava que nas três primeiras semanas de janeiro o país importou U$ 304.4 milhões, deixando de criar 32.973 postos de trabalhos na cadeia produtiva do setor têxtil/confecções.
“Não somos contra o livre mercado e sim a favor da indústria nacional e da geração de emprego e renda em nosso país. Não podemos ser ingênuos de entregar o nosso mercado interno, deixando de criar empregos aqui para gerar lá fora”, exaltou Diniz que também é diretor-presidente da Cedro Cachoeira, uma das primeiras indústrias têxteis brasileiras, com 140 anos de existência, sediada em Minas Gerais.
Ao fazer um balanço de 2011 e apresentar projeções para 2012, Diniz Filho foi enfático em dizer que a importação de vestuário, principalmente da China, subiu 40% e que a continuar assim, “matará a cadeia produtiva têxtil no Brasil”, que é responsável por 3,5% do PIB, fatura cerca de R$ 90 bilhões por ano e gera 8 milhões de empregos diretos e indiretos. Segundo ele, no ano passado o setor fechou com déficit de U$ 4,7 bilhões, com saldo negativo de 20 mil empregos no setor. “Em 2011, enquanto a atividade têxtil caiu 14,7% e na confecção de vestuário, 3,25%, as vendas no varejo do setor subiram 4.12% e a importação de roupas, de janeiro a novembro, aumentou 40% se comparado com o mesmo período de 2010”.
Participante ativa de movimentos em favor da cadeia têxtil brasileira, a presidente do Sindicato das Costureiras de São Paulo, Eunice Cabral, se emocionou. “Devemos todos ir para as ruas para defender o emprego no Brasil. Fazemos uma moda linda, com produtos de qualidade e, no entanto, sofremos com a concorrência avassaladora, muitas vezes desleal, de produtos importados. Isso não é justo”.

Pauta e projeções

Para tentar reverter este quadro, os dirigentes prepararam uma agenda de prioridades em 2012 e esperam contar com apoio de políticos tanto na esfera estadual quanto federal. Na manifestação realizada em São Paulo, marcaram presença diversos parlamentares, entre eles o senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB), os deputados federais, Paulo Pereira da Silva (PDT) e Vanderlei Macris (PSDB) e o deputado estadual Chico Sardelli (PV), que lidera a Frente Parlamentar Têxtil na Região de Americana.
A principal esperança é que o ministro Guido Mantega anuncie, entre fevereiro e março, mudanças no regime tributário de importação de produtos têxteis. Em vez de cobrar o imposto sobre o valor da mercadoria (ad valorem) as importações seriam taxadas ad rem, ou seja, com base no peso (volume) de produtos.
O setor também reivindica a redução da alíquota sobre a receita bruta da indústria para 0,8%. Em 2011 o governo federal definiu a alíquota de 1,5% sobre a receita, em substituição aos 20% que eram recolhidos sobre a folha de pagamentos. Além disso, continua a luta contra a “guerra fiscal”, que segundo Agnaldo Diniz Filho, é praticada por nove estados da federação por meio de redução e até isenção de ICMS para o comércio de têxtil/confecção.
Apesar dos problemas, o presidente da Abit mostrou-se otimista com 2012. “Estamos lançando a campanha ‘Moda Brasileira: Eu uso, eu assino!’ para conscientizar o mercado e a população sobre a importância de conservarmos nossa indústria e manter aqui os empregos e não na China”. Ele  espera um crescimento de 1,5% do setor têxtil e de confecção com um faturamento de aproximadamente U$ 63 bilhões. Já no item emprego, a projeção é que o mercado se estabilize no número de vagas existentes, porém, com tendência a queda, caso a crise econômica na Europa continue afetando outros mercados mundo a fora.
O presidente do Sinditextil-Sp, Alfredo Bonduki, um dos idealizadores do movimento, presente na manifestação, acrescentou. “A indústria têxtil e de confecção paulista, que puxa todo o resultado do setor nacional, por ser o maior produtor e empregador do setor,  tem sofrido muito com as importações asiáticas. Mais de dois mil empregos já foram perdidos, somente em São Paulo, em 2011. Precisamos mudar esta situação. Por isso, queremos captar 1 milhão de assinaturas em favor desta campanha para levarmos ao Congresso Nacional e mostrarmos que as reformas são essenciais para garantir a competitividade e sobrevivência da indústria brasileira”.

O Portal Textília.net não autoriza a reprodução total ou parcial de qualquer conteúdo aqui publicado, sem prévia e expressa autorização. Infrações sujeitas a sanções.

