Mix cultural... um retorno às raízes
No século 21, as pessoas querem ser surpreendidas, impregnadas, sustentadas por uma idéia, um desafio ou estado de espírito; por algo que as transforme. O desejo pelo artesanal reflete este conceito, assim como, a necessidade voluntária de limitar o consumo. Para a última edição da Heimtextil, que aconteceu entre os dias 12 a 15 de janeiro de 2011, Caroline Till e Kate Franklin, da agência de estilo britânico, The Future Laboratory, demonstraram como esta atitude perante a vida se reflete nas tendências e nos temas para decoração de interiores. Partindo do mote central Reconnect, são apresentados quatro direções: Sobriety, Mix Mash, Utility e Wilderness. Este é o primeiro ano em que as direções foram divididas em quatro características distintas, o que as torna ainda mais concretas em termos de significados.
Sobriety - um retorno ao essencial e a tradição
Focado em uma nova abordagem do clássico – que promova a inovação, simplicidade e sustentabilidade. Decreta o fim das tendências sazonais e aposta na busca por valores consistentes. O pano de fundo para essa mudança está no comportamento do próprio consumidor que, nos últimos anos, têm construído uma autoimagem ética, baseada em qualidades concretas e numa nova relação com o ambiente onde vive. Nesse sentido, cada linha, forma, textura e cor se tornam uma experiência íntima, motivando uma nova geração de designers a recuperar habilidades artesanais, trazendo “vida” aos objetos do dia a dia.
• Serenity – Como vamos rever nosso modo de vida, devemos buscar produtos que evoquem um estímulo emocional e uma relação táctil. Graduações sutis de textura e uma paleta suave que exalte a elegância e a modernidade. O resultado estético é limpo e contemplativo. Materiais e acabamentos refinados são a chave desta tendência, destaque para os tecidos monocromáticos.
Palavras chave: táctil, sereno, elegante, artesanal, refinado.
• New School – Racionalização, redução e revelação. New School apresenta influências do design da metade do século XX, reinterpretado por uma nova geração de materiais.
Contemporâneo e autêntico realça padrões têxteis como o Argyle e a espinha de peixe.
Madeiras escuras, detalhes em couro e tapeçaria, criam uma atmosfera masculina.
Palavras chave: modernidade, reinvenção, tradição e masculinidade.
• Classic Modernity – Uma releitura contemporânea da década de 1950, autêntica e nostálgica. Nas cores, marrons em tons de chocolate, amarelo ocre e creme criam uma sensação de aconchego e conforto. Mobiliário artesanal e formas curvas aparecem nos materiais e no design. Estampas sofisticadas que lembram pinceladas soltas. A sensação tátil do bouclé remete à atemporalidade.
Palavras chave: autenticidade, nostalgia cordialidade e longevidade.
• Minimal Luxury – Satisfaz o desejo pelo design puro, clean e simples. Uma estética elegante e atemporal, em sintonia com o desejo dos consumidores por experiências emocionais e luxuosas. Cashmere, lã merino, couro macio e camurça suave em tons de bege, creme e rosa pastel têm um apelo sofisticado e fresco.
Palavras chave: minimalismo, fresco, clean, suavidade
Mix Mash – incorpora alta tecnologia com artesanato
Misturar e combinar. Transformar algo velho em novo, mesclando cores e padrões. Construções experimentais enfatizam o contraste entre os materiais naturais e sintéticos. Formas geométricas rígidas são utilizadas para suavizar os efeitos e as combinações de vários motivos.
A fusão de influências tribais do mundo todo se transforma num “crash” de estampas, padrões e materiais. O design artesanal, as técnicas tradicionais e materiais originais são combinados com cores brilhantes. Os motivos étnicos ganham ares contemporâneos.
• Experimental – Padrões gráficos exuberantes e pinceladas expressivas emprestam energia e dinamismo. Motivos étnicos estilizados e modificados celebram o intercâmbio cultural desconstroem a homogeneidade. Uma imperfeição rústica reforça o senso de artesanal.
Formas em camadas, enroladas, amarradas emergem da existência nômade, enquanto combinação de fibras naturais com acabamentos sintéticos brilhantes criam um superfície inesperada.
Palavras chave: exuberância, expressão, influência tribal, imperfeição, texturas contrastantes.
• Cultural Hybrid – A preocupação em preservar o patrimônio cultural e artesanal dos povos indígenas levou os designers a buscarem um mix de referências nostálgicas para criar uma estética caótica e híbrida. Tecidos bordados e ornamentados associados com tecidos delicados, enquanto estampas abstratas e inspiradas em animais se sobrepõem em crochês artesanais. Além disso, as rendas são posicionadas em sobreposições com listras geométricas. O resultado estético é decadente e poético.
Palavras chave: bordado, ornamentação, revival, contrastes.
• Technicraft – Uma mistura de heranças culturais e modernidade, assume o lado elegante da tendência Mix Mash. Formas esculturais ousadas são combinadas com padrões geométricos monocromáticos. Tapeçarias com fios plásticos em processos de fabricação rápida criam superfícies ousadas. Technicraft explora e celebra a síntese entre tecnologia e artesanato, revelando um surpreendente contraste entre inovação e tradição.
Palavras chave: monocromático, padronagens complexas, geometria, escultural.
• Treasure and
Trash – Materiais industriais baratos e resíduos, combinados com elegância.
