Tecnologia e design: motores da inovação têxtil
Inovar cada vez mais em fibras sintéticas, mostrando toda sua grandeza e conhecimento científico é o desafio atual da indústria da moda. O presente nos mostra uma outra necessidade, uma outra forma de produzir vestuário, gerando duas vertentes do setor têxtil: ser inovadora e tecnológica e ao mesmo tempo, ecologicamente correta, ou seja: tecnologia X sustentabilidade. Neste sentido, destacamos a importância do design de produto.
Moda e tecnologia: cuidados
O design de produto é o grande responsável pelas inovações materiais, funcionais e estéticas do mundo atual. Se antes eram chamados “inventores”, hoje são denominados designers e, portanto, cabe-lhes a função de inovar e vender. Além destas duas funções, os designers também devem criar artigos socialmente aceitos e ecologicamente corretos. Na moda, o setor que mais necessita de tecnologia e inovação é o segmento esportivo. Roupas que mantém a temperatura do corpo regulada, que liberam hidratantes para a pele, secam mais rápido, não molham, não mancham, brilham no escuro, etc, são alguns exemplos de tecidos “inteligentes” utilizados principalmente em roupas esportivas.
Em 2008, quando foi lançado o maiô especial (fastskin) LZR Racer® da Speedo Aqcualab®, houve grande expectativa entre os atletas da natação. Desenvolvido em parceira com a Nasa e o Instituto Australiano de Esportes, a peça tinha como objetivo aumentar o desempenho dos nadadores nas piscinas olímpicas. A novidade, porém, foi questionada por especialistas por ampliar a vantagem em velocidade na água, e acabou proibida de ser utilizada em competições pela FINA, a Federação Internacional de Natação, depois de ter quebrado 87 recordes nas Olímpiadas de Pequim. Este é um exemplo da tecnologia levada ao extremo, em que a sociedade não consegue absorver o limite dos benefícios e malefícios que ela pode causar. Assim como a Speedo, muitas marcas esportivas têm investido em inovações tecnológicas para satisfazer as constantes necessidades dos consumidores. Parece não haver mais limites para criatividade nem para o desenvolvimento de novos materiais. Hoje, embora o vestuário esportivo esteja na vanguarda do desenvolvimento e por isso, o mais visível, a indústria da moda em geral segue o mesmo caminho em busca de tecnologia para aplicar em seus produtos, visando performance, praticidade, conforto, entre outros atributos.
Tecidos inteligientes e nanotecnologias
Alguns anos depois do aparecimento das roupas feitas com fibras sintéticas, o consumidor percebeu desvantagens dos tecidos feitos com essas fibras – principalmente por causa do desconforto térmico. Isto levou a indústria têxtil a uma série de pesquisas a fim de obter melhoramentos nas fibras químicas. No início dos anos 90 começaram surgir as inovações em funcionalidade. Em 1992, a Rhodia lançou no Brasil a microfibra Amni, considerada o primeiro fio inteligente produzido no país, dando um novo impulso ao mercado de moda. Na época, José da Conceição Padeiro, Consultor de Marketing da Rhodia Poliamida, definiu a roupa feita com este fio como “tecido inteligente”, ou seja, concebido para suprir exigências além da função convencional da roupa. Entre as inovações tecnológicas que passaram a ser aplicadas no desenvolvimento de produtos avançados, destaque para a nanotecnologia que vem sendo utilizada inclusive na indústria têxtil, especialmente na moda. Entende-se por nanotecnologia a manipulação controlada da matéria em escala molecular e envolve conhecimento científicos multidiciplinares (Nanociência), que tem por base o comportamento quântico da matéria, e efeitos superficiais específicos ao nível de nano escala, os quais se designam genericamente por Nanofísica. (Lobo 2009, p.11). A nanotecologia aplicada aos tecidos é a construção de estruturas a partir dos átomos, que tornam possível modificar propriedades dos materiais já existentes, ou criar novas propriedades. Destas alterações surgem o que assim conhecemos por “tecidos inteligentes”. Com estes materiais é possível tornar a roupa um artigo utilitário. Um estudo recente sobre tecidos utilizando nanotecnologia, feito por pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Massachuttes (MIT), mostra a combinação (no substrato têxtil) de dois materiais distintos: plástico e cristal que resultaram em uma nova fibra que pode refletir a luz. Acionando um interruptor a pilhas, o usuário poderá mudar a cor da roupa, o quanto desejar. Este é apenas um dos muitos exemplos que podemos encontrar de nanotecnologia aplicada ao têxtil.
Há também produtos que prometem muitos benefícios, tais como: redução de consumo de água na hora da lavagem das peças, redução na aplicação de detergentes; impermeabilidade, proteção contra bactérias, antitóxicos; tingimento com nanopartículas, etc. A utilização da nanotecnologia para produção de “tecidos inteligentes” baseia-se nos modelos da natureza e visa proporcionar benefícios ao consumidor, mas o que não podemos esquecer é que ela parte da mistura de materiais e toda mistura torna a separação difícil, fazendo com que esses materiais sejam muito mais difíceis de serem reintegrados ao meio ambiente. “Os compósitos são, quase por definição, mais difíceis de reciclar, porque contém diversos materiais combinados entre si, de um modo praticamente indissociável.” (Manzini, 1993, p.49). Portanto, a promissora nanotecologia, para estar de acordo com a exigência de preservação do meio ambiente, deve encontrar forma de equilibrar seus processos de produção, pois hoje: “O sistema de referência dos novos desenvolvimentos da tecnologia é todo o planeta.” (Manzini, p.46).
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•Por: Carina Prina Carlan*
•Edição: Marcia Mariano
•Fotos: Speedo
• Fonte: * Aluna externa do Mestrado de Design na Universidade de Évora, em Portugal. carinacarlan@yahoo.com.br
Data de publicação: 16/11/2011






