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Moda - Restrito

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Retrospectiva Design Têxtil



Pertegaz, uma vida menos ordinária

 

Todo ano, a ITT dá uma visão do cenário têxtil mundial, mostrando pessoas, empresas e designers que se destacaram em suas atividades. Nessa primeira parte, redescobrimos um ícone espanhol da moda e visitamos o estúdio de uma bem-sucedida estamparia de tecidos na Califórnia.

 
Uma comissão real trouxe a longa e bem-sucedida carreira do estilista espanhol Manuel Pertegaz de volta aos holofotes, ao escolher recentemente para desenhar o vestido de Letícia Ortiz, noiva do Príncipe das Astúrias. Nascido em Aragão, Pertegaz teve sua trajetória profissional marcada pelo convívio entre as celebridades, numa época em que a moda da Espanha era obrigatória para as mulheres ricas e elegantes.
As famílias mais famosas da Espanha e estrelas de Hollywood vinham ao seu estúdio em Barcelona com um único desejo: possuir um ‘Pertegaz’. Ava Gardner, Audrey Hepburn, Jacqueline Kennedy, Marisa Berenson, Teresa Bertrand e, acima de todas, a condessa de Romanones eram clientes costumeiras.
Mas sem dúvida, foi Bibis Salisachs de Samaranch que deu vida ao famoso estilo ‘Pertegaz’. Após aprender alfaiataria em Barcelona, o estilista apostou seu talento e esforço no design de roupas femininas e montou seu próprio negócio onde desenhava, cortava e costurava as roupas sozinho. Em 1942, encorajado por amigos
e clientes, abriu sua primeira Maison na Avenida Diagonal em Barcelona, onde apresentou sua primeira coleção de alta costura. Sua fama logo se espalhou até Madrid e em 1948 abriu seu primeiro salão na Rua Hermosilla. Foi nesta época, na sua primeira viagem a Paris, que encontrou com Dior e Balenciaga, seus mentores, segundo ele.
Em 1954 foi selecionado pela Vogue americana para viajar pelos EUA com designers italianos, franceses e irlandeses para apresentar sua coleção em várias cidades americanas. Pertegaz triunfou por conta de sua qualidade estética, elegância distinta e o chique clássico de seus modelos. Quando Christian Dior morreu em 1957, o nome de Pertegaz surgiu como seu sucessor, mas o estilista espanhol preferiu não deixar a Espanha, sua terra natal.

O Esplendor
O auge da fama de Pertegaz foi nos anos 60. Seu contato com os EUA se intensificou enquanto vendia suas coleções para as melhores lojas do país. Seus desenhos também eram exportados para a Inglaterra, Suíça e Canadá. Ele fez parte do primeiro fashion gala europeu que aconteceria no México e seu nome figurou entre expoentes da moda internacional como Pierre Cardin e Valentino. Em 1964 participou da New York World’s Fair onde confirmou seu status de designer internacional. Nos anos 60 ele lançou seu perfume – Diagonal – e mais tarde uma loja e uma coleção de acessórios.
Foi depois disso que se expandiu, com lojas nas cidades mais importantes da Espanha, desenhando quatro coleções por ano, mais acessórios e empregando 700 pessoas nos seus ateliês em Madrid e Barcelona. “Eu não gosto de modelos grandes e robustas que são muito decididas e determinadas, mas sim daquelas com uma dimensão espiritual”, disse uma vez. Ele admirava o comportamento e o espírito elegante, e uma mulher que fosse acanhada demais ou estilosa demais pareciam insignificantes para ele.

Nova Era para a moda
No fim dos anos 60 o mundo começou a mudar. A minissaia surgiu junto com o hippie chique, psicodélico e as butiques de moda. Pertegaz tinha uma forte sensibilidade de perceber o que essas mudanças acarretariam para o mundo da moda e se adaptou às novas circunstancias com espírito e visão moderna lançando suas primeiras coleções direcionadas para butiques. A crise do petróleo que pôs um
fim nas esperanças dos consumistas, as vendas haviam caído e, de repente Pertegaz se viu com funcionários demais e muitas lojas próprias. Em 1975 ele decidiu fechar os salões de Madrid, mas continuou em Barcelona supervisionando o design e a produção dos acessórios e os licenciados com seu nome. Em 1977 apresentou sua primeira coleção masculina que agora com uma nova geração de clientes celebridades, mais uma vez lhe trouxe reconhecimento.
 



A saga das estampas artesanais

 

"Somos uma empresa à moda antiga e não usamos computadores. Pintamos manualmente cada desenho em aquarela ou guache."

 
As estampas explosivas da californiana Alexander Henry Fabrics hoje são sucesso da Europa ao Japão. Como era de se esperar, a marca, consagrada em vários países, ganhou o Cotton Incorporated Textile Designer Awards de 2003 na categoria de estampas para vestuário e seus tecidos estão no New York Textile Museum representando o design do começo do século 21. “Essa é uma era de ouro para as estampas”, disse Philip De Leon, chefe de design da empresa, que apresentou suas famosas estampas na última edição da New York’s International Fashion Fabrics Exhibition. A coleção da Alexander Henry consegue ser nova e familiar, indo dos temas flamboyant, passando pelas referências culturais hippie, e às vezes com uma releitura retrô, inspirada nos arquivos da empresa que datam dos anos 60. O mundo da moda vive hoje uma onda de resgate ao passado e os arquivos da lendária família De Leon, criadora da marca, Alexander Henry Fabrics, criadas há mais de 40 anos, ainda inspiram e são utilizados por vários estilistas contemporâneos.

