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Moda - Restrito

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A participação brasileira no cenário mundial

Brasil for export
Os investimentos em participações em feiras no exterior ainda não foram suprimidos pelas empresas nacionais, mas o momento pede cautela


Brasil na Colombiatex

A anunciada crise financeira tem feito a economia mundial tremer e, mesmo com o aparente otimismo do empresariado brasileiro, observa-se no mercado uma dose de cautela. Dizem os especialistas que esta é uma fase de transição e não se trata de uma tendência passageira. Suas conseqüências ainda são imprevisíveis.

Mesmo com aperto no orçamento, a participação em feiras nacionais ou internacionais, ainda considerada pelas empresas têxteis uma alternativa de novos mercados, vem apresentando bons resultados. Porém, segundo a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), a situação pode se alterar no segundo semestre, já que dados divulgados até agora revelam os primeiros reflexos da crise mundial nas exportações do setor.

Mesmo com o câmbio favorável, somente no primeiro trimestre do ano o segmento de vestuário teve uma retração de 45,8%; o de cama, mesa e banho, de 52%; e o de tecidos, 52,25%. “Nossa maior preocupação são as medidas de protecionismo que outros países estão adotando em relação às importações de produtos estrangeiros. As empresas, junto ao governo, terão que tomar medidas para garantir a competitividade do produto nacional”, comentou Aguinaldo Diniz Filho, presidente da Abit, associando a queda na balança comercial principalmente às negociações com os mercados da Argentina e dos Estados Unidos. Neste cenário de incertezas e expactativas, a ITT Press traz as impressões dos principais eventos têxteis ocorridos no primeiro trimeste deste ano.

Profusão de opções
A Colombiatex 2009, uma das mais completas mostras têxteis da América Latina, é um verdadeiro termômetro do mercado. Tanto que hoje, muitas empresas sul-americanas concentram o lançamento de seus produtos nesta feira que, na sua mais recente edição, realizada em janeiro, recebeu cerca de 11 mil visitantes – em sua maioria, potenciais compradores. Colombiatex abrigou 410 expositores, gerando negócios na ordem de US$ 23 milhões.

Durante o evento, o presidente colombiano Álvaro Uribe anunciou a isenção de taxas de importação para materiais crus como algodão, e sintéticos como elastano, incentivando assim a produção local de tecidos e malhas. Um outro projeto, apresentado pelo Ministério da Indústria e do Comércio ainda prevê novos incentivos às confecções, principalmente no que diz respeito a design e produção.

Criações assinadas por Tereza Santos


Essa última medida pode ser uma excelente oportunidade para as 23 empresas brasileras que, apoiadas pela ApexBrasil – Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos, apresentaram seus produtos na Colombiatex.

Traduzidos em peças criadas pela estilista mineira Tereza Santos, alguns looks foram apresentados durante um desfile especialmente produzido para a mostra. A conexão entre Brasil e Colômbia foi o tema da inspiração. “Esta coleção mostra o que a moda pode ter a seu alcance: desenho, silhuetas, tecidos especiais, evolução e, o mais importante, encanto”, enfatizou Tereza Santos.

Vista geral da SIMM

Presença nacional
Participaram da feira as empresas: Audaces, com tecnologia voltada à confecção; Antex; Branyl; Cataguases; Cedro; Dohler; Horizonte; Hudtelfa; Manufatora; Neotêxtil; Nova Dublagem; Paramount; Renaux; Rosset; Salotex; Santana; Santanense; Tavex; TDB e Vicunha, com tecidos e malhas; além da Sancris; Setta; e Zanotti, que lançaram linhas e aviamentos.

A ação rendeu US$ 7 milhões de negócios já fechados e mais US$ 30,1 milhões previstos para os próximos 12 meses, que se realmente concretizados, serão um claro sinal de que esses esforços e investimentos podem dar resultados. Óbvio que isso também depende de outros fatores econômicos. Mesmo assim, os 2.518 novos contatos com compradores de países como Bolívia, Canadá, Colômbia, Costa Rica, Equador, Espanha, EUA, Guatemala, Holanda, Honduras, México, Paraguai, Peru, Porto Rico, República Dominicana, Uruguai e Venezuela foram comemorados pelos expositores.

Da praia ao luxo
Poucas semanas depois, em fevereiro, a moda brasileira atravessou o oceano e foi apresentar uma síntese de seu estilo na Espanha, durante o Salão Internacional de Moda de Madrid (SIMM). Apesar do mercado europeu estar em retração maior do que nos países emergentes, a feira continua sendo uma importante plataforma para as exportações brasileiras, com uma previsão anual de negociações em torno de US$ 29 milhões. Os expositores brasileiros apresentaram uma interessante amostragem. A marca Bia Brasil levou sua coleção de fitness. O mesmo fez a Galleria Brazil Activewear, que participou pela primeira vez e já voltou da feira com pedidos. Resultado satisfatório teve, também, a Mina D’Água, que mantém a Espanha como seu principal mercado, inclusive na moda-praia.

O apelo artesanal, muito valorizado no exterior, foi o diferencial dos produtos da marca de acesórios femininos La Dumaux, desenvolvidos com materiais naturais. Até mesmo o luxo teve seu espaço garantido pelas criações de Mabel Magalhães, para moda festa e, pelas notória peças da estilista Marcia Ganem, que tem como marca registrada de seu trabalho o uso de fibras de poliamida recicladas, naturais ou coloridas, muitas vezes até trabalhadas com pedras semi-preciosas. “Minha coleção é muito especial, muito original, porque não está dirigida ao grande público, e por isso estamos muito felizes já que temos realizado muitos pedidos para bons clientes da Espanha e também de países Árabes”, destaca a criadora.