Tecidos sintéticos em camadas de material kitsch e delicado. Plásticos brilhantes explodem em conjunto com materiais naturais, criando um jogo de tensão e vibração. Velocidade e instabilidade são sugeridas através do uso de cordas e fitas entrelaçadas. Tecidos de malha e crochê, fios de grande dimensão apresentam um apelo ingênuo e primitivo.
Palavras chave: kitsch, primitivismo, inconsistência, reinterpretação, malha entrelaçada, estiramento.
Utility – um convite ao consumo consciente
Em um mundo de muitas escolhas e excesso de informação, estamos acompanhando o aparecimento da cultura da leveza, da racionalização e de um pensamento crítico que nos faz filtrar e analisar o que fazemos, e determinar o que é essencial em nossa vida pessoal e profissional. Diante da questão dos espaços e dos recursos limitados, os consumidores procuram produtos e serviços que ofereçam soluções compactas, móveis e flexíveis. A filosofia do “Back to Basics” está vindo à tona, impulsionando a nostalgia pelo verdadeiro funcionalismo.
Cansado do design frívolo, Utility exalta a acessibilidade, convidando ao uso. Com uma escolha cuidadosa de materiais e formas, projetados para o uso cotidiano, e que oferecem uma sensação de durabilidade.
• Makeshift – Os designers celebram um mantra provisório, “waste-not-want-not”.
Refletindo sobre os elementos essenciais, materiais que em geral eram descartados ganham nova cara. Utilitários como, feltro, tábuas, caixotes e sacos plásticos são trabalhados em conjunto. As superfícies são deixadas inacabadas, enquanto fechos e juntas são usados como elementos decorativos.
Palavras chave: reuso, reciclado, austero, imperfeição e cores não saturadas.
• Industrial Accents – Técnicas têxteis simples remetem a uma sensação de conforto, enquanto a costura e o debrum se tornam figuras centrais. Os produtos são montados e desmontados sem técnicas complexas. Componentes intercambiáveis são atados com cordas. Fios coloridos em contraste com tecidos e materiais rígidos. A atenção aos detalhes estimula uma relação mais emocional com o produto.
Palavra chave: detalhes simples, costura, nós, amarrações, utilitário.
• Workwear – Produtos autênticos e atemporais trazem um ar de nostalgia e uma promessa por algo duradouro. Workwear celebra materiais que se aperfeiçoam com o passar do tempo, como tecidos laminados, lonas e couro. Materiais mais leves garantem funcionalidade e simplicidade – pense no algodão cru e no linho. Sujeitas ao desgaste e as ações do tempo, essas peças se tornam uma parte orgânica da nossa casa e de nossas vidas. Denim, juta e camurça.
Palavra chave: autenticidade, sustentabilidade, resistência, desgastado, funcionalidade.
• Utility Lux – Os designers tiram inspiração dos modelos e instalações industriais e comerciais para criar uma estética refinada.
Fechos, grades e amarrações são usadas como bloco de cores, mistura de tons pastel e cores primárias. Os contrastes criam padrões geométricos exagerados, formas simples e listras tonais.
O uso de zíperes, fechos e outros elementos dão destaque aos detalhes.
Palavras chave: flexibilidade, durabilidade, cores contrastantes, compacto.
Wilderness – volta às origens
O luxo está redesenhando o artesanato, com uma ênfase na desaceleração para entender que o verdadeiro “luxo” não é volátil. Com Uma nova geração de designers está empenhada em redescobrir técnicas artesanais esquecidas e que foram aprendidas por necessidade. Nota-se também que esta estética orgânica adota tudo que a natureza tem para oferecer em formas, cores e materiais.
• Primitive Raw – Anuncia uma preocupação com técnicas de fabricação e formas primitivas. As falhas e imperfeições dos materiais naturais saciam a vontade pelo design íntegro. Costuras rústicas e detalhes feitos à mão dão um toque artesanal às peles, couros envelhecidos, imitações de pele de animais e tecidos terrosos.
Palavras chave: cru, áspero, inacabado, imperfeição, efeitos desgastados e craquelados, peles silvestres.
• Nature’s Harvest – A natureza é cultivada para nos oferecer ferramentas para as nossas necessidades diárias. As matérias primas criam uma estética ecológica e indomável, como palha, feno e cereais utilizados para resgatar formas selvagens. As cores e texturas e incluem uma paleta de tons terrosos e texturas irregulares.
Palavras chave: fibras naturais, estruturas irregulares, malhas e tecidos delicados.
• Folk Tales – Conexão entre o global e o local. Uma nova geração de designers traduz habilidades e técnicas artesanais esquecidas, compartilhadas pela nossa história. Tecidos do dia a dia e feltros artesanais nos contam sobre um modo de vida simples. Amarrações, torções e tranças em fibras como o linho, cânhamo e cordoaria se tronam imprescindíveis para a tendência.
Palavras chave: amarrações, tranças, babados, camadas, feltros.
• Untamed Mature – Técnicas tradicionais e materiais que remetem a cultura indígena são aplicados em formas contemporâneas. Manipulando – e não fabricando – estas estruturas anunciam a volta do artesanato histórico. Formas e estruturas naturais complexas são a chave da inspiração para malhas oversized, tecidos e cestaria. O efeito é de um emaranhado de cabelos e fibras, que criam uma estética selvagem.
Palavra chave: natureza crua, cestaria, técnicas indígenas, emaranhado, linho, tule e lã.
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Fonte: ITT Press Trends, edição 80.
Data de publicação: 28/04/2011











