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ITMA 91

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ITMA 91 - Nãotecidos, integação aperfeiçoando o produto final

A maior feira internacional de máquinas têxteis inclui outra vez uma presença significativa de máquinas e equipamentos ligados à tecnologia dos não-tecidos. A participação na feira contou principalmente com os maiores fabricantes de máquinas da Europa, tais como Oskar Dilo, Dr. Ernst Fehrer, Temafa, Fleissner, Hergeth Holling-sworth, Grupo Schlumberger, Tathan entre outros.

Desde a preparação da matéria-prima até os acabamentos finais verificamos uma preocupação com a melhoria da qualidade do produto final, com a troca de partidas, cores, formulações, desenhos, aumentos de produtividade, automação do processo de fabricação chegando até a proteção do meio ambiente.

Operação Integrada: um ponto fundamental anotado nessa ITMA entre as empresas foi à colaboração mútua no intuito de exibir linhas completas para a fabricação de não-tecidos.

WILLIAM TATHAM LTD (Inglaterra) mostrou uma linha de 2,5m de largura, consistindo de um alimentador volumétrico com sistema de controle, uma carda com duplo doffer e um dobrador moderno com capacidade de até 100m/mim, trabalhando em conjunto com uma agulhadeira Fehrar do Tipo NL9S. A esta linha estava acoplado todo um processo de preparação de fibra com um abridor, silo e frezadora da empresa Pneumatic Conveyors (Inglaterra), que assegura a qualidade da fibra na entrada da formação do véu. O uso de um sistema integrado permite o controle da linha completa.

O maior estande da ITMA foi o do GRUPO SCHLUMBERGER, o qual incluiu a Asselin (França), A. Thibeau & Cie (França), e HougetDuesberg Bosson (Bélgica), ocupando 3.700m2 o que representava 2% do espaço total da feira. A grande capacidade do grupo é fornecer uma linha Turn-Key, ou seja, prepraração da fibra, cadagem, formação ao véu e consolidação mecânica. A carda mostrada era a CA6 - 25XPP de alta produção. O dobrador, um dos três modelos novos da Asselin, é o mais rápido e pode alcançar velocidade de 120m/mln.

A ASSELIN ofereceu nessa linha duas unidades de agulhagem, sendo uma de acabamento, que pode atingir 2000 r.p.m., dependendo ao avanço. Grande ênfase foi dado também ao controle automático da linha, centralizado num monitor.

A HERGETH HOLLINGSWORTH (Alemanha), tradicional fornecedora de equipamentos de preparação da fibra e formação de véu, apresentou uma linha do fardo ao produto final composta de um sistema OPTOMIX IIIM para retirar as fibras de três fardos simultaneamente. Em seguida, as fibras eram enviadas para um abridor tipo MTO/S e um abridor fino para garantir a abertura. A seguir, o material era transportado a um carregador volumétrico para fibras até 250mm de comprimento. Na sua frente foi colocada uma carda capaz de trabalhar com fibras de 0,5 a 25 dtex, com comprimento até 150mm. Na saída da carda, instalou-se um dobrador de véu moderno para altas velocidades e uma agulhadeira Dilo. Todo o sistema era operado por um microprocessador que acusava todos os pontos desejáveis da carda à saída da agulhadeira.

SPINNBAU BRENMEN, TEMAFA, AUTEFA e DILO expuseram uma variedade enorme de equipamentos em estandes adjacentes, mostrando a viabilidade de fornecerem também, via fabricantes alemães, linhas completas de fabricação (estande de 1000m2).

A DILO apresentou a Di-Loom OD SC, designada para processar não-tecidos de filamento contínuo ou véus de fibra de baixa gramatura. Essas unidades são adequadas para trabalhos que requeiram altíssima eficiência e um mínimo de manutenção. As unidades são capazes de atingir 3.000 r.p.m. numa operação contínua, com um avanço de 30mm por batida, com produção possível de 100 m/min.