Empresa familiar
O pai de Phillip, Marc Phillip, é o presidente da empresa ocupando o centro de uma dinastia familiar têxtil. Em 1961, Marc se associou a então Central Textile Co. e introduziu uma nova linha de estampas chamada Alexander Henry Fabrics, basicamente com motivos tropicais desenhados por ele e mais outro artista.. Quando os três filhos de Marc - Phillip, Nicole e Marcus – cresceram, foram trabalhar com o pai e se tornaram únicos donos da empresa, em 1993. “Nenhum de nós freqüentou escola de design”, disse Phillip, acrescentando que ele e sua irmã, quando adolescentes, trabalhavam como free lancers para a Alexander Henry. “Achávamos legal poder fazer arte e ainda receber por isso!”, lembra Phillip.
Hoje, ele e Nicole trabalham com três outros designers no estúdio em Burbank na Califórnia, pintando a mão cada estampa. Nossas pin-ups demoram cinco dias inteiros para serem desenhadas. É um processo quase orgânico, e se uma idéia é realmente única, preferimos gastar esse tempo. Não queremos fazer produção em massa”, atesta Phillip De Leon.
A Alexander Henry produz duas coleções por ano, cada uma com aproximadamente 100 modelos e cada modelo tem uma média de quatro cores, estampado em 100% algodão, em dois pesos, inclusive popeline. “O maravilhoso do algodão é que se aplica ao vestuário, acessórios e decoração. Nossos clientes são muito diversificados, de acessórios a designers e confecções”, confirma o empresário. A Alexander Henry possui distribuidores na Austrália e Canadá e vende diretamente para a Europa, particularmente para a França e Inglaterra. Atendendo a pedidos de clientes, a empresa também decidiu fazer uma coleção para decoração. “Meu pai ama o design de interiores.Tentamos não desenhar focados numa determinada empresa ou indústria. O importante é ser bonito, novo e despertar o desejo, quer seja cortando uma saia ou um tecido para luminária”.

Olhando o Passado
O gigantesco arquivo de milhares de tecidos da Alexander Henry é uma fonte enorme, especialmente agora que o vintage está tão forte. “Vivemos num mundo mutante de modernidade que ama olhar para o passado”, diz Phillip. Parafraseando Madame Chanel, Nicole acrescenta; “Apenas as pessoas sem memória insistem na sua originalidade!” Muitos dos tecidos do arquivo foram criados pelos sócios japoneses nos anos 60 e 70. Segundo Phillip, eles faziam, por exemplo, um estilo Pucci num abstrato, um listrado ou um floral apenas reinterpretando o look. “Quando trabalhamos com os arquivos, podemos obter a forma e a cor vintage original, além de variações contemporâneas”, observa, acrescentando: “o que realmente nos faz vibrar é quando pegamos um desenho vintage que não só parece novo em termos de design, mas também a cor é inacreditavelmente moderna. Meu pai – o último a dar o ok – testemunhou muitos desses desenhos”.
Às vezes a Alexander Henry diminui a escala das estampas, mas tradicionalmente, as padronagens gigantes são a assinatura da empresa. “Muitas pessoas achavam os tamanhos de nossas estampas proibitivos, mas agora se tornou uma característica e a escala explodida é uma forma de reconhecer um tecido da Alexander Henry”, enfatiza Phillip.

Olhando o futuro
“Devido à popularidade das estampas hoje, estamos com os negócios a toda parte. Cores fortes e looks vintage definitivamente estão fortes agora e ficarão mais bonitas”, ressalta o empresário. A seu ver, a moda é volúvel e agora é um momento propício para as estampas. “Estamos conscientes de que a maré vai mudar; alguém vai apresentar algo sem estampas nenhuma e vai parecer novidade. E assim que isso acontecer só é preciso uma pessoa dizer ‘Uau, que bacana, liso é muito legal...’ Isso tudo é maravilhosamente cíclico”, conclui.
 
CALIFORNIA DREAMING
Nascidos em Los Angeles, Phillip e Nicole se identificam muito com a estética californiana. “Isso nos dá o tipo de liberdade que está associada com a Costa Oeste. Mas, na verdade nossos pais nasceram no Arizona e nós amamos o deserto, suas cores e seu clima – uma espécie de escassez e amplidão”, diz Phillip.
As viagens anuais para Londres e Paris também são uma grande fonte de idéias. A Première Vision é a favorita de Phillip. “Os europeus têm sido incrivelmente criativos no uso das cores e estampas, ao contrário dos americanos que se mostram mais conservadores. Vamos constantemente à Europa ver as novidades para depois, adequá-las ao mercado norte-americano.”
 
Estampas da coleção atual da Alexander Henry
Estampas da coleção atual da Alexander Henry
California Dreaming – uma estampa psicodélica
California Dreaming – uma estampa psicodélica
Grafismo mágico com animais
Mais psicodélicos dos arquivos
Estampa Hippie Vintage dos arquivos
Florais vintage
Florais vintage

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Fonte ITT Press

Data de publicação: 22/09/2004

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