É preciso conectar teoria e prática
A palavra-chave hoje é inovação.O que ouvimos é quase uma unanimidade: se a indústria brasileira não inovar, não conseguirá ser competitiva.
Mas por onde começar? Primeiro, temos que admitir quea relação entre as escolas, universidades e as empresas no Brasil está distanciada.
Do lado do ensino, há muito pesquisa, muito conhecimento produzido, que infelizmente acaba restrito aos laboratórios e bibliotecas. Por outro, os empresários, preocupados emtraçar estratégias de sobrevivência em um mercado ondea disputa é cada vez mais acirrada, não têm tempo para arriscar com inovações. O resultado é que não só por contados preços baixos, mas também pelas novidades que trazem,os produtos importados estão conquistando cada vez mais os consumidores.
Em vez de escolas e empresas continuarem tãodesconectadas do mundo real, que tal promoverem ações, visando maior integração entre estes dois aspectos, tão fundamentais para o desenvolvimento e o crescimento denosso País?
Por exemplo, as escolas poderiam realizar encontros entreprofessores e profissionais do setor – tanto da indústriatêxtil/confecção como do varejo, por meio de visitas periódicas às empresas que integram a cadeia produtiva devalor. O universo do conhecimento precisa “ver in loco” comoo mundo real da produção, da venda, do relacionamento como cliente funciona, para desenvolver projetos, pesquisas,enfim... ferramentas necessárias à transformação. A relaçãoescola/empresa precisa ser vivenciada na prática e não nateoria. Se estes encontros ocorressem, por exemplo, a cadasemestre, com grupos de 10 a 20 pessoas, já seria suficientepara formar novos multiplicadores. Temos bons exemplos deque esta parceria é muito profícua, inclusive com empresasinovadoras que atuam no setor, mas ainda são consideradas ilhas de excelência. Penso que este núcleo pode ser ampliadose começarmos um movimento favorável à aproximação dosdois mundos: o do saber e o da produção. Inovar não é apenas desenhar um novo produto, criar um novo conceito. Inovar é também trocar experiências, expandir horizontes.
Das academias todos saem teóricos, mas sem vivência domundo dos negócios. Por outro lado, os que estão na cadeia produtiva precisam sair da zona de conforto e ampliar suas perspectivas para que possam detectar com antecedência as necessidades futuras do mercado. Isto é possível quando se busca conhecimento.
O Brasil tem uma grande vantagem para dar este passo,pois detém uma cadeia produtiva completa, do fio ao varejo,à sua disposição. Portanto, implantar novos modelos derelacionamento efetivo entre professores, empresários,estudantes/profissionais, com certeza gerará bons frutos.
Nesta edição, abrimos espaço para artigos que tratam destetema, por entendermos que ele é muito importante para onosso setor. Trazemos também a confirmação do Inverno2012 e a antecipação do Verão 2013.
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Por: Maria José de Carvalho
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Data de publicação: 10/01/2012