Por: Marcia Mariano
Fotos: Viveiros Comunicação

Data de publicação: 18/01/2012

Galeria de fotos desta matéria

Conteúdo relacionado


Setores de vestuário e calçados enfrentam problemas
A Argentina, que tem endurecido suas relações comerciais com outros países, não livra nem os parceiros do Mercosul. Atualmente, mais de dois milhões de pares de calçados brasileiros aguardam liberação para entrar no país. Por outro lado, no setor de vestuário, a participação de produtos importados no consumo interno deverá chegar a 12,5% até o final de 2012. A produção industrial brasileira, por sua vez, segue em ritmo de desaceleração.  2012-05-03 - Tags: comercio iapc argentina

Senado põe fim à 'guerra dos portos'
O plenário do Senado Federal aprovou, na terça-feira dia 24, a Resolução 72 que unifica as alíquotas de ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) para produtos importados. O projeto, que já havia sido aprovado por maioria na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado no último dia 17, pôs fim a chamada “guerra dos portos”. O texto aprovado, que unifica para 4% as alíquotas interestaduais, entrará em vigor em janeiro de 2013.  2012-04-25 - Tags: imcs importacao

Camex modifica norma para Ex-tarifário
A Câmara de Comércio Exterior (Camex) definiu os novos requisitos e procedimentos para redução da alíquota do Imposto de Importação de bens de capital, de informática e de telecomunicações, partes e componentes sem produção nacional. A medida visa estimular o investimento produtivo e disciplinar o processo de redução das alíquotas do setor.  2012-04-19 - Tags: comercio exterior

Setor têxtil em questão: importações, emprego e renda
Enquanto o movimento “Grito de Alerta” chama atenção do País para a questão da desindustrialização, o setor têxtil brasileiro procura mostrar que as medidas anunciadas recentemente pelo Governo Federal não são privilégios, mas necessárias para garantir isonomia no comércio entre os países. “Aceitaremos que as tarifas de importação consolidadas na OMC sejam neutralizadas por políticas cambiais de países que desvalorizam artificialmente suas moedas?”, questiona o presidente da Abit, Agnaldo Diniz Filho.  2012-04-11 - Tags: grito de alerta abit

Grito de alerta da indústria une capital e trabalho
Tradicionalmente em lados opostos, quando lutam por seus interesses, desta vez, todas as centrais sindicais e lideranças empresariais se uniram para gritar contra a desindustrialização do País. O palco do protesto foi em frente à área externa da Assembléia Legislativa de São Paulo que recebeu milhares de manifestantes com faixas e cartazes de todas as cores, mas com uma só bandeira: lutar pelo emprego no Brasil, ameaçado pelo excesso de importações da China.  2012-04-04 - Tags: plano brasil governo federal icms grito de alerta

Governo anuncia, mais uma vez, estímulo à indústria
Às vésperas do “grito de alerta”, contra a desindustrialização, marcado para o dia 4 de abril, em São Paulo, o Governo Federal anunciou a segunda etapa do Plano Brasil Maior (lançado em agosto de 2011). Desta vez, prometeu desonerar a folha de pagamentos de 15 setores, entre eles, têxtil e confecções. Já a votação da Resolução 72, que trata da alíquota única para o ICMS sobre produtos importados, foi adiada na comissão do Senado. Sua aprovação é uma das reivindicações da cadeia têxtil que considera o mecanismo eficaz contra a “guerra fiscal” entre os estados brasileiros.  2012-04-03 - Tags: plano brasil governo federal icms

Indústria da Zona Leste adere ao ato em favor do emprego
As indústrias da zona Leste da Capital paulista, entre elas têxtil e confecção, decidiram aderir ao “Grito de Alerta contra a desindustrialização e pelo emprego”. O movimento pretende reunir mais de 100 mil trabalhadores e empresários na Assembléia Legislativa de São Paulo no próximo dia 4.  2012-03-30 - Tags: industria manifestacao

Setor Têxtil dará “Grito de Alerta” em São Paulo
O movimento em favor da produção e do emprego na indústria têxtil e de confecção, organizado pela Abit e Sinditêxtil-SP, acontecerá no dia 4 de abril, às 10 horas, na Assembléia Legislativa de São Paulo. O primeiro “grito” já foi dado no Sul do País, em Porto Alegre (RS) no dia 26 e em Florianópolis (SC) no dia 28 último, quando empresários e trabalhadores saíram às ruas para exigir do governo, medidas urgentes contra a concorrência desleal de produtos importados e condições para competitividade. Veja mais:  2012-03-28 - Tags: sinditextil

Abit e Apex-Brasil assinam novo convenio para aumentar exportação
Estados Unidos, República Dominicana e Colômbia estão entre os principais alvos das empresas brasileiras que participam do Programa Texbrasil, criado há 12 anos para estimular as vendas internacionais de manufaturados têxteis. O objetivo deste novo acordo, segundo Fernando Pimentel, diretor-superintendente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e Confecção (Abit), é resgatar a participação de 1% no comércio global do setor, estimado em US$ 670 bilhões. Atualmente o Brasil representa apenas 0,6%. Segundo dados da entidade, em 2011, as exportações brasileiras, sem a fibra de algodão, somaram US$ 1,42 bi. A meta é saltar para US$ 6 bilhões nos próximos quatro anos.  2012-03-16 - Tags: texbrasil