O último lançamento da Dilo foi a DI-LOUR DS, uma unidade de estruturação de agulhados leves, com alta densidade de aveludado na superfície. Ela emprega um processo novo, para a qual patentes têm sido aplicadas, envolvendo duas estações de agulhagem e uma esteira de escova comum às duas. Entre uma gama muito variada de máquinas, a Dilo mostrou uma unidade para inserção de agulhas automaticamente numa tábua. Esta pode posicionar 4 000 agulhas por hora com grande precisão.

A linha completa demonstrada pelos fabricantes alemães mostrava um abridor de fardos da Temafa, uma carda da Spinnbau, um dobrador de véu da Autefa e uma pré-agulhadeira da Dilo tipo DI-LOOM OD-II acoplada a um sistema de alimentação de véu, que elimina estiramento quando o véu entra na zona de agulhagem. O dobrador de véu da Autefa, usado na demonstração, foi o tipo 2.000, desenvolvido há quatro anos.

A AUTEFA também apresentou uma unidade de recuperação de fibra. Embora poucos detalhes foram prestados, informou-se que existe uma separação 100% de metal e outros materiais não desejados do material fibroso em processo.

A SPINNBAU também apresentou sua Turbo-Card destinada à fabricação de véus volumosos.
A DR. ERNST FEHRER apresentou como sempre um grande estande, o maior de sua história e por que não dizer da Áustria. Embora não todo dedicado à área de não-tecidos, muitas inovações nesse campo foram desenvolvidas. Uma dessas foi a agulhadeira modelo NL-3000, capaz de operar a 3.000 batidas por minuto. Essa agulhadeira foi desenvolvida para agulhar filamento contínuo e véus que provêm de linhas em altas velocidades - tais como na fabricação de geotêxtil e impermeabilização. O modelo é encontrado desde 1,0m até 6,6m de largura, com velocidades de até 50 m/min. Na ITMA, o equipamento operava um filamento contínuo de 140g/m2.

Uma linha completa mostrava em operação o Modelo NL-21/S - RVS Superlooper e o Modelo NL-II/SE. A linha fabrica o que foi batizado como um não-tecido. Combi-Velour - uma construção combinando um velour desordenado e uma estrutura de forquilha. A unidade Superlooper emprega 10.000 agulhas/metro linear. Ela introduziu um novo tipo de esteira de escovas, permitindo assim o uso de agulhas de forquilha convencional. O Superlooper e a NL-II/SE foram apresentadas operando em conjunto ou separadamente.

Outra linha da Fehrer em operação estava produzindo véus leves na largura de 2,2m. A linha consistia em um abridor de fardos, um abridor fino, um alimentador, um formador de véu Tipo V21/R e a carda desordenada tipo K21. O equipamento estava produzindo um véu de 30 a 40g/m2, com viscose 1,7 dtex x 38mm, o qual tinha resistência equivalente em todas as direções. Tal linha é adequada para aplicações higiênicas e médicas, entretelas e panos de limpeza. O recente desenvolvimento da Feher, baseado no conceito de distribuição de agulhas, F9, foi demonstrado em duas agulhadeiras. Esse sistema foi desenvolvido para melhorar a qualidade de penetração da agulha sem deixar marcas na superfície do agulhado. A distribuição estava sendo mostrada num modelo NL 2.000/S que é a primeira agulhadeira com tábua simples de 10.000 agulhas/metro linear. A segunda unidade, usando a distribuição desordenada, era o modelo NL 9/SR S com tábuas de agulhas em ambos os lados do véu. O produto resultante poderia ser usado para couro sintético, substratos para laminados e vários produtos industriais. No salão interno a tecnologia de fabricação de feltros agulhados para a indústria papeleira teve um destaque especial. A AUTOMATEX Srl (Itália) apresentou um modelo de pré-agulhadeira PR. 50/T com um modelo En. 81/A que é a unidade de alimentação. A pré-agulhadeira tinha 5.000 agulhas/metro linear. A Automatex também mostrou um controle microprocessador que monitorava o dobrador de véu modelo FA 2.000/T. A formação de véu era feita numa carda Bematic. A MORRISON BERKSHIRE INC.

