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SPFW Verão 2013

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Brasil pode liderar o “novo luxo” na moda

Nada de brilhos suntuosos, texturas plásticas ou superfícies metálicas. O novo conceito fashion, defendido por Oskar Metsavath, diretor da grife Osklen, deve ser um produto sofisticado sim, mas de origem sustentável.
A ideia foi debatida na Bienal de São Paulo, durante apresentação do projeto ‘Traces’, fruto da cooperação ítalo-brasileiro que rastreou a pegada de carbono e os impactos sócios ambientais de seis artigos produzidos pela marca. O encontro, realizado na Sala 3, antes do início dos desfiles da São Paulo Fashion Week, contou com as presenças do ministro italiano Corrado Clini, do Meio Ambiente Terra e Mar (IMELS) e da coordenadora Martina Hauser; Mario Garnero, presidente do Fórum das Américas, Rafael Cervone, diretor do Programa TexBrasil, da Abit e Paulo Borges, diretor criativo do SPFW, mediador do evento.
Embora de muletas, devido a um acidente sofrido recentemente, Oskar Metsavaht, que também é presidente do Instituto-e, estava muito entusiasmado com a possibilidade de expandir o projeto, do qual é pioneiro no Brasil. “Não temos que ficar competindo com produtos baratos da Ásia, ou com a moda iconográfica dos Estados Unidos ou da Europa, que deixou de ser elegante para ser esnobe. Hoje, o novo luxo é a inovação aliada à produção sustentável. É a inclusão social em sinergia com criatividade e design. É possível fazer algo bonito, sofisticado e de valor sem agredir a natureza. O Brasil tem tudo para ser protagonista deste novo luxo”, defendeu o empresário e ativista ambiental.
O Instituto-e é uma associação privada civil sem fins lucrativos, criada e sediada no Rio de Janeiro, voltada para a promoção da vocação do Brasil como “país do desenvolvimento sustentável”. Visa sensibilizar a sociedade e dar visibilidade a temas, projetos e parceiros envolvidos com o desenvolvimento social, ambiental, cultural e econômico. A entidade atua também nas esferas da educação e da promoção social.

Parceria ecológica

Não menos animado, o ministro italiano disse que “países irmãos como Brasil e Itália” podem criar juntos um novo mercado de produtos que despertem o desejo do consumo consciente. “Eu acredito que o projeto Traces será o primeiro passo, o primeiro bloco de um programa ambicioso de autogestão da indústria em adotar a pegada de carbono como balizador para o desenvolvimento de um novo ciclo produtivo. Tenho certeza de que os europeus estão prontos a pagar mais caro para enfrentar este desafio”, ressaltou Corrado Clini. Segundo o ministro, o governo da Itália já investiu até agora 8 milhões de euros, sendo 1 milhão de euros só no Traces, para os projetos sustentáveis no Brasil. Além do setor têxtil/moda, há ações no campo da bioenergia e alimentos orgânicos.
Clini informou que foi lançado, há duas semanas, em São Paulo, o projeto para a produção da segunda geração de biocombustíveis, que utiliza rejeitos (bagaços) da cana de açúcar. “A primeira geração era derivada da própria cana, porém, a produção de biomassa não pode afetar a segurança alimentar. Esta é uma questão muita discutida hoje nos países emergentes. Como conciliar produção sustentável como necessidade de ser reduzir a fome e a pobreza. Ao utilizar o bagaço, subproduto da cana direcionada para usina de açúcar e álcool, é possível conciliar o aproveitamento da mesma fonte de matéria prima em outras cadeias de valor”, defende o ministro italiano.

O que é o projeto Traces

Em junho de 2011, o Instituto e o Ministério do Meio Ambiente da Itália, em parceria com o Fórum das Américas e o Senai-Cetiqt, do Rio de Janeiro, rastrearam a pegada de carbono e os impactos socioambientais de seis e-fabrics® (materiais sustentáveis) usados pela marca Osklen para a produção de artigos de moda. Os materiais foram: algodão orgânico, algodão reciclado, couro de peixe Pirarucu, juta da Amazônia, malha feita de fibra de garrafa PET reciclada e seda orgânica. Especialistas de ambos os países estudaram a cadeia de produção de cada um desses seis produtos para conferir o manejo sustentável, identificar aspectos sociais e avaliar as emissões de gases de efeito estufa. Os técnicos também observaram possíveis medidas de mitigação para minimizar os impactos ambientais durante o ciclo de produção das peças. A equipe viajou pelo Brasil de Norte a Sul durante quase um ano, colhendo e compilando dados. Os resultados indicam como os impactos ambientais da produção da Osklen são mínimos se comparados com os da indústria têxtil convencional e como seu fomento evita que questões sociais da maior gravidade.
Alguns produtos da marca, como as bolsas confeccionadas em uma cooperativa de reciclagem de lixo de Marambaia, em São Gonçalo, Rio de Janeiro, já foram expostas no MoMA - Museu de Arte Moderna de Nova Iorque.

Desafios para continuidade

Rafael Cervone, diretor do Programa TexBrasil, disse que o projeto é um grande desafio para a indústria têxtil brasileira que ainda precisa ser mais eficiente no que se refere à produção sustentável. Ele, entretanto, revelou alguns avanços já conquistados pelas empresas brasileiras, que engloba 30 mil estabelecimentos (fiação à confecção): 23% delas já têm créditos de carbono. 56% possuem programas de reflorestamento, 63% reutilizam águas industriais e mais 3 mil possuem certificações ambientais.
Já Mario Garnero, presidente do Fórum das Américas, elogiou a iniciativa da Osklen de apostar em um projeto pioneiro no Brasil. “Oskar Metsavath é um ambientalista prático. Não é teórico. Ele provou que é possível fazer moda de bom gosto e valor agregado com ação social e preservação da natureza. Por isso, apoiamos este e qualquer outro projeto nesta linha. A função do fórum é desenvolver novas tecnologias de produção verde, como o carro a álcool, que já fizemos no passado e que foi a primeira vitrine brasileira nesta área”.
Oskar Metsavath acrescentou que o principal desafio é atrair mais empresas para o projeto e difundir a ideia junto aos consumidores brasileiros que hoje estão ávidos para comprar, mas que ainda não consideram a questão ambiental. Isso é em razão de a maioria dos produtos sustentáveis, de roupa a alimentos orgânicos, ainda ser muito caros para grande parte da  população. “Eu espero que o governo brasileiro passe a incentivar, com isenções fiscais, por exemplo, a inovação feita por empresas que estão comprometidas com a produção sustentável. Senão, o discurso ambientalista acabará caindo no descrédito”.
Paulo Borges enalteceu os debatedores e disse estar orgulhoso de um tema tão relevante ter sido debatido durante a SPFW, ao mesmo tempo em que acontece no Rio de Janeiro a Conferência da ONU para a Sustentabilidade, a Rio + 20, que termina dia 22 de junho.

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Por: Marcia Mariano
Fotos: Divulgação

Data de publicação: 15/06/2012

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