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ITMF 2010

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Preço do algodão deve continuar subindo

O algodão, principal fibra utilizada pela indústria têxtil em todo o mundo, deverá seguir em alta no mercado internacional. A commodite, cujo preço médio variava entre US$ 0,50 e 0,70 libra-peso, dobrou de preço nos últimos seis meses e poderá se aproximar dos US$ 2 dólares libra-peso, impactando toda a cadeia produtiva do setor já que influenciará também o preço da fibra de poliéster, outra matéria-prima importante que compõe com o algodão a maior parte das mistrura de fibras utilizadas na produção de vestuário e outros artigos têxteis. “ A prevalecer o aumento da demanda mundial por conta do aquecimento do consumo dos países emergentes, em combinação com fatores climáticos e econômicos, que têm afetado as lavouras nos principais produtores como Paquistão, China e Índia, o algodão tenderá ser o ouro branco no mercado internacional de commodites, pelo menos até 2011”, admitiu Andrew G. Macdonald, chairmain do ITMF Spinners Committee e consultor da Associação Brasileira de Algodão (Abrapa).
Ele foi mediador da Sessão Fibras, painel inaugural da Conferencia Anual do International Textile Manufacturers Federation (ITMF), maior evento da indústria têxtil mundial que acontece de 17 a 19 de outubro, no Hotel Hilton Morumbi em São Paulo. Segundo Macdonald, o mercado foi pego de surpresa pela disparada de preços do algodão. “Os analistas esperavam uma ligeira alta devido ao crescimento da demanda, especialmente na China e da Índia, dois grandes produtores mundiais, onde também o consumo aumentou 20% em 2010. Porém não contavam que além da forte pressão do consumo, a safra dos países produtores seria reduzida por causa de questões climáticas. Houve prejuizos nas lavouras de algodão do Paquistão e da China e na India, em função da queda da safra mundial, o governo decidiu vetar a exportação de excedentes a fim de manter abastecido seu mercado interno.  Creio que esta situação de alta deverá permanecer até 2011, quando a nova safra entrará no mercado, isto é, se o clima ajudar”, comentou o consultor da Abrapa. Organizado pela BySide Comunicação, o evento é realizado pela comitê da ITMF e pela Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção, (Abit) em parceria com o Programa Texbrasil e a Apex-Brasil. Devem participar da plenária cerca de 350 delegados de várias partes do Brasil e do mundo. Além do Brasil, que sedia o evento pela terceira vez, a conferência já aconteceu na Áustria, Egito, China, Bélgica, Índia, Finlândia, Turquia, Inglaterra e Canadá.