(E.U.A.) exibiu o sistema de guias da agulhadeira livre de lubrificação, cuja versão máxima é na largura de 6 m, com quatro tábuas de agulhas.

A FOSTER NEEDLE INC. (E.U.A.) mostrou a sua agulha de coroa para uso na agulhaderia DI-LOUR e construções de velour desordenado.

A SINGER (Alemanha) apresentou toda sua gama de agulhas, mais a sua unidade automática para troca de agulhas de uma tábua. A GROZ BECKERT (Alemanha) expôs apenas sua produção normal de agulhas. A tecnologia de consolidação hidromecânica (spunlaced) estava sendo exibida pela I.Q.C.T., através do coração do processo que era um tambor perfurado circundado pelos injetores e apresentando também algumas amostras possíveis a serem processadas por essa inovadora tecnologia. No campo da recuperação de resíduos ou fibras encontramos várias empresas expondo suas unidades, ou parte delas, com muita ênfase em seus estandes, tais como a Laroche SA (Franca), H. Schirp & Co Kg (Alemanha), Rolando Machine Tessile (ltália), Dell' Orco Vilani (Itália), Indústrias Margasa (Espanha) entre outras.

A SHIRP apresentou ainda detalhes de sua nova linha formadora de véu que usa um carregador vertical. A primeira linha está sendo instalada na França.

Outros Sistemas de Consolidação

As inovações no campo de coser e tricotar foram mostradas por dois expositores. A INVESTA CO LTD (Tchecoslováquia) apresentou sua última versão da classe Arachne. A Araloop 2540-NI pode produzir uma superfície buclê para estofados, decorações, revestimento de piso e outros usos similares. A unidade emprega um dos sistemas de fios para consolidar o véu de fibra. O segundo expositor, TEXIMA AG (Alemanha) mostrou sua máquina de coser-tricotar mais avançada. A unidade, Malimo Maliwatt N.2400/modelo 14021, incorpora o sistema Intor, que possibilitou a formação do véu sobre a de máquina de costura, evitando a necessidade de uma carda e um dobrador de véu e assim reduzindo consideravelmente o investimento e o espaço fabril. O formador do véu e o dobrador são colocados sobre o equipamento de costura. O processo de formação de véu pode ser executado por três diferentes e intercambiáveis unidades.

Equipamentos de Consolidação Térmica

Embora muitos fornecedores de calandras tomaram parte na ITMA, poucos deram alguma ênfase ao processo de consolidação térmica. Três empresas italianas em cooperação mútua apresentaram uma linha completa consistindo de um sistema de preparação e carda da Fonderie Oficine Riunite (F.O.R.), uma calandra térmica da Comércio Ercole Spa e um enrolador automático da A. Celly Spa. Toda a responsabilidade é assumida pelo Comércio Ercole.

Outras empresas que deram detalhes de suas calandras térmicas foram a Stork Calenders (Holanda), cuja velocidade do equipamento pode alcançar 200 m/min; a Küster (Alemanha) também expôs suas possibilidades com o sistema de três cilindros, sendo dois lisos e um gravado. O expositor EXCLUSIVAS TEPA SA, da Espanha, fornecedor de equipamentos de acabamento e tingimento para a indústria têxtil, fabrica agora uma calandra até 3,6m de largura. Também ingressou na área de consolidação química por espumação e aplicadores de resina, secadores de tambor para não-tecido.

A MOHR CAIDIK (Alemanha) e a FLEISSNER (Alemanha) tradicionais fabricantes de equipamentos para consolidação química, apresentaram uma larga variedade de equipamentos para consolidação e acabamentos de não-tecidos. A Mohr, por exemplo, apresentou um aplicador de espuma versátil adequado para trabalhar em larguras até 6,5m. Pode ser usado para aplicação de espuma em véus leves ou agulhados; para aplicações dos dois lados, destina-se a materiais pré-agulhados de gramatura média.

