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Moda

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Lojas tentam atrair o novo homem

 
Conservadorismo e margens pequenas de lucro dificultam o crescimento dos pontos-de-venda especializados em moda íntima masculina.

Nos anos 60, quando o mundo vivia o auge da revolução dos costumes, era raro no Brasil alguém sair às ruas exibindo uma sacola com marca de cuecas. ?Os clientes escondiam a embalagem para não revelar o produto?, lembra Sany Worcman, sócio-diretor da Casa das Cuecas, loja de moda íntima masculina inaugurada há 32 anos no centro de São Paulo.
Muita coisa mudou nas três últimas décadas, sobretudo nos anos 90. O Brasil abriu a sua economia e entrou na era da globalização. Entretanto, a maioria dos homens brasileiros ainda continua tradicionalista no que diz respeito à moda íntima. Contam-se nos dedos as lojas voltadas exclusivamente para o underwear. Porém, os que apostaram nesse segmento garantem que, apesar das dificuldades, conseguem sobreviver no mercado.

 

Íntimo For Men: loja de underwear de Curitiba que aposta em artigos arrojados

 
Valor agregado
Por muito tempo, o padrão de cueca no Brasil foi a tipo slip tradicional de algodão - ainda hoje, modelo campeão de vendas. Nos últimos cinco anos houve uma evolução no segmento de underwear, com a introdução de modelos mais ousados e com novos materiais, entre os quais o Tactel®, Tencel®, tules e microfibras.
Para o empresário e estilista Ricardo Almeida, que possui duas lojas de roupas masculinas em shoppings e mais o atelier de sua marca em São Paulo, o segmento de varejo especializado em moda íntima feminina cresceu, no Brasil, mais do que no masculino porque o produto não é lucrativo. ?Enquanto um conjunto de lingerie noite pode custar mais de R$ 100, uma cueca, se for de grife, alcança, no máximo R$ 40.? O estilista aponta como segundo motivo o comportamento do homem brasileiro. ?Mais de 70% das cuecas são compradas por mulheres e elas preferem os modelos tradicionais aos mais ousados com transparências e cavas, por exemplo. Além disso, os homens que detêm poder aquisitivo e que teoricamente poderiam gastar mais comprando cuecas arrojadas são, em sua maioria, conservadores.?
Ricardo Almeida, fala por sua própria experiência. Há 20 anos, começou a produzir e confeccionar os seus primeiros modelos. Hoje a sua coleção de underwear é mais sofisticada, principalmente no conforto dos materiais. Em suas lojas, além da linha exclusiva de cuecas, também vendem ternos, camisas, gravatas, entre outros artigos. O estilista reconhece que um dos problemas para se manter uma loja exclusiva de underwear é a margem de retorno deste produto: ?Em um dia, para faturar o equivalente a um terno, tenho que vender 50 cuecas. Não dá?, explica Ricardo Almeida, cujo preço em suas lojas variam entre R$ 1 mil e R$ 1,5 mil, o terno, e as cuecas custam, em média, R$ 30.
Cada canal de venda tem um perfil de mercado. Em um grande magazine, como a C&A, por exemplo, onde predomina a venda de grandes volumes, encontram-se cuecas de R$ 5 a R$ 15, no máximo. Mas, em lojas especializadas, como a recém-inaugurada Íntimo For Men, em Curitiba, este preço pode chegar ao dobro, sendo que os produtos também são diferenciados. Para não ter prejuízo e, ao mesmo tempo, garantir uma clientela masculina fiel, a opção é manter uma loja de artigos masculinos na qual as cuecas são um item a mais na grade de produtos.

 

A Casa das Cuecas, rede com 15 lojas em São Paulo, com visual totalmente renovado.