Criações assinadas por Tereza Santos Moda-praia brasileira by Sombra e Água Fresca


No aguardo dos próximos capítulos
A confirmação dos resultados obtidos em duas outras importantes mostras é esperada com certa ansiedade. Na última edição da Lyon Mode City – um evento que destaca o que o Brasil melhor exporta: sua moda-praia –, realizada em setembro de 2008, antes do abalo econômico mundial, a participação de 21 empresas nacionais rendeu negócios estimados pelos expositores em US$ 1,038 bilhão para os próximos 12 meses. O mesmo aconteceu com a Prêt-à-Porter Paris, feira voltada para artigos confeccionados, da qual participaram outras 25 empresas nacionais que, juntas, calcularam um volume de vendas que deve chegar a US$ 994 mil.

 
O lado quente do Inverno
Com um mix de produtos bem versátil, a Fenim apresenta os lançamentos que em breve estarão nas vitrines da estação fria.

Julio Vianna, da Fenim e Lucas Izoton Vieira, da Cobra D’Agua
Sob um calor de mais de 25º Celsius, cerca de 32 mil visitantes disputavam os estandes sempre lotados da última edição da Feira Nacional da Indústria da Moda Inverno (Fenim) em busca, justamente, dos lançamentos para a próxima estação. Com um crescimento estimado em 30% em relação a edição anterior, os negócios também estavam aquecidos.

O desafio da mostra, tradicionalmente uma feira de pedidos, sempre foi vender o imprevísivel. Num país de predoninância do clima tropical, escolher corretamente e com antecipação o que só deve chegar as vitrines em meados de abril, faz toda a diferença.

Como será então que lojistas de mais de 20 estados brasileiros e compradores internacionais de 19 países, presentes no evento, fizeram suas escolhas? Pela diversidade. A Fenim vem agregando, com o passar do tempo, um interessante mix de produtos que vai desde a moda feminina, masculina e infanto-juvenil até acessórios, sem falar nas tecelagens.

Com a parceria com o Salão da Moda Masculina e o da Lingerie, o alcance da feira ainda foi ampliado. “Além disso, o sucesso também está focado em na oferta serviços. Disponibilizamos mais de 6 mil hospedagem para potenciais compradores, além de contar com o apelo turístico da região de belissíma Gramado (RS)”, justifica Julio Vianna, diretor da Expovest, empresa que organiza a Fenim. Foi o que levou Leo Zaguini, da loja Zag de São José do Rio Preto, interior de São Paulo, até a feira. “Não vou ao São Paulo Fashion Week, por exemplo, porque é muito conceitual e eu vendo roupa. Por isso, a Fenim atende melhor o meu público”, diz a empresária.

Negócios e celebridades no desfile do evento


Nem visitantes, nem a maioria dos 600 expositores, que representavam cerca de 1.200 marcas, pareciam estar exageradamente preocupados com a atual crise financeira. Ao contrário, o clima era até de otimismo. “Sempre tivemos excelentes resultados em vendas durante a feira e dessa vez não foi diferente”, comemorava Lucas Izoton Vieira, diretor da Cobra D’Agua, marca de surfwear.

Por sinal, as marcas de segmentos jovens estavam entre as mais procuradas. Talvez por não estarem tão ligados às mudanças drásticas impostas pelas tendências, a moda casual e o streetwear tinham representantes de peso entre os expositores. A exemplo da Suburban, empresa com mais de 30 anos de mercado, localizada em São Paulo, que licencia a marca Bad Boy e ainda produz a Surban e Side Way. “A nossa especialidade é a malharia, mas os artigos em moletom e jaquetas em geral também são muito procurados”, comenta Silmara Jacintho, do departamento de marketing da empresa. Há quatro edições na mostra, a participação é justificada pelo aumento de vendas para a região Sul. Sobre o movimento da edição, ela ainda completa que “o número de visitantes no estande foi menor, só que muito mais selecionado”.
 
Direções temáticas 2009/10 – Fematex 2009
Os temas da primavera-verão 2009/10 propostos no Fórum da Fematex, em Bluemanu, coordenado pelo estilista e pesquisador Carlos Simões, estavam em sintonia com o momento atual. Admirar, Respeitar, Repensar e Reorganizar apontavam as cores e texturas para os tecidos. A sustentabilidade também não foi esquecida, valorizada por matérias-primas naturais ou ecologicamente corretas, como as fibras de PET. Destaques para cores quentes como verde, laranja e amarelos, demonstrando que a moda, ao invés de pintar um universo cinzento e sombrio, segue na direção oposta: luminosa e fresca pela leveza dos materiais, perfumada pelas estampas florais, urbana pelas listras e grafites e vanguardista ao sugerir um comportamento responsável. “Mais do que legar um planeta melhor para as futuras gerações, precisamos é deixar filhos melhores para o planeta”, enfatizou Simões.
O espaço dedicado às tendências reuniu materiais dos expositores que participaram da feira

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Fonte: ITT Press ed.73
Imagens: Edson Pelence e divulgação

Data de publicação: 31/05/2009

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