No campo da Consolidação Ultrasônica, a NIKKO TEENO CO INC. (Japão) apresentou seu último modelo Pinsonic que fabrica atualmente até 375m de largura. Embora o sistema seja usado para consolidação térmica de véus que contêm fibras sintéticas, amostras apresentadas no estande indicavam uso largamente comercial em Iaminações e matelassê, em aplicações finais inúmeras. O processo, segundo informações da empresa, necessita menos que um décimo da energia requerida por um sistema de calandragem térmica e atinge velocidades de saída de 120m/min.

Expositores de Filamento Contínuo, Sopro

Três expositores alemães e dois italianos de linhas de filamento contínuo tomaram parte nessa ITMA. A REIFENHAUSER GMBH & CO (Alemanha) promoveu seu recente sistema duplo Reicofil, uma versão capaz de produzir, segundo o fabricante, um véu de 150g/m2 na largura de 4,20m, atingindo até 1.000kg/h. A Reifenhauser também enfatizou em seu estande o seu equipamento de fabricação do melt bloun.

A ZIMMER AG, que foi adquirida pelo Grupo Lurgi, detém o processo de filamento contínuo DOCAN, contudo não deu ênfase ao equipamento durante o evento.

A KARL FISCHER INDUSTRIEANLAGEN GMBH (Alemanha), outro expositor que oferece linhas de filamento contínuo, tem sido um dos principais fornecedores desse equipamento ao Grupo Freuden-Berg.

A STP IMPIANTI SPA foi um dos dois construtores italianos da linha de filamento contínuo, e, associado à A. TRITSCHOLIAN combinou simplicidade com alta velocidade de operação e versatilidade. O único sistema de extrusão aerodinâmico usado é adequado para produzir polipropileno, polietileno e poliéster; de extrusão simples ou duplas podem ser oferecidas. Um cabeçote duplo na largura de 4,2m pode ser capaz de fabricar 900kg/h, fabricando um não-tecido de 150g/m2.

A Segunda fornecedora italiana de equipamento de filamento contínuo foi a MECCANICHE MODERNE SRL, que estava oferecendo oportunidade para um sistema de largura até 5m com baixo investimento. Dezenas de outros expositores de equipamentos e tecnologias estiveram presentes na ITMA, assim fornecedores e fabricantes de acessórios de máquinas, como guarnições, pontas, esteiras, entre eles: Graf (guarnições), Schmauser (pontas), Sampla (esteiras) etc.

Em termos de equipamentos, a D.O.A. (Áustria) seu equipamento aerodinâmico, Gualchierani (tecnologia de formação de véu volumoso), Octir (Itália) - cardas Bonino (Itália) - carda, Masias (Espanha) - carda e Befama (Polônia) também expuseram seus produtos. No que diz respeito a acabamentos em não-tecidos, a ITMA apresentou plantas para espalmagem, laminações, máquinas termofixadoras, flaneladeiras, navalhadeira. O pavilhão 3 foi o que mais contribuiu com a participação de expositores ligados a não-tecidos, com 47%. A área de não-tecidos, englobando desde a preparação da matéria-prima até o acabamento fina, teve a participação de 11% dos expositores. Apesar dessa ITMA ter apresentado fabricantes de todo o mundo, demonstrou-se mais uma vez a liderança dos europeus na fabricação de equipamentos para a obtenção de não-tecidos, como por exemplo, equipamentos de preparação da fibra, formação de véu, consolidação mecânica por agulhagem e costura, consolidação química e consolidação térmica, linhas de filamento contínuo e meltbloon, com pequenas excessões para fabricantes americanos e japoneses.

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Por: Márcia Mariano
Matéria publicada na revista Textília em 01/02/1992

Data de publicação: 01/02/1992

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