 
Ousadia moderada

Os sócios Gilceone B. Silva e Sidnei Roberto Oliveira, que desembarcaram dos EUA a pouco mais de um mês, resolveram investir em uma loja segmentada mesmo sabendo dos riscos deste mercado no Brasil. Eles inauguraram no Champagnat, bairro de classe média alta de Curitiba, a Íntimo For Men. ?Trabalhamos com as linhas Jean Fabian e Innerman e com modelos mais ousados. Mas também vendemos pijamas e cuecas tradicionais para garantir bons resultados nas vendas?, diz Sidnei Oliveira. A loja é sofisticada. Os sócios capricham na vitrine e na decoração, porém sem exageros. ?Muita ousadia espanta o público masculino que costuma associar as cuecas mais audaciosas com produtos para gays?, justifica o empresário, afirmando, porém, que a loja garante retorno financeiro satisfatório: ?estamos apostando muito neste segmento, mas não é fácil mudar a mentalidade das pessoas?.
A L´Intimité, em Ipanema, um dos endereços mais nobres do Rio de Janeiro, também é outro exemplo de loja bem sucedida no segmento de underwear. No mercado há 15 anos, possui seis filiais e comercializa produtos para os públicos feminino e masculino.
Bene Elieser Vinocur, sócio-proprietário da empresa, reconhece que para se consolidar neste segmento é preciso coragem e ousadia: ? as mulheres que entram na loja para compar lingerie, acabam procurando modelos de cuecas mais transadas.? O empresário diz que por ser o Rio de Janeiro uma cidade litorânea, onde o culto ao corpo influencia a sociedade, as cuecas fashion têm até uma boa aceitação entre os homens, entretanto admite que essa parcela ainda é muito pequena se comparada aos que preferem os modelos mais clássicos.
A loja trabalha com as linhas Jockey, Mash e Alert, através do sistema de consignação: só paga o lote que consegue vender. ?Esta é uma alternativa de venda que aliás poucos fabricantes oferecem aos lojistas no Brasil. Se fosse mais utilizada, com certeza, teríamos mais produtos diferenciados nas vitrines?, defende Vinocur.

 

No centro de São Paulo, a Forme, especializada em moda clássica, investe nos nada " comprometedores" modelos tradicionais.

 
Atendimento qualificado
No Norte e no Nordeste também se reflete o mesmo comportamento de mercado em relação à moda íntima masculina. A Di Marco,etiqueta de underwear que também dá nome à loja, situada em Belém, é um dos estabelecimentos comerciais que se destacam na capital paraense por atender o público masculino. Além da linha própria, a empresa trabalhava com as marcas Sotto Sotto (que saiu do mercado), dirigida a homens mais arrojados, e também com Zorba e Jockey. Mas o espaço é dividido com outros produtos, como jeanswear, garantindo, assim, o faturamento da loja.
Localizada no Shopping Iguatemi de Salvador e no Feira Shopping, em Feira de Santana, a Sartori também tem lojas especializadas em moda masculina. Fundada em 1986, há oito anos passou também a atuar no segmento feminino, conseguindo assim manter uma clientela fiel. Robério Sampaio, estilista e proprietário da loja, acredita que o segmento de varejo especializado tende a crescer no Brasil, mas acha que o lojista não deve arriscar investindo em um único artigo. ?O ideal é manter um mix de produtos inovadores e, ao mesmo tempo, oferecer artigos complementares que garantam o volume de vendas da loja?.
A Formen, a mais antiga loja especializada em roupa íntima masculina de São Paulo, fundada há 51 anos pelo italiano Stefano Sangiusti, também optou por oferecer artigos de moda clássica, além de cuecas. ?Nossa clientela é tradicional e basicamente formada por turistas que se hospedam nos hotéis da região?, revela o gerente Antonio Alfredo Kzam. Segundo ele, a filosofia da Formen sempre foi investir no melhor atendimento: ?A roupa íntima masculina é básica e indispensável, mas requer um atendimento qualificado e profissional. Não estamos muito preocupados em fazer uma vitrine chamativa, o que importa é a qualidade do produto e a atenção ao consumidor. Este é um dos segredos de estarmos no mercado há tanto tempo.?

 

Na loja L'Intimité, no Rio de Janeiro, underwear e lingerie dividem o mesmo espaço na vitrine.

 
Nem só de cuecas se vive

Sinônimo do produto que a consagrou, A Casa das Cuecas, nasceu em São Paulo, há 32 anos. Hoje, conta com 15 filiais e ainda este ano deverá inaugurar uma loja em Campinas. O underwear ainda é o carro-chefe das vendas, mas a Casa das Cuecas, que pertence ao Grupo Zorba, também oferece artigos de moda masculina que vão do homewear ao social. Recentemente, a loja passou por uma mudança radical em suas vitrines. O responsável por esta transformação é Sany Worcman, diretor de Marketing e Visual Merchandising: ?Hoje temos produtos que atendem os diversos tipos de clientes, dos mais ousados aos mais tradicionais. Eles buscam conforto e estilo ao se vestirem, mesmo que estejam comprando cuecas.?
A loja está afinada com o que há de mais moderno em matéria de displays para meias - um móvel projetado que expõe todos os modelos e tamanhos onde o consumidor tem acesso direto às mercadorias. ?Vamos dar mais ênfase à nossa marca Zorba e oferecer cada vez mais produtos diferenciados e exclusivos?, garante Worcman, que dá uma receita para quem quer se arriscar nesse segmento: ?Mais do que criar um novo conceito de loja, o principal é saber mantê-lo. Se fizer isso, terá sucesso?. (M.M)

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Por: Márcia Mariano

Data de publicação: 01/04/2000

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