Preço do algodão se estabiliza
Os preços internacionais do algodão estabilizaram em torno de 1 dólar por quilo em janeiro de 2012,após queda de quase dez meses.  2012-03-14 - Tags: cotton

Abimaq denuncia queda de emprego em painel eletrônico
A exemplo do setor têxtil, que inaugurou em janeiro o “Importômetro” para medir o volume de importações de tecidos e vestuário no País, a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas adotou a mesma estratégia. A entidade lançou o “Desempregômetro” para denunciar a falta de empregos gerados na indústria devido ao excesso de produtos importados.  2012-03-09 - Tags: importacoes

Diminui o ritmo de consumo das famílias no Brasil
O consumo das famílias cresceu 4,1% em 2011, mas de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), esta foi a menor taxa desde 2004. Esta queda é reflexo da desaceleração no ritmo da atividade econômica, registrada nos últimos meses.  2012-03-08 - Tags: ibge

Setor têxtil segue registrando queda de empregos
Nos últimos anos, trabalhadores do setor têxtil e de confecção, instalados nos principais polos do País, como a Região de Americana, interior de São Paulo, têm se mobilizado contra as demissões, provocadas pela queda de produção das fábricas. Só nos primeiros dois meses de 2012, segundo a Abit, cerca de 130 mil vagas deixaram de ser geradas no setor.  2012-03-06 - Tags: importacao abit

Setor têxtil defende aprovação da Resolução 72
O Senado deverá votar a matéria até o final de março. Se aprovada, a resolução fará com que os produtos importados sejam taxados com ICMS de 4% no estado importador. A Associação Brasileira da Indústria Têxtil e Confecção (ABIT), que defende a proposta, informa que por conta do excesso de importações de produtos têxteis o setor já perdeu 60 mil empregos.  2012-03-01 - Tags: icms abit

Abit lança “Importômetro” e alerta para desemprego no setor
Nem a chuva que caiu em São Paulo na tarde do dia 17 de janeiro arrefeceu a manifestação contra as importações de vestuário, que cresceram 40% de janeiro a novembro 2011. O protesto, convocado pela Associação Brasileira da Indústria Têxtil e Confecção e Sinditêxtil-SP, teve como ato simbólico o lançamento de um painel eletrônico, na sede da entidade, para registrar o volume de mercadorias importadas e o número de empregos no setor que deixam de ser gerados no Brasil.  2012-01-18 - Tags: abit sinditextil sp icms agnaldo diniz filho

Governo promete alterar sistema de importação de têxteis
Ao reunir-se na última semana de dezembro de 2011 com dirigentes da indústria têxtil/confecção, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que nos próximos dois meses, o governo irá mudar a atual tributação ad valorem para ad rem. Isso significa que os produtos importados deverão ser tributados por uma taxa fixa sobre o peso (volume) e não mais por uma tarifa que incide sobre o valor da mercadoria como ocorre atualmente.  2012-01-04 - Tags: guido mantega tributacao

Cai a confiança do empresário, revela pesquisa da CNI
O otimismo do empresário brasileiro caiu 0,5 ponto em dezembro frente a novembro. A retração do indicador foi puxada pelas grandes empresas, cuja confiança caiu 1,5 ponto no período. As informações são do Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).  2011-12-22 - Tags: ecei

Vestuário brasileiro fechará ano negativo
Queda de 3,5% na produção nacional, demissão de 2 mil trabalhadores no segundo semestre e perda de mercado para os produtos importados resumem a situação do setor de vestuário brasileiro, que espera ações imediatas do Governo Federal para não acumular mais prejuízos em 2012. O alerta foi dado pelo presidente do Sindivestuário, Ronald Masijah, na sede da Fiesp, em São Paulo.  2011-12-06 - Tags: sindivestuario ronald masijah

Setor têxtil continua afetado por excesso de importações
O ano de 2011 vai chegando ao fim e, apesar de o governo ressaltar o crescimento econômico e a “situação confortável” do Brasil frente à crise global, setores da indústria como o têxtil/confecção continuam se queixando de prejuízos, devido à avalanche de importações. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, reconheceu o problema e prometeu soluções. Já os senadores aprovaram, no ultimo dia 22, as medidas do Plano Brasil Maior de estimulo à competitividade, que agora só depende da sanção presidencial para entrar em vigor.  2011-11-29 - Tags: guido mantega bnds

Crise econômica global preocupa America Latina
Os latino-americanos estão mais pessimistas do que o resto do mundo sobre as perspectivas da economia global, de acordo com pesquisa do Fórum Mundial de Economia que será detalhada em janeiro em Davos, na Suíça. O resultado da América Latina ilustra como a crise da zona do euro vem minando a confiança global, o que deverá afetar inclusive os preços das commodities, setor que vem até agora mantendo “blindada” a economia da região.  2011-11-22 - Tags: economia euro lee howell