Fenim lança inverno e anuncia expansão
Em sua 16ª edição, a Fenim, organizada pela Expovest em Gramado, Rio Grande do Sul, reuniu em janeiro 1.600 marcas no Serra Park, consolidando-se como a principal feira de confecções do País. Segundo Julio Viana, diretor do evento, houve crescimento de 20% no número de visitantes neste ano. A expectativa é de que sejam gerados cerca de R$ 700 milhões em negócios, devido à grande afluência de lojistas que vieram comprar as coleções de Outono/Inverno. Viana também confirmou para 2013 a primeira edição da Fenim Primavera-Verão a ser realizada em Fortaleza, no Ceará. A data oficial, porém, ainda não foi definida. “Essa será uma oportunidade para aproximar as confecções da região sul dos lojistas da região nordeste, que hoje concentra um grande polo de moda.”, disse o executivo. O novo Centro de Convenções do Ceará, que deverá sediar a feira, porém, ainda está em obras. Com 185 mil m2 de área total e 68 mil de exposição, o empreendimento terá capacidade para receber mais de 30 mil pessoas.
Impressões
O gerente regional sul da Hering, Ademar Heiden, mostrou-se satisfeito com a visitação da feira. Segundo ele, a maioria dos compradores que visitou o estande era proveniente de Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul.
Na Fenim, a empresa apresentou seis coleções, dando ênfase à marca Dzarm de moda jovem. “Nossa marca vem se afirmando nos últimos anos, pois traz roupas com apelo de moda e preço competitivo. Em 2011, a Hering conseguiu crescer 30% garças às vendas das franquias e também do comércio varejista. Para 2012, esperamos crescer 20% em todos os segmentos: infantil, masculino e feminino. Nosso foco é trabalhar fortemente as nossas marcas junto ao consumidor final”.
Robson Amorim, diretor comercial da Lunender Confecções, empresa do Grupo Lunelli, de Santa Catarina, que produz 1 mil toneladas de malhas por mês, comentou que está otimista, porém cauteloso com o mercado interno. “É a primeira vez que participo da Fenim. A venda de malhas em rolo sofreu muito no primeiro semestre de 2011 devido à alta do preço da fibra de algodão. O tecido plano estampado, que voltou com força no segmento de moda, também fez com que a procura pela malha caísse um pouco, mas no geral, fechamos o ano positivamente. Atuamos nos segmentos básico, diferenciado e exclusivo e fornecemos produto para as principais marcas do País”, disse o executivo. Segundo ele, as peças da Lunender são comercializadas em 15 mil pontos de venda e uma das apostas da empresa é a linha plus size. “Estamos saindo na frente neste segmento. Investimos em modelagem e estilo para lançar uma moda feminina ao gosto da consumidora brasileira. Hoje a linha G já representa 10% do nosso faturamento”. A Costa Rica, fornecedora de fios e malhas, que possui confecção instalada em Cambé, no Paraná, foi outra empresa do ramo têxtil estreante na Fenim. “Estamos há 15 anos no segmento de malharia, confecção e fios de algodão e mistos com poliéster importados”, explica Daniele de Lima Sanchez, diretora da confecção. Segundo ela, o grupo está montando uma fiação na cidade de Nova Trento (SC), que deverá entrar em operação a partir do segundo semestre, produzindo 700 toneladas/mês de fios de algodão Ne 24 e NE 30. “Parte da produção será consumida pela malharia e o restante, comercializado. Fizemos investimentos da ordem de 70 milhões de dólares na compra de oito máquinas open-end e pretendemos ampliar a fábrica com mais seis máquinas”, revela Sanchez. A empresa fabrica roupas de malha em viscose com elastano, piqué e moletom e também vende malha em rolo para o mercado. O setor de beneficiamento é terceirizado e a Costa Rica ainda mantém uma rede de lojas e distribuidores pelo Brasil. Daniela Sanchez comenta que a empresa decidiu instalar a fiação porque a importação de fio de algodão ficou inviável. “Estamos sujeitos a contratempos na importação e oscilações de preços. Alem disso, pretendemos oferecer o melhor fio nacional para malharia circular, que é forte no Brasil. A participação na feira foi muito boa para dar visibilidade à marca”.
A Reuter Metais, que fabrica itens para vestuário e calçados, com 20 anos de mercado, expôs pela segunda vez na Fenim. “A feira é uma vitrine para o relacionamento com os clientes e estar aqui é referencia nacional para a confecção. Nenhum segmento têxtil hoje está imune à concorrência dos importados, mas no ramo de aviamentos, para se manter à frente da concorrência, precisa estar junto do cliente e saber o que ele busca”, disse o gerente comercial, Bruno R. Dieter. A empresa apresentou uma linha completa de componentes em ferro, rebites metalizados e galvanoplásticos para jeans, malhas e couro.
Malharia mineira
As empresas fabricantes de malhas e fios para tricô também foram presença forte na feira. Situada na cidade de Jacutinga, em Minas Gerais – região considerada a “capital do tricô”, que responde por 30% da produção nacional – a malharia Julia Tricot apresentou uma coleção repleta de tramas sofisticadas, com muito brilho em fios de viscose, poliamida e acabamento foil silk. Com lojas de atacado no Brás e Bom Retiro, em São Paulo, a empresa vende para grandes marcas em todo o Brasil. “Temos máquinas retilíneas japonesas e trabalhamos com até 30 tipos de fios diferenciados, para oferecer moda e inovação”, declara a proprietária Viviane Furrier de Oliveira. Para Outono/Inverno ela apresentou uma coleção com 280 modelos e se disse satisfeita com o evento. “Para conquistar mercado é preciso fazer coisas bonitas e diferenciadas”, atesta.
Participante assíduo da Fenim, Rogério Meirelles, da empresa Arte e Fios, mostrou seus lançamentos para o inverno, com destaque para o tricô estampado. O empresário, porém, reclamou da concorrência das importações. “Eu continuo persistindo como fabricante. Mantenho 90 pessoas na produção em Conceição do Rio Verde, Minas Gerais. Mas é muito difícil competir com o preço baixo dos produtos de fora e com a carga de impostos aqui dentro. Nossa margem hoje é de sobrevivência no mercado”, desabafou.
Milton José Magalhães, diretor da Malharia Acrilã, situada em Jacutinga, faz coro na reclamação. “Se não for feito nada para conter esta guerra dos importados vou parar de produzir”. Há 30 anos no mercado, a Acrilã produz cerca de 20 mil peças/mês, possui lojas de fábrica e é especializada em malhas de acrílico, algodão, poliamida e viscose. Com 130 funcionários, a direção da empresa decidiu modernizar a fábrica, investindo R$ 250 mil na compra de seis novas máquinas retilíneas. “Eu sou teimoso, quero continuar produzindo, mas com esta invasão de produtos asiáticos ficará cada vez mais difícil investir no Brasil”.
O Portal Textília.net não autoriza a reprodução total ou parcial de qualquer conteúdo aqui publicado, sem prévia e expressa autorização. Infrações sujeitas a sanções.
Por | Marcia Mariano
Data de publicação: 03/05/2012