Fibras em cheque

“Conformidade, Sustentabilidade e Rentabilidade” é o tema que direciona a Conferência ITMF 2010. A abertura do evento, realizado no domingo dia 17, teve como foco as fibras têxteis, com destaque para o algodão e as fibras sintéticas. Participaram do painel sobre Algodão, o presidente da Abrapa Haroldo Cunha; o vice-presidente da Terranova Ranch Jeff Elder, que substituiu Don Cameron um dos maiores plantadores de algodão dos Estados Unidos; e o diretor executivo do ICAC, Terry Townsend. Já do painel sobre Fibras Químicas, participaram o superintendente da Petroquímica Suepe, Richard Ward; o presidente da Rhodia América Latina, Marcos de Marchi e o diretor de negócios da Advansa (Turquia), David Bayliss. Os dois painéis foram mediados pelo consultor da Abrapa, Andrew G. Macdonald.
No primeiro bloco, a discussão gerou em torno das alternativas para tornar o algodão mais rentável e competitivo. Jeff Elder defendeu o algodão geneticamente modificado como saída para uma cultura sustentável. “A terra plantação do algodão convencional está ficando cada vez mais restrita no mundo enquanto a demanda cresce de 3% a 5% ao ano. Temos que ter uma produção que seja mais eficiente, ocupe menos hectares e provoque menos impacto ambiental”. O executivo defendeu que as sementes transgênicas além de acelerar o ciclo de produção, aumentam a resistência do algodão às pragas, reduzindo drasticamente o uso de agrotóxicos.
O agrônomo Haroldo Cunha, presidente da Abrapa, disse que nos últimos 10 anos, a partir da concentração da produção de algodão no serrado, Região Centro-Oeste, o rendimento passou a 66% e a produção aumentou 68%. “Antes tínhamos cerca de 833 mil hectares cultivados, hoje temos mais de 1 milhão e a expectativa é que alcancemos 1,58 milhão ha em 2011”. Embora reconhecesse que a cultura de algodão transgênico, que no Brasil representa 15% da produção, implique em mais custos que o convencional, Cunha defendeu a liberdade dos agricultores de escolher entre uma e outra e lamentou que a biotecnologia não seja uma prioridade do governo. “Desde 2007 aguardamos uma regulamentação mais abrangente sobre transgênicos e até agora nada avançou”. Evitando polemizar sobre a ação movida pelo Brasil na OMC contra os subsídios do governo americano aos plantadores de algodão, o presidente da Abrapa admitiu que existe desacordo entre os dois países “Consideramos ilegais os programas de garantia de crédito à exportação bem como os subsídios ofertados aos plantadores domésticos. O Brasil vai continuar com o processo na OMC mas aguardará o prazo de dois anos (até 2012), requerido pelos Estados Unidos, para que o governo americano negocie com o congresso a redução dos valores repassados a estes programas”.
O diretor executivo do ICAC, Terry Townsend, por sua vez preferiu analisar o preço das commodities que segundo ele não está sendo impactado pela desvalorização do dólar no mercado internacional. “O que leva este aumento é a demanda aquecida dos países emergentes e o mundo tem que se preparar para superar este desafio”. Ele também criticou as ONG's que apontam o algodão como uma lavoura tóxica. “O impacto ao meio ambiente da produção de algodão no mundo representou apenas 6.2% e não 28% como divulgam estes boatos. Dizem que o algodão consome muita água para seu cultivo, quando na verdade é apenas 3%. Os críticos confundem perigo com risco. Se os agricultores usarem produtos químicos seguros, que já existem no mercado, não haverá danos  ao meio ambiente. As ONG's usam exemplos de décadas passadas para alarmar a sociedade. A cultura do algodão evoluiu muito nos últimos anos graças ao avanço da ciência e aplicação de agrotóxicos diminuiu consideravelmente”, ponderou.

Fibras Químicas

Já no painel das fibras químicas a tônica ficou por conta das ações e produtos que as empresas players de mercado estão desenvolvendo em prol da sustentabilidade. O presidente da Rhodia, Marcos de Marchi falou sobre os programas de produção mais limpa que vem sendo implantados nas fábricas da empresa no Brasil e destacou a questão da responsabilidade social como importante também. “A Rhodia fez um acordo inédito com o ICEM, federação que representa milhares de trabalhadores da indústria química, que certificou que o trabalho em nossas instalações é seguro e está em conformidade com as regras adotadas nos países mais avançados do mundo”. Ele também anunciou que a empresa reduziu em 70% o consumo de água em sua produção nos últimos 10 anos e diminuiu em 83% a geração de efluentes.
O diretor de negócios da Advansa (Turquia), David Bayliss, destacou que o poliéster tende a ampliar seu espaço na produção têxtil mundial devido a alta do preço e a escassez de algodão em algumas regiões do planeta. Afirmando que a fibra sintética, ao contrario da natural, não polui o ambiente durante o seu processo de produção, ele também apontou a tendência de se utilizar cada vez mais fibras recicladas de PET e alertou para a necessidade de se desenvolver biopolímeros (como os feitos a partir do milho) para substituir a matéria prima derivada do petróleo: “Este recurso fóssil deverá se reduzir drasticamente até o final do século”, previu.
Já o superintendente da Petroquímica Suepe, Richard Ward, apresentou o megaprojeto que já está em curso, e que reúne a construção de três plantas industriais em Pernambuco, uma de PTA (matéria-prima do poliéster), outra de PET e uma de filamentos texturizados. “A Petrobrás estará investindo US$ 5 bilhões no segmento de petroquímica até 2014, pois queremos ser uma força alavancadora da indústria de transformação brasileira, entre elas, a de fibras químicas. A idéia é reduzir a dependência das importações de filamentos de poliéster. Hoje o mercado brasileiro consome 139 mil toneladas/ano. Deste total, apenas 61 mil toneladas são produzidas localmente. Com a planta de Suape, vamos produzir 85 mil toneladas de fios texturizados, equilibrando mais o setor”, anunciou Ward.

A cobertura completa da conferência será publicada na próxima edição da Textília.

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Fotos: Gladstone Campos
Fonte: Redação
Por: Marcia Mariano

Data de publicação: 18/10/2010

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